terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Identidade Ímpar de Nossa Alma

Élder Robert R. Steuer - Presidente da Área Brasil Norte (Abril/2006)

Élder Robert R. Steuer

Somente a revelação tem as respostas para algumas das mais difíceis perguntas feitas ao longo dos anos pelo homem comum e pelos teólogos. Eis algumas dessas perguntas: Continuarei a viver após a morte? Se viver, terei lembranças? Ou cairei no vazio, absorvido pelo universo insensível? Ainda serei eu mesmo? Será a morte apenas um sono, inconsciente e esquecido? Como a nossa visão é tão limitada e os caminhos e pensamentos de Deus tão vastos1, por mais que especulemos ou ouçamos opiniões alheias, nunca poderemos responder a essas perguntas.

Deus, em Sua graça, revela-nos a verdade de que a nossa vida é um único contínuo, preexistente a este mundo, que continua hoje e continuará por toda a eternidade. Aprendemos com Abraão que a alma de cada um de nós é ímpar e que somos "as inteligências que foram organizadas antes de o mundo existir".2 O Profeta Joseph Smith acrescentou: "A inteligência dos espíritos não teve início, nem terá fim. (...) Eles são semelhantes (coeternos) ao nosso Pai Celestial".3

Nosso corpo e nosso espírito, unidos até a morte, constituem a "alma vivente".4 Essa alma recebeu a capacidade de crescer em graça, conhecimento, poder e inteligência.5 Em relação a esse crescimento pessoal, o Profeta Joseph Smith observou que Deus, sendo mais inteligente do que todos, "achou próprio instituir leis para que os demais pudessem ter o privilégio de progredir como Ele".6

A morte ocorre quando o espírito deixa o corpo e vai para o mundo espiritual para aguardar o dia da ressurreição.7 Se tivermos vivido com dignidade, poderemos, em espírito, continuar a compartilhar o evangelho com aqueles que também já passaram para além do véu. Dessa maneira, participamos do grande trabalho iniciado pelo Salvador depois de ser crucificado, quando visitou os mortos e organizou a obra de pregação da doutrina redentora àqueles que "estão nas trevas".8 O Profeta Joseph deu-nos o conhecimento consolador desse mundo espiritual, descrevendo-o como "um lugar onde [os mortos] conversam uns com os outros, exatamente como fazemos na Terra".9

Nossa alma imortal será um personagem ressurreto-no qual o corpo e o espírito serão unidos para sempre,10 mantendo nossos próprios atributos, e "qualquer princípio de inteligência que [alcançarmos] nesta vida, ressurgirá [conosco] na ressurreição".11 Morôni nos assegura que não teremos um "interminável sono", mas que, de fato, somos redimidos da possibilidade desse sono infindo12 através do poder da Expiação de Cristo. Diferentemente do que ensinam algumas religiões orientais, o indivíduo não é absorvido em um Nirvana indistinto como uma gota d’água sendo sugada por um grande oceano, mas continuamos com nossa identidade independente. O testemunho que Enos, pouco antes de morrer, prestou do Salvador, foi muito claro: "E regozijo-me no dia em que meu corpo mortal revestir-se de imortalidade e apresentar-se diante dele; então verei a sua face com prazer e ele me dirá: Vem a mim, ó bendito; há um lugar preparado para ti nas mansões de meu Pai".13

O filósofo existencialista Bertrand Russell disse: "Nenhum fogo, nenhum heroísmo, nenhuma integridade de pensamento ou sentimento pode preservar a vida individual no além-túmulo".14 Ele está certo! Somente o poder da redenção e da ressurreição de Jesus Cristo pode preservar nossa identidade para sempre, e o faz. É esse poder que exige que a sepultura "[liberte] o corpo dos justos (...) e todos os homens [tornem-se] incorruptíveis e imortais [e tornem-se] almas viventes".15 (grifo do autor).

Por meio dessas verdades divinas reveladas podemos desfrutar de clareza, paz, certeza, segurança, além de termos a motivação de fazer o melhor a cada dia. Sabemos que "se nesta vida uma pessoa (...) adquirir mais conhecimento e inteligência do que outra, ela terá tanto mais vantagem no mundo futuro".16 De fato, essas verdades e doutrinas restauradas criam uma intensificação da nossa identidade e uma maior percepção e gratidão pelo poder redentor do Filho de Deus. Ele vive e nós também viveremos e continuaremos com a identidade peculiar que moldarmos.

Notas
1. Isaías 55:8
2. Abraão 3:22-23
3. Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 345
4. Abraão 5:7
5. Moisés 7:32-33, McConkie, Mormon Doctrine, p. 748, 1996
6. Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 346
7. Alma 40:11-14
8. D&C 138:52-57; I Pedro 3:18--19, 4:6
9. Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 345
10. D&C 88:15, Alma 40:23, Morôni 10:34
11. D&C 130:18
12. Mórmon 9:13
13. Enos 1:27
14. Citado em W.N. Sullivan, The Limitations of Science [As Limitações da Ciência], p. 175
15. 2 Néfi 9:13
16. D&C 130:19

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