domingo, 27 de junho de 2010

Deixar um Legado

Élder Carlos A. Godoy - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Junho/2010)


Por Élder Carlos A. Godoy

Recentemente fui a uma conferência de estaca onde pude presenciar o poder de influência que os pais exercem em seus filhos. Neste caso específico, o pai já havia falecido, mas os filhos ainda lembravam com carinho de seus ensinamentos e principalmente de seu exemplo em viver o evangelho.

Uma experiência narrada por um dos filhos me tocou bastante. Ele, agora pai de seus próprios filhos, lembrou que, quando ele e seus irmãos começaram a estudar à noite, imaginaram que teriam uma boa desculpa para não participarem das noites familiares, pois estariam chegando muito tarde em casa. Não demorou muito para descobrirem que o pai não pensava da mesma maneira. Ao chegar em casa após as aulas, ele lembra que encontrava os hinários em cima da mesa da cozinha, sinal claro de que a reunião familiar ainda estava na agenda do dia.

Os filhos não lembram qual foi a mensagem dada ou as escrituras lidas, mas não esquecem a maior mensagem passada pelos pais: a reunião familiar é importante para nós. Pequenos atos como esse marcam a memória de nossos filhos e se tornam parte de um legado que deixamos para as gerações futuras.

Lembro de situação semelhante, quando servia como presidente de missão. No jantar de despedida de alguns missionários em nossa casa, presenciamos outro exemplo de como pequenas coisas se tornam marcantes para nossos filhos. Neste caso, um dos élderes ao prestar testemunho disse que aprendeu a dar valor às escrituras, em especial ao Livro de Mórmon, graças a sua mãe. A mãe, que estava presente nesse jantar com o esposo, pois tinham viajado até a missão para buscar o filho, ficou muito surpresa com o comentário feito. Ela não se dera conta de como tinha influenciado o testemunho do filho a respeito do Livro de Mórmon.

O élder então explicou que, quando pequeno, era acordado junto com os irmãos bem cedinho pela mãe para tomar o desjejum na cozinha. Cada um dos irmãos se acomodava na mesa, mais ocupados em continuar a dormir do que em comer ou ler as escrituras. A mãe então fritava bacon em uma frigideira, com uma das mãos, ao mesmo tempo em que segurava o Livro de Mórmon com a outra, e lia. Ele disse que não lembra o que a mãe lia, mas não consegue esquecer aquela imagem da mãe todas as manhãs, segurando o livro em uma mão e a frigideira na outra. Talvez a mãe estivesse até se sentindo frustrada, ao ver que os filhos não estavam prestando atenção - estavam mais dormindo na mesa do que ouvindo sua leitura; mas, sem perceber, estava passando uma mensagem poderosa aos seus pequenos filhos: o Livro de Mórmon é importante para nós. O testemunho se fortaleceu nos anos que se seguiram, graças ao exemplo deixado pela mãe nas manhãs de sua infância.

Em D&C 93:39-40 o Senhor nos alerta: E vem o ser maligno e tira a luz e verdade dos filhos dos homens pela desobediência e por causa da tradição de seus pais. Eu, porém, ordenei que criásseis vossos filhos em luz e verdade. Como pais, somos responsáveis por plantar em nossos filhos tradições que os protejam e ajudem em seu dia a dia e em seus desafios futuros. Quando fazemos nossas orações familiares, reuniões familiares e leitura das escrituras em família, por exemplo, estamos iniciando (ou mantendo) uma tradição que abençoará não somente eles, mas seus filhos e os filhos de seus filhos. Nossos netos serão beneficiados por esse legado. Como disse o Élder David A. Bednar, em seu discurso na conferência de outubro de 2009, Nossa constância em fazer coisas aparentemente pequenas pode levar a resultados espiritualmente significativos (Mais Diligentes e Interessados em Casa, A Liahona, novembro de 2009, p. 20).

Um legado é construído pouco a pouco, ano após ano, com (talvez) pequenas, mas poderosas ações. Podem ser hinários nos esperando à noite após as aulas ou frigideiras e Livros de Mórmon no desjejum. O mais importante é que estarão fortalecendo as gerações futuras, e estas, por sua vez, também acabarão por passar esse legado adiante.

Portanto não canseis de fazer o bem, pois estais lançando o alicerce de uma grande obra. E de pequenas coisas provém aquilo que é grande (D&C 64:33).

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Homem Integral

Quais são as características que definem o homem integral?

Poderíamos dizer que o homem integral é o indivíduo que desenvolveu ao máximo as suas três faculdades essenciais:

A faculdade de pensar, a de sentir e a de querer, ou a razão, o sentimento e a vontade.

O pensar e o querer são as faculdades ativas do homem integral, o sentir é a faculdade passiva. Nesse sentido, podemos dizer que o pensar e o querer partem do homem, o sentir acontece nele.

Em geral, sempre se considerou a razão como o patrimônio maior, e talvez único, da inteligência.

Por isso, desenvolver a inteligência significava quase que exclusivamente o desenvolvimento da razão ou do pensar.

O homem inteligente é aquele que sabe pensar. É preciso ensinar a pensar, se diz freqüentemente. Fomos levados a acreditar que o papel mais importante do educador é ensinar a pensar.

Nos dias atuais, entretanto, a inteligência emocional também tem sido difundida. Muito se tem falado da relevância dos aspectos emocionais no desenvolvimento da inteligência.

O ensinar a sentir passou a fazer parte do vocabulário dos educadores, embora não com a mesma força do ensinar a pensar.

Pouco, no entanto, tem sido dito da inteligência volitiva, ou inteligência associada à vontade. O papel desta inteligência na formação integral do homem precisa ser melhor explorado.

E a razão é simples. Nunca, como agora, os valores éticos e políticos se tornaram tão necessários.

A sociedade moderna, no plano nacional e mesmo internacional, reconhece a importância dos valores éticos na conquista de uma vida mais justa.

Aliás, direito e justiça resultam do uso adequado da vontade, ou do querer. Portanto, são frutos de uma inteligência volitiva bem desenvolvida.

Ousamos afirmar que a sociedade moderna padece as conseqüências de não ter dado a devida importância ao desenvolvimento da inteligência volitiva.

Educadores, em geral, preocupados com a construção de uma sociedade mais justa, deverão assumir, como compromisso inadiável, a tarefa de desenvolver a inteligência volitiva.

Uma educação para o desenvolvimento harmônico das inteligências racional, emocional e volitiva deve ser um dos mais importantes objetivos de uma instituição de ensino e de todo educador.

Os valores do sentimento e da moral sempre ficaram em segundo plano. Sempre foram considerados como pertencentes aos homens fracos e menos espertos.

E esse desprezo trouxe sérias conseqüências, pois muitas das conquistas da ciência viraram instrumento de violência e submissão.

A violência e a guerra ganharam em requinte e sofisticação. O homem atual sabe muito, mas sofre e é infeliz.

Sem o sentimento e a vontade para conduzir adequadamente a razão, o homem moderno caminha como um viajante num deserto sem oásis.

Sabe para onde ir, mas não encontra a água para matar a sede; sede de paz e de justiça; sede de amor e de liberdade.

Para reverter esse estado de coisas, é fundamental voltar nossos olhos para o desenvolvimento das inteligências emocional e volitiva. Sem as conquistas do sentimento e da vontade o homem continuará sedento.

É comum encontrar pessoas que desenvolveram muito apenas o pensar e que, dominadas pelo orgulho, tornaram-se arrogantes e presunçosas.

Carecem da virtude mais importante na caracterização do homem sábio: a humildade. Sem a humildade perdem boas oportunidades de continuar aprendendo. Pensam que já sabem tudo.

Existem indivíduos muito inteligentes e com grande habilidade de decisão, mas vingativos e perversos, verdadeiros déspotas.

Por outro lado, encontramos indivíduos com bons sentimentos, mas que não conseguem tomar decisões corretas. São, com freqüência, iludidos, enganados pelos mais espertos.

O homem integral, portanto, é aquele que logrou o desenvolvimento harmônico do pensar, do sentir e do querer.

O indivíduo que é senhor do próprio pensamento, dos sentimentos e da vontade, pode ser considerado um homem virtuoso, um homem integral.

Pensemos nisso, e acionemos a vontade para conquistar essa meta.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no texto "Educação Integral", do Prof. Cosme Bastos Massi, disponível no site: Http://www.educacional.com.br/articulistas/cosme0001.asp