terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Citação Importante

"Somos propensos a contender com a adversidade, às vezes até com veemência e fúria, quando no final ela pode ser a manifestação da sabedoria divina e do cuidado amoroso de nosso Pai, interferindo em nosso conforto temporário em prol de uma bênção permanente.

Nas tribulações e sofrimentos da mortalidade existe um ministério divino que apenas a alma (que está) afastada de Deus não consegue entender.

Para muitos, a perda das riquezas tem sido uma bênção, um meio providencial de afastá-los dos confins da auto-indulgência e guiá-los à liberdade, onde ilimitadas oportunidades esperam aqueles que lutam por ela. A decepção, a tristeza e as aflições podem ser a manifestação da bondade sábia do Pai Celestial."

(James E. Talmage,

A Liahona, 02/2003, pg. 37)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Receber pelo Espírito

A. Roger Merrill
Presidente Geral da Escola Dominical


Embora o papel do professor tenha recebido a devida ênfase nos processos de ensino do evangelho, precisamos também analisar cuidadosamente o nosso próprio papel como aprendizes.

Certo domingo, há alguns anos, quando eu estava servindo como Setenta de Área, o presidente da missão local e eu viajamos juntos para dirigir reuniões com vários grupos diferentes de pessoas. Quando estávamos indo para a última reunião, estávamos ambos muito cansados. Já tínhamos dirigido mais de 480 quilômetros e falado diversas vezes. Começamos a reunião seguindo a mesma lista de coisas que tínhamos utilizado nas outras reuniões.

Mas quando falamos, algo maravilhoso aconteceu. O Espírito Se tornou mais forte, e o ensino e o aprendizado atingiram um novo nível que continuou conosco durante toda a reunião. Mais tarde, comentamos um com o outro: “Foi maravilhoso. Essa foi a melhor reunião do dia!”

O que fez a diferença? Não foi o que fizemos. Não tínhamos subitamente nos tornado mais brilhantes, eloqüentes ou espirituais. Na verdade, estávamos cansados por causa das atividades do dia. Os assuntos que abordamos foram os mesmos das outras reuniões.

Ao conversarmos a esse respeito, demo-nos conta de que as pessoas que assistiram àquela última reunião eram mais humildes e estavam mais preparadas espiritualmente. Conseqüentemente, todos estavam mais receptivos e ávidos de ouvir a palavra, e o Senhor pôde usar-nos de modo mais eficaz como instrumentos para abençoar a vida deles. O sucesso da reunião deveu-se muito mais a eles do que a nós.

A partir desse momento, encontrei inúmeros exemplos desse princípio em ação. Em nenhum lugar isso é ensinado de modo mais veemente do que no próprio ministério mortal do Salvador. No livro de Mateus, lemos que o Salvador, “chegando à sua pátria (...) não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles” (Mateus 13:54, 58). Quase podemos ouvir Morôni declarando: “Eu vos exorto a não negardes o poder de Deus, pois ele opera com poder, de acordo com a fé dos filhos dos homens, o mesmo hoje e amanhã e para sempre” (Morôni 10:7; grifo do autor).

Gostaria de pedir-lhes que pensem nas implicações desse princípio em termos da própria capacidade de terem grandes experiências espirituais ao assistirem a uma aula ou a uma reunião sacramental no domingo. Qual é seu papel em criar um ambiente no qual o Espírito possa ensinar-lhes as coisas que vocês precisam saber? Se acharem uma aula da Igreja ou reunião sacramental entediante, isso diz mais respeito ao professor ou a vocês?

Ponderem a resposta do Presidente Spencer W. Kimball (1895–1985) quando alguém lhe perguntou: “O que você faz quando está em uma reunião sacramental entediante?” O Presidente Kimball pensou por um instante e depois respondeu: “Não sei; nunca estive numa reunião assim”.1 Com seus longos anos de experiência na Igreja, o Presidente Kimball sem dúvida esteve em muitas reuniões em que as pessoas leram o discurso que prepararam, falaram em tom monótono ou contaram um longo roteiro de viagem em vez de ensinar a doutrina. Mas é mais provável que o Presidente Kimball estivesse ensinando que ele não ia para a reunião sacramental para entreter-se; ele ia para adorar o Senhor, renovar seus convênios e ser ensinado do alto. Ao ir para a reunião com o coração receptivo, tendo o desejo de “ser nutrido pela boa palavra de Deus” (Morôni 6:4) e orando pelos discursantes — em vez de criticá-los — o Espírito lhe ensinou o que ele precisava fazer para ser um discípulo mais eficaz e fiel. O Presidente Kimball estava ensinando o princípio de aprender pelo Espírito.

Em Doutrina e Convênios, o Senhor nos ensina que devemos ensinar e aprender pelo Espírito:

“Em verdade vos digo: Aquele que é ordenado por mim e enviado para pregar a palavra da verdade pelo Consolador, no Espírito da verdade, prega-a pelo Espírito da verdade ou de alguma outra forma?

E se for de alguma outra forma, não é de Deus.

E também, aquele que recebe a palavra da verdade, recebe-a pelo Espírito da verdade ou de alguma outra forma?

E se for de alguma outra forma, não é de Deus.

Então como é que não podeis compreender e saber que aquele que recebe a palavra pelo Espírito da verdade recebe-a como é pregada pelo Espírito da verdade?

Portanto aquele que prega e aquele que recebe se compreendem um ao outro e ambos são edificados e juntos se regozijam” (D&C 50:17–22).

Observem que Ele disse que, se ensinarmos ou recebermos de qualquer outra forma que não seja pelo Espírito, não é de Deus. Somente o Espírito conhece todos os nossos pensamentos, sentimentos e necessidades. Somente Ele pode comunicar específica e individualmente a cada um de nós o que precisamos saber, com base na perfeita sabedoria de Deus.

Como aprendizes, não devemos esperar que sejamos constantemente entretidos, emocionalmente estimulados ou alimentados na boca; devemos preparar-nos ativamente em espírito de oração e buscar inspiração específica do Espírito para ajudar-nos a enfrentar nossos próprios desafios na vida. Quer o instrutor seja um professor veterano que leciona há vinte anos no instituto ou um encanador recém-converso que nunca deu uma aula, isso deve fazer pouca diferença na qualidade de nosso aprendizado. Pedro era pescador; Joseph Smith não tinha passado da terceira série. É do Espírito que devemos buscar instrução, e a capacidade que temos de receber pelo Espírito depende exclusivamente de nós.
Buscar e Pedir

Mas como podemos receber pelo Espírito? Gostaria de sugerir duas coisas: aceitar a responsabilidade pelo nosso aprendizado e fazer perguntas com fé.

A primeira idéia foi ensinada por Alma: “Se despertardes e exercitardes vossas faculdades, pôr à prova minhas palavras, e exercerdes uma partícula de fé, sim, mesmo que não tenhais mais que o desejo de acreditar, deixai que esse desejo opere em vós, até acreditardes de tal forma que possais dar lugar a uma porção de minhas palavras” (Alma 32:27).

Não podemos tratar o evangelho levianamente e esperar receber o poder da palavra em nossa vida. Precisamos despertar e exercer nossas faculdades. Precisamos “por à prova [Suas] palavras”. Precisamos exercer fé. Precisamos desejar acreditar. Precisamos “[deixar] que esse desejo opere em [nós]” e “dar lugar a uma porção de [Suas] palavras”. Observe que Alma não está descrevendo uma atitude do tipo apareça-no-domingo-e-espere-que-o-professor-o-entretenha. Ele nos ensina que precisamos aceitar a responsabilidade por nosso próprio aprendizado e esforçar-nos com fé, se quisermos receber o poder da palavra em nossa vida.

A segunda idéia se encontra em Tiago, nas sagradas palavras que inspiraram Joseph Smith a ir até o Bosque Sagrado:

“E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.

Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte” (Tiago 1:5–6).

O Senhor constantemente nos instrui a pedir, buscar e bater com a promessa divina de que receberemos e encontraremos, e que as portas da revelação nos serão abertas. Fazer perguntas com fé é o padrão estabelecido pelo Senhor para convidarmos a orientação do Espírito em nossa vida. Ponderem algumas das muitas perguntas que Joseph tinha em mente ao ler as palavras de Tiago:

“Em meio a essa guerra de palavras e divergência de opiniões, muitas vezes disse a mim mesmo: Que deve ser feito? Quem, dentre todos esses grupos está certo, ou estão todos igualmente errados? Se algum deles é correto, qual é, e como poderei sabê-lo?” (Joseph Smith — História 1:10).

As palavras de Tiago penetraram com “poder no coração de [Joseph]” (Joseph Smith – História 1:12) porque ele tinha perguntas em sua mente.

Portanto, que tipo de pergunta seria adequado fazermos? Suponham que irão assistir a uma aula da Escola Dominical sobre aqueles versículos de Tiago. Ao prepararem-se para a aula — ou mesmo ao pensarem nesses versículos durante a aula — vocês poderiam pensar em questões como estas:

*

• Quem era Tiago? Que perguntas ou situações suscitaram essa passagem específica?
*

• O que é sabedoria?
*

• O que significa “perguntar com fé”?
*

• É possível perguntar a respeito de coisas que não compreendo e ainda assim perguntar “em nada duvidando”? O que significa “duvidar”? Quando e por que eu duvido? Que escolhas posso fazer para assegurar-me de que não duvidarei?
*

• Em que situações eu me senti “levado” e “lançado”? O que posso aprender com essas experiências para ajudar-me a pedir com fé?
*

• Que doutrinas ou princípios são ensinados nesses versículos? Onde mais nas escrituras são ensinados esses princípios?
*

• Como esses princípios se relacionam com a vida e a missão do Salvador? Como eles podem me ajudar a achegar-me mais a Ele?
*

• Como esses princípios podem me ajudar ou aos meus entes queridos a lidar com nossas dificuldades e oportunidades específicas?

Se fizermos nossa parte formulando perguntas inspiradas e buscando sinceramente orientação em nossa vida, convidaremos o Espírito a ensinar-nos pelo poder da palavra.
ESCURIDÃO (adaptação do poema Darkness, de George Gordon - Lord - Byron)

Sonhei e não era propriamente um sonho.
O sol se apagara, as estrelas vagavam opacas no espaço eterno.
(Perdidas, não cintilavam mais)

A Terra, gélida e cega, oscilava obscura no firmamento sem luar;
Lampejos abriam as trevas, mas o dia não retornava.
Apavorados seres humanos abandonavam suas paixões.

Naquela devastação e percorridos por calafrios, desunidos corações,
– em egoística prece – clamavam pela claridade.
Súditos e reis ocupavam o mesmo lugar,
Palácios e choupanas crepitavam em imensa fogueira;
Cidades inteiras foram destruídas.

Ao redor de suas moradas em chamas, os homens se entreolhavam.
(Ah, viver no interior das crateras dos vulcões!)
O mundo em convulsão;

Florestas abrasavam em trincados e estrondos de troncos.
(No infinito, o negrume.)
Cadáveres brotavam na superfície,
Relâmpagos cortavam o tétrico cenário.

Alguns ocultavam os olhos horrorizados, em pranto;
Alguns apoiavam o queixo nas mãos, num esgar patético,
Outros andavam numa e noutra direção ateando fogo ao monturo funéreo;
Sondavam, enlouquecidos e inquietos e céu abafado, mortalha de um mundo perdido;
Esbravejavam, lançavam-se ao chão, rangiam os dentes, urravam.
Aves selvagens guinchavam aterrorizadas batendo, em vão, as asas.
(Até caírem por terra).
As mais horrendas feras aproximavam-se – mansas, trêmulas;
Víboras rastejavam multiplicando-se em meio à multidão
– desprovidas de chocalhos, assobiavam mortas de fome.

A Guerra findou, saciada em melancólico banquete sangrento.
Amantes não tiveram a chance da despedida.
A Terra era um só pensamento: a iminente e inglória Morte,
Apascentando-se das vísceras humanas.

Defuntos em ossos e carnes insepultos.
A voragem miserável obrigava até os cães a devorarem seus donos.
Exceto um, fielmente atado à coleira – latindo, protegia
Pássaros, feras e homens desesperados.
Habituar-se-iam à penúria,
Ou a Morte os subjugaria com suas poderosas mandíbulas.

O cão tentou encontrar alimento.
Num lamento, lúgubre, infindável,
Chorando, solitário, lambia a mão do dono, inerte e indiferente ao afago.

Duas cidades sobreviveram.
A contenda se deu junto às brasas do altar.
Objetos sagrados eram profanados.
Legiões de cadáveres lutavam na penumbra,
Erguendo as esqueléticas e frias garras.
Montes de cinzas impelidas no sopro derradeiro
(burlesca imitação da vida).
Olhos desorbitados sobressaíam à pálida luz restante.
Figuras hediondas guinchavam e sucumbiam irmanadas.
Irreconhecíveis semblantes esculpidos pelo demônio.
O mundo – um vácuo –
Tão somente solidão. E a massa informe.

Primavera não, nem outono ou inverno; nem verão...
Ausência de árvores, de pessoas, de vida.
A Morte – caos da horripilante argila humana.

Restaram os oceanos, os rios, os lagos em cujas profundezas
Os navios apodreciam, os mastros despencando em pedaços.
Jaziam para sempre no abismo sem ondas.
A lua amante e amada, exalara antes.
Os ventos secaram no ar estagnado,
As nuvens pereceram.
Escuridão absoluta.
Trevas.

Tânia Meneses
Publicado no Recanto das Letras em 02/11/2007
Código do texto: T720407