domingo, 1 de agosto de 2010

“Vencer a Si Mesmo”

Élder Pedro J. C. Penha - Segundo Conselheiro na Presidência da Área Brasil Norte (Julho/2007)

Élder Pedro J. C. Penha

Desafios da Vida

No decorrer dos séculos, filósofos, teólogos e escritores debatem a questão da natureza humana. Em nossa vida aqui na Terra, cada um de nós enfrenta desafios que nos ajudam a determinar o quanto entendemos com clareza as provas que nos são dadas pelo Pai.

O Novo Testamento registra uma dessas provas, na história de um jovem que teve o privilégio de estar pessoalmente diante do Salvador. Esse jovem veio até Ele e perguntou-Lhe o que deveria fazer para herdar a vida eterna. Se prestarmos atenção à resposta do Mestre, talvez possamos encontrar alguns elementos que nos levem à proposta do título desta mensagem, “Vencer a si mesmo”.

O Messias respondeu: “Se queres, porém, entrar na vida [eterna], guarda os mandamentos” (Mateus 19:16–17). Quero chamar sua atenção para a profundidade dessa resposta. O verdadeiro desejo e a total obediência às leis, por parte daquele jovem, foram testados. Esse foi um momento decisivo na vida dele. Ao que parece, ele obedecia a muitos mandamentos, mas não era completo. Algo lhe faltava (ver Marcos 10:21). Os anseios mais profundos de seu íntimo ainda se mostravam vazios.

Na ótica de Cristo, esse homem precisava decidir se verdadeiramente desejava a vida eterna. “A entrega de nossa vontade (desejo) a Deus é, realmente, a única coisa pessoal e ímpar que temos para depositar no altar de Deus. As muitas outras coisas que ‘damos’, irmãos e irmãs, são, na verdade, coisas que Ele já nos deu ou emprestou. No entanto, quando finalmente nos submetermos, deixando nossos desejos individuais serem absorvidos pela vontade de Deus, estaremos então realmente dando algo a Ele! É a única coisa que possuímos e que podemos, verdadeiramente, ofertar” (“Absorvido pela Vontade do Pai”, Élder Neal A. Maxwell, A Liahona, janeiro de 1996, p. 24).

Nossa atitude diante da vida se manifesta não apenas em palavras, mas na evidência de nossa aparência e de nosso espírito. O Presidente Ezra Taft Benson observou: “Assim como o homem não deseja alimento, a menos que sinta fome, tampouco anseia pela salvação de Cristo, até saber por que necessita Dele. Ninguém sabe, correta e adequadamente, por que precisa de Jesus, a menos que compreenda e aceite a doutrina da Queda e seus efeitos sobre a humanidade” (A Witness and a Warning, 1988, p. 33).

O Homem Natural


Em Mosias 3:19, o rei Benjamim ensinou que “o homem natural é inimigo de Deus e tem-no sido desde a queda de Adão”. Após a transgressão de Adão e Eva, eles foram expulsos do Jardim do Éden e, conseqüentemente, afastados da presença de Deus. Tal separação foi tão séria, que se tornou sinônimo da morte. O Senhor consolou Adão dizendo: “Eis que te perdoei tua transgressão no Jardim do Éden”. Se analisarmos o contexto dessa declaração, aprendemos que o Filho de Deus expiou o pecado original, para que os pecados dos pais não recaiam sobre a cabeça dos filhos.

O Senhor explicou ainda mais: “Visto que teus filhos são concebidos em pecado, quando eles começam a crescer, concebe-se o pecado em seu coração e eles provam o amargo para saber apreciar o bom” (Moisés 6:53–55).

O Presidente Benson nos ensinou que o mundo tenta moldar o comportamento humano, mas Cristo pode mudar a natureza humana. “O Senhor opera de dentro para fora. O mundo opera de fora para dentro. O mundo quer tirar as pessoas da miséria e das favelas. Cristo tira a miséria das pessoas, e então elas próprias se livram das favelas. O mundo procura moldar os homens, modificando seu meio ambiente. Cristo modifica os homens, que então transformam seu ambiente. O mundo procura modelar o comportamento humano; Cristo, porém, consegue mudar a natureza humana” (“Nascido de Deus”, A Liahona, janeiro de 1986, p. 4).

Mudar a Si Mesmo


Alma diz que depois da Queda, Adão e Eva “foram afastados tanto física como espiritualmente da presença do Senhor; e assim vemos que eles ficaram sujeitos a sua própria vontade” (Alma 42:7).

O exercício de nossa vontade poderá nos levar a pautar nossas ações nas do homem natural que há em nós, ou a buscar a harmonia entre o que desejamos e aquilo que o Senhor deseja de nós.

No processo de conhecer a vontade de Deus para nossa vida, é preciso ter a atitude que reflita a compreensão de que cada um de nós é um filho espiritual de Pais Celestiais. O Senhor sabe quem somos nós. Ele nos conhece. Sabe o que pensamos e o que sentimos, no mais profundo da nossa alma. Ele também sabe o que é melhor para nós, mesmo que, às vezes, possa gerar alguma angústia ou tristeza. Ele sabe o que melhor se reverterá em nosso benefício, pois conhece o fim desde o começo. Também sabe o tipo de ajuda que precisamos no dia-a-dia.

“Se estivermos esmorecidos, talvez necessitemos de dificuldades. Se estivermos contentes demais, talvez recebamos uma dose de descontentamento divino. A reprovação pode conter uma visão relevante. Um novo chamado tiranos das cômodas rotinas para as quais já desenvolvemos as aptidões necessárias. Podemos vir a perder o conforto material, para que o câncer do materialismo seja também removido. Talvez sejamos humilhados, para que nosso orgulho se desfaça. De um modo ou de outro, aquilo de que tivermos falta receberá atenção, e tudo de que precisarmos nos será dado” (“Absorvido pela Vontade do Pai”, Élder Neal A. Maxwell, A Liahona, janeiro de 1996, p. 24).

Cada um de nós enfrentará seus próprios desafios na vida, pois o Senhor disse: “E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar” (Abraão 3:25). Algumas das provas que enfrentaremos nessa vida serão feitas sob medida para cada um de nós. Já que o Senhor nos conhece tão profundamente, Ele sabe quais partes de nosso caráter precisam ser modificadas. Ele também conhece nossas fraquezas e sabe como nos ajudar a transformá-las em pontos fortes em nossa vida, mesmo que essas fraquezas estejam contidas em nosso âmago.

Em Salmos, lemos: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim. Muitos dizem (…): Não há salvação (…). Porém tu, Senhor, és um escudo para mim” (Salmos 3:1–3).

E Provérbios 3:5–8 afirma: “Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal. Isto será saúde para o teu âmago, e medula para os teus ossos”.

Compartilho essas reflexões na certeza de que, com Jesus Cristo ao nosso lado, podemos vencer os desafios dessa vida com fé e esperança. Não permitamos que a tristeza entre em nosso coração. O Espírito de Deus produz alegria, luz e bons sentimentos. O Espírito de Deus é um espírito de esperança. Tendo o Salvador como aliado e seu Espírito para nos inspirar, podemos vencer a nós mesmos.

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