quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal da Primeira Presidência da Igreja

A Primeira Presidência da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias difundiu a mensagem de Natal 2010.

Por Relações Públicas

Ao celebrarmos o nascimento do Senhor Jesus Cristo os nossos pensamentos voltam-se para a sagrada ocasião quando Ele nasceu como o "Príncipe da Paz” (Isaías 9:6).

Ele prometeu: “Aquele que me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). Em verdade, Jesus Cristo é o nosso Salvador e Redentor que foi “trespassado pelas nossas transgressões e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53.5).

A nossa oração neste época de Natal é a de que a luz e o testemunho da missão divina do Salvador possam entrar em nossos corações e ser reflectidas nas nossas vidas e nos nossos lares.

Que cada um de nós possa ser abençoado, não só nesta época natalícia, mas também ao longo de todo o ano vindouro. Que a nossa fé em Jesus Cristo possa aumentar ao seguirmos o Seu exemplo em tudo o que fazemos e dizemos

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Nunca O Deixem

Neil L. Andersen
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Se decidirem não ficar ofendidos ou envergonhados, vocês sentirão Seu amor e Sua aprovação. Saberão que estão tornando-se mais semelhantes a Ele.

Elder Neil L. AndersenAmados irmãos e irmãs de todo o mundo, expresso minha profunda admiração pela fé e coragem que vejo em sua vida. Vivemos em uma época notável — mas também desafiadora.
O Senhor Alerta-nos sobre os Perigos Futuros

O Senhor não nos deixou sozinhos em nossa jornada de volta a Sua presença. Escutem Suas palavras de advertência sobre os perigos que enfrentaremos: “Olhai, vigiai e orai”.1 “Acautelai-vos para que não vos enganem”.2 “[Sede] diligentes e cuidadosos”.3 “Guardai-vos [para] que [não] (…) descaiais da vossa firmeza”.4

Nenhum de nós está imune às influências do mundo. O Senhor nos aconselha a estarmos atentos.

Lembrem-se do que aconteceu a Jesus em Cafarnaum, quando os discípulos que seguiam o Salvador deixaram de aceitá-Lo como Filho de Deus. Lemos nas escrituras: “Desde então muitos dos seus discípulos (…) já não andavam com ele”.5

Jesus voltou-Se aos Doze e perguntou: “Quereis vós também retirar-vos?”6
Quereis Vós Também Retirar-vos?

Em minha mente, respondi àquela pergunta muitas vezes: “De modo algum! Eu não! Jamais O deixarei! Estou contigo para sempre!” Sei que vocês responderam da mesma forma.

Mas a pergunta “Quereis vós também retirar-vos?” faz-nos pensar em nossa própria vulnerabilidade. A vida não é fácil. As palavras dos Apóstolos proferidas em outra ocasião, vêm-nos então à mente: “Porventura sou eu, Senhor?”7

Entramos nas águas do batismo com alegria e entusiasmo. O Salvador nos convida, dizendo “[vinde] a mim”,8 e aceitamos o convite com fé Nele, tomando sobre nós o Seu nome. Nenhum de nós deseja que essa jornada seja um breve flerte com a espiritualidade ou mesmo um capítulo extraordinário, porém finito. A trilha do discípulo não é para os que são espiritualmente tímidos. Jesus disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”.9 “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me”. 10

Seguir o Salvador, sem dúvida, traz consigo muitos desafios. Encaradas com fé, tais experiências refinam nosso espírito e aprofundam nossa conversão à realidade do Salvador. Encaradas à maneira do mundo, essas mesmas experiências nos ofuscam a visão e enfraquecem nossa decisão. Alguns que amamos e admiramos se desviam do caminho estreito e apertado e “já não [andam] com ele”.
Como Permanecer Fiéis?

Como podemos manter-nos fiéis ao Salvador, a Seu evangelho e às ordenanças de Seu sacerdócio? Como podemos desenvolver a fé e a força para nunca deixá-Lo?

Jesus disse: “Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus”.11Precisamos do humilde coração de uma criança.

Por meio do poder de Sua Expiação, temos que nos tornar “como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-[nos] a tudo quanto o Senhor achar que [nos] deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai”.12 Essa é a vigorosa mudança no coração.13

Logo percebemos por que essa mudança no coração é tão necessária. Duas palavras sinalizam o perigo à frente: As palavras são ofendido e envergonhado.
Decidir Não Se Sentir Ofendido

Aos que questionavam a divindade do Salvador, Jesus perguntou: “Isto escandaliza-vos?”14Na parábola do semeador, Jesus advertiu: “[Ele persevera por algum tempo, porém], chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende”.15

A ofensa vem com muitos disfarces e sempre consegue entrar em cena. As pessoas em quem acreditávamos nos decepcionam. Temos dificuldades imprevistas. Nossa vida não é exatamente o que esperávamos. Cometemos erros, sentimo-nos indignos e perguntamo-nos se seremos perdoados. Temos dúvidas em relação a uma doutrina. Ouvimos algo que foi dito em um púlpito da Igreja há 150 anos e que nos deixa perturbados. Nossos filhos são tratados de modo injusto. Somos ignorados ou menosprezados. Podem ser mil coisas, todas muito reais para nós no momento em que acontecem.16

Em nossos momentos de fraqueza, o adversário procura despojar-nos de nossas promessas espirituais. Se não estivermos atentos, nosso espírito magoado e ingênuo voltará para dentro da couraça escura e fria do antigo ego inflado, deixando para trás a cálida e consoladora luz do Salvador.

Em 1835, quando Parley P. Pratt foi julgado injustamente, trazendo desonra para si e para sua família, o Profeta Joseph Smith aconselhou: “[Parley], (…) ignora essas coisas (…) [e] o Deus Todo-Poderoso estará contigo”.17

Outro exemplo: em 1830, Frederick G. Williams, um médico preeminente, foi batizado. Ele imediatamente dedicou seus talentos e sua prosperidade para a Igreja. Tornou-se um líder na Igreja. Doou propriedades para o Templo de Kirtland. Em 1837, na esteira das dificuldades ocorridas na época, Frederick G. Williams cometeu graves erros. O Senhor declarou em uma revelação dada em 1838 que “em consequência de [suas] transgressões, [sua] posição anterior [na liderança da Igreja] foi tirada [dele]”.18

A bela lição que aprendemos com Frederick G. Williams foi a de que “quaisquer que tenham sido suas fraquezas pessoais, ele teve força de caráter para [renovar] sua lealdade com o [Senhor], com o Profeta e (…) com a Igreja, quando teria sido muito fácil entregar-se ao ressentimento”.19 Na primavera de 1840, ele compareceu a uma conferência geral pedindo humildemente perdão por sua conduta anterior e expressando sua determinação de fazer a vontade de Deus no futuro. Seu caso foi apresentado por Hyrum Smith, e ele foi inteiramente perdoado. Faleceu como membro fiel da Igreja.

Conheci recentemente o presidente do Templo de Recife Brasil, que se chama Frederick G. Williams. Ele contou como a nobre decisão de seu trisavô abençoou a família e centenas de pessoas da sua posteridade.
Decidir Não Se Sentir Envergonhado

Ofendido tem um companheiro destrutivo chamado envergonhado.

No Livro de Mórmon, lemos sobre a visão de Leí da árvore da vida. A visão fala das nobres almas que “[avançaram com esforço] (…) através da névoa de escuridão, [apegadas] à barra de ferro, até que chegaram e comeram do fruto da árvore”.20

Néfi descreveu a árvore como o “amor de Deus”,21 dando frutos que “[enchiam] a alma de imensa alegria”.22

Depois de provar do fruto, Leí viu “um grande e espaçoso edifício (…) cheio de gente, tanto velhos como jovens, tanto homens como mulheres; e suas vestimentas eram muito finas; e sua atitude era de escárnio e apontavam o dedo para aqueles que (…) comiam do fruto”.23 O anjo explicou que a zombaria e a atitude de escárnio representavam o orgulho e a sabedoria do mundo.24

Néfi declarou simplesmente: “Não lhes demos atenção”.25

Infelizmente, houve quem perdesse a coragem. Lemos nas escrituras: “E os que haviam experimentado do fruto ficaram envergonhados, por causa dos que zombavam deles, e desviaram-se por caminhos proibidos e perderam-se”.26

Em muitos aspectos, como discípulos de Cristo, somos diferentes do mundo. Há momentos em que nos sentimos incomodados com a atitude de escárnio e desprezo por coisas que nos são sagradas.27 O Presidente Thomas S. Monson advertiu-nos: “A menos que as raízes de seu testemunho estejam firmemente plantadas, será difícil para vocês suportarem o escárnio das pessoas que desafiam sua fé”.28 Néfi disse: “Não lhes demos atenção”.29 Paulo admoestou: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor (…). Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor”30 Nunca O deixaremos.

Enquanto acompanhava o Presidente Dieter F. Uchtdorf em sua viagem à Europa Oriental, no ano passado, maravilhei-me com a fé e a coragem dos santos. Um líder do sacerdócio da Ucrânia nos contou que foi chamado para presidente de ramo na primavera de 1994, apenas seis meses após seu batismo. Isso exigiu que ele tornasse sua religião de conhecimento público e ajudasse a registrar a Igreja na Cidade de Dnipropetrovs’k. Era uma época de incertezas na Ucrânia, e o fato de ele expressar publicamente sua fé em Cristo e no evangelho restaurado poderia resultar em problemas, inclusive a perda de seu emprego como piloto.

O líder do sacerdócio nos contou: “Orei e orei. Eu tinha um testemunho e havia feito um convênio. Eu sabia o que o Senhor queria que eu fizesse”.31Com coragem, ele e a esposa foram adiante, sem envergonhar-se do evangelho de Jesus Cristo.
A Quem Muito É Dado, Muito É Requerido

Alguns podem perguntar: “Tenho que ser tão diferente dos outros?” “Não posso ser discípulo de Cristo e não pensar tanto em meu comportamento?” “Não posso amar Cristo sem cumprir a lei da castidade?” “Não posso amá-Lo e fazer o que eu quiser no domingo?” Jesus deu uma resposta bem simples: “Se me amais, guardai os meus mandamentos”.32

Alguns podem perguntar: “Não há muitas pessoas de outras religiões que amam a Cristo?” É claro que sim! Contudo, como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tendo o testemunho de Sua realidade, não apenas da Bíblia, mas também do Livro de Mórmon, sabendo que Seu evangelho foi restaurado na Terra, tendo feito convênios sagrados de segui-Lo e tendo recebido o dom do Espírito Santo, tendo sido investidos com poder em Seu santo templo e fazendo parte dos preparativos para Seu glorioso retorno à Terra, não podemos comparar o que devemos ser com o que devem ser aqueles que ainda não receberam essas verdades: “Porque a quem muito é dado, muito é exigido”.33

O Senhor disse: “Podes escolher segundo tua vontade”.34

Prometo-lhes que, se decidirem não ficar ofendidos ou envergonhados, vocês sentirão Seu amor e Sua aprovação. Saberão que estão tornando-se mais semelhantes a Ele.35

Será que compreenderemos todas as coisas? É claro que não. Deixaremos algumas questões de lado para serem compreendidas mais tarde.

Tudo será justo? Não será. Aceitaremos algumas coisas que não podemos consertar e perdoaremos as pessoas mesmo quando for difícil.

Será que em algumas ocasiões nos sentiremos isolados dos outros ao nosso redor? Sem dúvida alguma.

Será que às vezes ficaremos atônitos com a raiva que uns poucos sentem pela Igreja do Senhor e com o empenho deles em destruir a fé hesitante daqueles que estão fracos?36Ficaremos, sim. Mas isso não atrapalhará o crescimento ou o destino da Igreja, tampouco impedirá o progresso espiritual de cada um de nós, como discípulos do Senhor Jesus Cristo.
Nunca Deixá-Lo

Adoro a letra de um hino que amamos:

“A alma que em Cristo confiante repousar,

A seus inimigos não há de se entregar.

Embora o inferno a queira destruir

Deus nunca, oh, nunca, Deus nunca, oh, nunca,

Deus nunca, oh, nunca, o há de permitir.”37

A perfeição não é alcançada nesta vida, mas exercemos fé no Senhor Jesus Cristo e guardamos nossos convênios. O Presidente Monson prometeu: “Seu testemunho, se for constantemente nutrido, vai mantê-[los] em segurança”.38Aprofundamos nossas raízes espirituais ao banquetear-nos diariamente nas palavras de Cristo que estão nas escrituras. Confiamos nas palavras dos profetas vivos, que foram colocados diante de nós para mostrar-nos o caminho. Oramos e oramos, e ouvimos a serena voz do Espírito Santo que nos conduz e nos traz paz à alma. Sejam quais forem os desafios, nunca, oh, nunca O deixaremos.

O Salvador perguntou a Seus Apóstolos: “Quereis vós também retirar-vos?”39

Pedro respondeu:

“Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente”.40

Eu também tenho esse testemunho, do qual testifico em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas
1. Marcos 13:33.
2. Doutrina e Convênios 46:8.
3. Doutrina e Convênios 42:76.
4. II Pedro 3:17.
5. João 6:66.
6. João 6:67.
7. Mateus 26:22.
8. 3 Néfi 9:14.
9. Mateus 22:37.
10. Marcos 8:34.
11. Mateus 18:3; ver também Marcos 10:15; Lucas 18:17; 3 Néfi 9:22; 11:37–38.
12. Mosias 3:19.
13. Ver Alma 5:14.
14. João 6:61.
15. Mateus 13:21.
16. Ver David A. Bednar, “E para Eles Não Há Tropeço”, A Liahona, novembro de 2006, p. 89.
17. Joseph Smith, em Autobiography of Parley P. Pratt, ed. Parley P. Pratt Jr., 1938, p. 118.
18. History of the Church, vol. 3, p. 46, nota de rodapé.
19. Frederick G. Williams, “Frederick Granger Williams of the First Presidency of the Church”, BYU Studies, vol. 12, nº 3, 1972, p. 261.
20. 1 Néfi 8:24.
21. 1 Néfi 11:25.
22. 1 Néfi 8:12.
23. 1 Néfi 8:26–27; ver também v. 33.
24. Ver 1 Néfi 11:35–36; 12:18–19.
25. 1 Néfi 8:33.
26. 1 Néfi 8:28; grifo do autor.
27. O Presidente Boyd K. Packer disse: “Em boa parte por causa da televisão [e da Internet], em vez de estarmos olhando de fora para aquele edifício espaçoso, na verdade estamos morando dentro dele” (Boyd K. Packer, A Liahona, agosto de 2010, p. 27).
28. No mesmo discurso, o Presidente Thomas S. Monson disse: “O grande e espaçoso edifício da visão de Leí representa as pessoas do mundo que zombam da palavra de Deus e ridicularizam os que a aceitam, que amam o Salvador e cumprem os mandamentos” (Thomas S. Monson, “Tenham Coragem”, A Liahona, maio de 2009, p. 123).
29. 1 Néfi 8:33.
30. II Timóteo 1:7–8.
31. De uma conversa pessoal e de um trecho traduzido da história pessoal contada por Alexander Davydov, gravado em 16 de julho de 2010.
32. João 14:15.
33. Doutrina e Convênios 82:3.
34. Moisés 3:17.
35. Ver 1 Néfi 19:9.
36. Ver 2 Néfi 28:20.
37. “Que Firme Alicerce”, Hinos, nº 42
38. Thomas S. Monson, A Liahona, maio de 2009, p. 126.
39. João 6:67.
40. João 6:68–69.

Arbítrio: Essencial ao Plano de Vida

Robert D. Hales
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Sempre que escolhermos vir a Cristo, tomar seu nome sobre nós e seguir Seus servos, progredimos no caminho rumo à vida eterna.

Elder Robert D. Hales Recebi recentemente uma carta de um amigo de mais de 50 anos, que não é membro de nossa Igreja. Eu havia enviado a ele alguns artigos sobre o evangelho, sobre os quais ele comentou: “Inicialmente foi difícil para eu entender o significado do típico jargão mórmon, como o termo arbítrio. Provavelmente um pequeno glossário seria útil”.

Fiquei surpreso por ele não compreender o significado da palavra arbítrio. Consultei um dicionário on-line. Das dez definições e usos da palavra arbítrio, nenhuma delas expressava a ideia de fazer escolhas para agir. Ensinamos que arbítrio é a capacidade e o privilégio que Deus nos dá de escolher e agir por nós mesmos e não de recebermos a ação 1. Ter arbítrio é agir com comprometimento e ter responsabilidade por nossas ações. Nosso arbítrio é essencial ao plano de salvação. Com ele, somos “livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para [escolher] o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo”.2

As palavras de um hino conhecido ensinam claramente esse princípio:

A Alma é livre para agir

E seu destino decidir;

Suprema lei deixou-nos Deus

Não forçará os fihos seus.3

Respondendo à pergunta de meu amigo, e às perguntas dos bons homens e mulheres do mundo inteiro, gostaria de compartilhar com vocês um pouco mais do que sabemos sobre o arbítrio.

Antes de virmos a esta Terra, o Pai Celestial apresentou um plano de salvação: o plano de virmos à Terra e recebermos um corpo, escolhermos o bem ou o mal, e progredirmos para tornar-nos semelhantes a Ele e viver com Ele para sempre.

Nosso arbítrio — nossa capacidade de decidir por nós mesmos — era um elemento essencial desse plano. Sem o arbítrio, não poderíamos fazer escolhas corretas e progredir. No entanto, com o arbítrio poderíamos fazer escolhas erradas, cometer pecados e perder a oportunidade de voltar a estar com o Pai Celestial. Por esse motivo, foi-nos dado um Salvador para sofrer por nossos pecados e redimir-nos, desde que nos arrependêssemos. Por Sua infinita Expiação, Ele efetua “o plano de misericórdia, para satisfazer os requisitos da justiça”.4

Depois que o Pai Celestial apresentou Seu plano, Lúcifer se adiantou, dizendo: “Envia-me (…) e redimirei a humanidade toda, de modo que nenhuma alma [sequer] se perca (…) ; portanto dá-me a tua honra”. 5 Este plano foi rejeitado por nosso Pai, pois negava-nos o arbítrio. Na verdade, era um plano de rebelião.

Então Jesus Cristo, o Filho Amado e Escolhido do Pai desde o princípio, exerceu Seu arbítrio, dizendo: “Pai, faça-se a tua vontade e seja tua a glória para sempre”. 6 Ele seria nosso Salvador — o Salvador do mundo.

Por causa da rebelião de Lúcifer, houve uma grande batalha espiritual. Cada um dos filhos do Pai Celestial teve a oportunidade de exercer o arbítrio que Ele lhes dera. Decidimos ter fé no Salvador Jesus Cristo — achegar-nos a Ele, segui-Lo e aceitar o plano que o Pai Celestial apresentou para nosso bem. Mas um terço dos filhos do Pai Celestial não teve fé para seguir o Salvador e decidiu, em vez disso, seguir Lúcifer, ou Satanás.7

E Deus disse: “Portanto, por ter Satanás se rebelado contra mim e procurado destruir o arbítrio do homem, o qual eu, o Senhor Deus, lhe dera (…), fiz com que ele fosse expulso”.8 Aqueles que seguiram Satanás perderam a oportunidade de receber um corpo mortal, de viver na Terra e de progredir. Pelo modo como usaram seu arbítrio, perderam esse mesmo arbítrio.

Hoje, o que Satanás e seus seguidores podem fazer é tentar-nos e provar-nos. Sua única alegria é a de tornar-nos “tão miseráveis como [eles próprios]”.9 Sua única felicidade acontece quando somos desobedientes aos mandamentos.

Mas pensem nisto: em nosso estado pré-mortal decidimos seguir o Salvador Jesus Cristo! E por termos feito isso, foi-nos permitido vir à Terra. Testifico que se tomarmos essa mesma decisão de seguir o Salvador agora, enquanto estivermos aqui na Terra, obteremos uma bênção ainda maior na eternidade. Mas, para que todos saibam: precisamos continuar a escolher seguir o Salvador. A eternidade está em jogo, e nosso sábio uso do arbítrio e nossas ações são essenciais para que tenhamos vida eterna.

Durante toda a Sua vida, nosso Salvador mostrou-nos como usar o arbítrio. Quando menino, em Jerusalém, Ele deliberadamente decidiu “tratar dos negócios de [Seu] Pai”. 10 Em Seu ministério, decidiu obedientemente “fazer a vontade de [Seu] Pai”. 11 No Getsêmani, decidiu sofrer todas as coisas, dizendo: “Não se faça a minha vontade, mas a tua. E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia”. 12 Na cruz, Ele decidiu amar Seus inimigos, orando: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. 13 E então, para que pudesse realmente escolher por Si mesmo, foi deixado sozinho. “Deus meu, por que me desamparaste?” Perguntou Ele.14 Finalmente, exerceu Seu arbítrio de perseverar, até poder dizer: “Está consumado”. 15

Embora “como nós, em tudo foi tentado”, 16 com suas escolhas Ele assegurou o arbítrio de ser nosso Salvador para quebrar as correntes do pecado e da morte para nós. Com Sua vida perfeita, Ele nos ensinou que, quando decidimos fazer a vontade de nosso Pai Celestial, nosso arbítrio é preservado, nossas oportunidades aumentam e progredimos.

Evidências dessa verdade são encontradas nas escrituras. Jó perdeu tudo o que possuía, mas permaneceu fiel e obteve as bênçãos eternas de Deus. Maria e José decidiram ouvir o conselho do anjo e fugiram para o Egito e a vida do Salvador foi preservada. Joseph Smith escolheu seguir as instruções de Morôni, e a Restauração aconteceu conforme as profecias. Sempre que escolhermos vir a Cristo, tomar seu nome sobre nós e seguir Seus servos, progrediremos no caminho rumo à vida eterna.

Em nossa jornada mortal, é útil saber que o oposto também é verdadeiro: quando não guardamos os mandamentos nem seguimos os sussurros do Espírito Santo, nossas oportunidades se reduzem; nossa capacidade de agir e de progredir diminuem. Quando Caim, por amar a Satanás mais do que a Deus, tirou a vida de seu irmão, seu progresso espiritual foi interrompido.

Em minha juventude, aprendi uma importante lição sobre como nossas ações podem limitar nossa liberdade. Certo dia, meu pai me encarregou de envernizar um piso de madeira. Tomei a decisão de começar junto à porta e trabalhar em direção ao interior do quarto. Quando estava quase terminando, dei-me conta de que eu não deixara um meio de sair do quarto. Não havia janelas nem portas do outro lado. Havia eliminado minhas vias de acesso e não tinha como sair. Eu estava preso.

Sempre que desobedecemos, ficamos encurralados e nos tornamos reféns de nossas escolhas. Embora nos encontremos acuados espiritualmente, sempre há um caminho de volta. Tal como o arrependimento, voltar a pisar no chão que acabou de ser envernizado significa que teremos de lixá-lo e envernizá-lo de novo! Não é fácil voltar para o Senhor, mas vale a pena.

Quando compreendemos o desafio que é o arrependimento, damos valor às bênçãos do Espírito Santo para guiar nossas escolhas e também ao Pai Celestial, que nos fortalece e sustém para que escolhamos o certo. Também compreendemos como a obediência aos mandamentos, no final, protege nosso arbítrio.

Quando cumprimos a Palavra de Sabedoria, por exemplo, escapamos do cativeiro da saúde debilitada e da dependência de substâncias que literalmente nos roubam a capacidade de escolher por nós mesmos.

Quando obedecemos ao conselho de abster-nos e livrar-nos de dívidas, obtemos a liberdade de usar nossa renda disponível para ajudar e abençoar as pessoas.

Quando seguimos o conselho do profeta para realizar a noite familiar, a oração familiar e o estudo das escrituras em família, nosso lar se torna uma incubadora para o crescimento espiritual de nossos filhos. Nele lhes ensinamos o evangelho, prestamos nosso testemunho, expressamos nosso amor e os ouvimos quando eles compartilham seus sentimentos e experiências pessoais. Por meio de nossas escolhas justas, nós os libertamos da escuridão, aumentando seu arbítrio para andar na luz.

O mundo ensina muitas coisas falsas a respeito do arbítrio. Muitos acham que devemos comer, beber e divertir-nos “e se acontecer de sermos culpados, Deus nos castigará com uns poucos açoites e, ao fim, seremos salvos”. 17 Outros adotam o materialismo e negam a existência de Deus. Convencem-se de que não há “uma oposição em todas as coisas” 18 e, portanto, “nada que o homem [faça é] crime”.19 Isso “[destrói] a sabedoria de Deus e seus eternos propósitos”. 20

Contrariamente aos ensinamentos seculares, as escrituras nos ensinam que temos liberdade de escolha e que as escolhas certas sempre têm repercussões nas oportunidades que temos e na nossa capacidade de agir e de progredir eternamente.

Por exemplo: por meio do profeta Samuel o Senhor deu um mandamento bem claro ao rei Saul:

“Enviou-me o Senhor a ungir-te rei (…) ; ouve, pois, agora a voz (…)

(…) do Senhor.Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver”.21

Mas Saul não seguiu o mandamento do Senhor. Fez o que chamo de “obediência seletiva”. Confiando em sua própria sabedoria, ele poupou a vida do rei Agague e trouxe de volta o melhor das ovelhas, das vacas e de outros animais.

O Senhor revelou isso ao profeta Samuel e o enviou para depor Saul do trono real. Quando o profeta chegou, Saul disse: “Cumpri a palavra do Senhor”. 22 Mas o profeta sabia que aquilo não era verdade, e disse: “Que balido, pois, de ovelhas é este aos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço?” 23

Saul se desculpou pondo a culpa em outros, dizendo que o povo tinha ficado com os animais para fazer sacrifícios ao Senhor. A resposta do profeta foi clara: “Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros”.24

Por fim, Saul confessou, dizendo: “Pequei, porquanto tenho transgredido a ordem do Senhor e as tuas palavras; porque temi ao povo, e dei ouvidos à sua voz”.25 Como Saul não obedeceu com exatidão — como decidiu “obedecer seletivamente” — ele perdeu a oportunidade e o arbítrio de ser rei.

Meus irmãos e irmãs, será que obedecemos com exatidão à voz do Senhor e de Seus profetas? Ou, tal como Saul, praticamos a “obediência seletiva” e tememos o juízo dos homens?

Reconheço que todos cometemos erros. As escrituras ensinam: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. 26 Para os que se encontram presos a escolhas erradas do passado, que estão sem saída, sem as bênçãos do arbítrio, queremos dizer que os amamos. Voltem! Saiam do canto escuro em que estão presos. Mesmo que tenham de pisar num chão molhado e pegajoso, vale a pena. Confiem em que “por meio da Expiação de Cristo, toda a humanidade [inclusive você] pode ser salva por obediência às leis e ordenanças do Evangelho”. 27

Quando se aproximava a hora da Expiação, o Salvador proferiu Sua grande Oração Intercessória e falou de cada um de nós, dizendo: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste”. 28 “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. 29

Presto meu testemunho especial de que Eles vivem. Quando exercemos nosso arbítrio em retidão, nós Os conhecemos, tornamo-nos mais semelhantes a Eles e preparamo-nos para o dia em que “todo joelho se dobrará e toda língua confessará” que Jesus é nosso Salvador.30 Que continuemos a seguir Jesus Cristo e nosso Pai Eterno, como fizemos no princípio, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas
1. Ver 2 Néfi 2:26.
2. 2 Néfi 2:27 .
3. “A Alma é Livre para Agir”, Hinos, nº 149.
4. Alma 42:15.
5. Moisés 4:1.
6. Moisés 4:2.
7. Ver Doutrina e Convênios 29:36.
8. Moisés 4:3.
9. 2 Néfi 2:27; ver também 2 Néfi 9:9.
10. Lucas 2:49.
11. 3 Néfi 27:13.
12. Lucas 22:42–43.
13. Lucas 23:34.
14. Mateus 27:46; Marcos 15:34.
15. João 19:30.
16. Hebreus 4:15.
17. 2 Néfi 28:8.
18. 2 Néfi 2:11.
19. Alma 30:17.
20. 2 Néfi 2:12.
21. I Samuel 15:1, 3.
22. I Samuel 15:13.
23. I Samuel 15:14.
24. I Samuel 15:22.
25. I Samuel 15:24.
26. Romanos 3:23.
27. Regras de Fé 1:3.
28. João 17:24.
29. João 17:3.
30. Mosias 27:31.

sábado, 11 de dezembro de 2010

O Amanhã Que Nunca Chega

Élder Carlos A. Godoy - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Dezembro/2010)

Tenho um amigo que costumava dizer que um de seus pontos fracos era a procrastinação. Ele dizia: "Reconheço que costumo deixar as coisas para depois, mas vou melhorar. Vou deixar de procrastinar; e vou começar isso. a partir de amanhã!" O que ele dizia, brincando, acaba sendo uma verdade para alguns de nós. A declaração do Imposto de Renda está aí para confirmar essa tendência. Se as consequências da procrastinação fossem somente financeiras, o problema não seria tão grave. O grande risco é quando ela acaba afetando nossa vida pessoal, familiar ou espiritual.

O Senhor, já prevendo que alguns de Seus filhos poderiam cair nessa armadilha, nos alertou por meio de Seus profetas: "Pois eis que esta vida é o tempo para os homens prepararem-se para encontrar Deus; sim, eis que o dia desta vida é o dia para os homens executarem os seus labores (.); porque depois deste dia de vida que nos é dado a fim de nos prepararmos para a eternidade, eis que, se não fizermos melhor uso de nosso tempo nesta vida, virá a noite tenebrosa, durante a qual nenhum labor poderá ser executado" (Alma 34:33-34).

Comodidade, insegurança, falta de recursos, falta de apoio, falta de fé, falta de vontade. São várias as razões que nos levam a adiar nossas realizações e alguns de nossos sonhos. A cada final de ano, como estamos chegando agora, ou em alguma outra data específica, nos comprometemos com nossas metas e pensamos: "Neste próximo ano vai dar!" Chegamos a colocar os planos no papel, talvez mais para aliviar a nossa consciência do que para assumir um compromisso real. Ao final do período, reconhecemos que "infelizmente não foi possível". Nossas metas e correções acabam se tornando apenas um registro das coisas que, mais uma vez, deixamos. para amanhã.

No âmbito familiar, o risco desse "amanhã que nunca chega" tem suas consequências. Lembro-me de uma vez, em que estava com um dos meus filhos no carro e, quando passamos em frente a sua escola, ele comentou: "Puxa pai, eu nem acredito que já estou no primeiro ano!" Pensei comigo mesmo: "Ele já está no primeiro ano do ensino médio!? Eu não lembro de conversarmos sobre a oitava série! Onde eu estava quando ele cursava a sétima série? Quando foi a última vez que fiz lição de casa com ele? Quando foi a última vez que estudamos juntos para uma prova?" É incrível como os nossos filhos crescem rapidamente e, se não cuidarmos, nem percebemos o que está acontecendo em sua vida. Quando foi a última vez que saímos para conversar com um deles? Quando foi a última vez que expressamos o nosso amor por eles? A intenção de fazê-lo está sempre lá; "eles sabem disso", pensamos, mas acabamos deixando. para amanhã. Neste caso, o amanhã pode ser tarde demais. Os anos vão passar e, talvez, quando quisermos compensar o tempo perdido, será a vez de eles dizerem: "Hoje não, pai (ou mãe), vamos deixar. para amanhã".

Em nosso progresso espiritual, esse risco também existe. Sabemos que precisamos melhorar nesse ou naquele ponto, mas vamos deixando para depois. Quando lemos algum artigo a respeito de nosso ponto fraco, ou quando um orador toca nesse assunto em uma reunião, sentimos a consciência nos dizendo que a mensagem é para nós. O Espírito nos alerta de que precisamos corrigir aquela fraqueza. Mas, acabamos racionalizando e pensamos: "Mais tarde vou corrigir isso". Ou ainda: "É só eu parar de pensar no assunto que o desconforto passa" e, assim, vamos adiando. para um amanhã que pode nunca chegar. "Mais eis que vossos dias de provação se passaram; procrastinastes o dia de vossa salvação até que se tornou, para sempre, demasiado tarde" (Helamã 13:38).

Aquele livro, aquele curso, aquele abraço, aquele beijo, aquela viagem, aquela fraqueza, aquele negócio, aquele e aquela. são coisas que estão sempre em nossa lista, mas nem sempre em nossas realizações. No próximo feriado, nas próximas férias, quando eu for chamado ou quando eu for desobrigado, no próximo ano e no próximo e no próximo. E assim, vamos deixando para depois essas metas e realizações em nossa vida.

Que bom que existe o arrependimento. Que bom que podemos corrigir nossas falhas. Que bom que podemos contar com o Salvador em qualquer de nossas metas e nossos desafios. Podemos contar com Ele em todos aspectos de nossa vida. "Aconselha-te com o Senhor em tudo que fizeres e ele dirigir-te-á para o bem" (Alma 37:37).

Não tenho dúvidas de que o Senhor está do nosso lado e está sempre disposto a nos ajudar. Ele nos ama e deu Sua vida para que ganhássemos a nossa. Oro para que, neste final e começo de ano não esqueçamos de incluir o Salvador como parte ativa de nossos planos e de nossas metas.

Testifico-lhes que, se colocarmos o Senhor em primeiro lugar e deixarmos que Ele participe de nosso dia a dia, todas as outras coisas estarão em seu devido lugar, e nosso amanhã será promissor e eterno.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Haverá um Juízo Final

Élder Stanley G. Ellis - Primeiro Conselheiro na Presidência da Área Brasil (Abril/2010)

Uma parte importante do plano de felicidade de nosso Pai Celeste é o juízo final. Não falamos muito a respeito do dia do julgamento, mas ele ocorrerá. Haverá um julgamento final!


O que sabemos sobre o dia do julgamento? Ele ocorrerá depois da Ressurreição. Deus, por meio de Jesus Cristo, julgará cada um de nós, a fim de determinar que glória eterna receberemos. Esse julgamento final será conforme nossa obediência pessoal aos mandamentos de Deus, incluindo nossa aceitação do sacrifício expiatório de Jesus Cristo (Guia para Estudo das Escrituras, p. 122).

As escrituras esclarecem muitas coisas: "todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo" (Romanos 14:10). "Ninguém há de escapar" (D&C 1:2). Por todas as nossas obras seremos levados a julgamento (ver 1 Néfi 10:20). Especificamente, isso inclui nossas obras (ver Mosias 3:24), nossas palavras (ver Mateus 12:36:37), nossos pecados (ver D&C 101:78) e até o intento e os desejos de nosso coração (ver Morôni 7:9; ver também D&C 137:9). É importante lembrar que somente Ele "[conhece] teus pensamentos e os intentos de teu coração" (D&C 6:16). Além disso, de cada um de nós será exigido um relatório de nossa mordomia (ver D&C 70:4). Será um julgamento justo (ver Mosias 3:10), a ponto de que todos concordem que seu julgamento seja justo (ver Mosias 27:31).

Para os dignos e retos será um glorioso dia (ver 2 Néfi 9:46). Naquele dia eles poderão ter confiança (ver I João 4:17), porque os inocentes têm a promessa de habitar na presença de Deus num estado de felicidade que não tem fim (ver Mórmon 7:7).

Os iníquos o acharão um dia grande e terrível (ver 2 Néfi 26:3). Seus planos e desígnios maldosos tornar-se-ão vergonha e condenação para eles no dia do juízo (ver D&C 10:25). Como um exemplo, quando Alma, o filho, reconheceu seu estado indigno, sofreu as penas do inferno e teria preferido a aniquilação para não ser levado à presença de Deus, a fim de ser julgado (ver Alma 36:11:16).

Nós Julgamos a Nós Mesmos
Além disso, aprendemos com as escrituras que, em muitos aspectos, nós julgamos a nós mesmos. Em primeiro lugar, pelas escolhas que fazemos. Alma explicou que "todo homem recebe recompensas daquele a quem decide obedecer (...) boas ou más, para colheres felicidade eterna ou miséria eterna" (Alma 3:26-27). Néfi esclareceu que os que procuraram fazer o mal serão declarados impuros, e como "nada que é impuro pode habitar com Deus", serão afastados para sempre (1 Néfi 10:21).

Em segundo lugar, nós julgamos a nós mesmos pelo padrão que usamos em nossas relações com os outros. O Salvador ensinou que "com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós" (Mateus 7:2; 3 Néfi 14:2).

Uma forma de aumentar nossa tristeza é não magnificarmos nossos chamados. O Presidente Monson citou o Presidente John Taylor, quando disse: "Caso não cumpram os seus chamados honrosamente, Deus os considerará responsáveis pelas pessoas a quem poderiam ter salvado se houvessem feito a sua obrigação" (Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 21 de junho de 2003, p. 20). O Presidente Eyring advertiu que "se deixarmos de fazer tudo o que pudermos para que [as pessoas] se elevem até os padrões do Senhor, os sofrimentos delas recairão sobre nós" (Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 11 de janeiro de 2003, p. 13).

Toda a Verdade Revelada
Um dos grupos mais tristes será o daqueles que acreditaram na mentira de Satanás de que "ninguém nunca vai saber". A verdade é que não há nada secreto que não seja revelado; nenhuma obra das trevas, que não seja manifestada na luz (ver 2 Néfi 30:17). "Nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se" (Mateus 10:26). Tudo que for dito em trevas, à luz será ouvido; e o que for falado ao ouvido no gabinete, sobre os telhados será apregoado (ver Lucas 12:2-3). "Os rebeldes serão afligidos com muita tristeza, porque suas iniquidades serão proclamadas em cima dos telhados, e seus feitos secretos serão revelados" (D&C 1:3).

Como são tolos os que pensam estar seguros, porque mentiram ao bispo ou enganaram o presidente da estaca, ou iludiram o presidente da missão. Será desastroso aos que elaboraram um plano para evitar uma auditoria, ou que comemoram sua astúcia por não terem sido apanhados pelos auditores. Será muito melhor àqueles que se arrependem plenamente agora com um bondoso líder do sacerdócio, do que àqueles que sofrerão a humilhação pública de a verdade ser apregoada no dia do julgamento, acompanhada da ira de um Deus justo.

Alma faz-nos a todos uma pergunta muito importante: "Podeis imaginar-vos ante o tribunal de Deus?" (Alma 5:17-25) Jacó lembra-nos de que "teremos, portanto, um conhecimento perfeito de todas as nossas culpas ou um conhecimento perfeito de nossa retidão" (2 Néfi 9:14).

Boas Novas
As boas novas são que o dia do julgamento ainda não chegou. Ainda há tempo de prepararnos para o encontro com Deus.

Jacó aconselha-nos sabiamente a "preparar [nossa] alma para aquele glorioso dia, quando a justiça será administrada aos justos" (2 Néfi 9:46).

Arrepender-se - o primeiro passo da preparação é o arrependimento completo - agora. O mandamento do Salvador é "arrependeivos (...) e vinde a mim (...) para comparecerdes sem mancha perante mim no último dia" (3 Néfi 27:20). Ele aconselha: é muito melhor arrepender-se e preparar-se agora para o grande dia do Senhor do que será quando esse dia tiver chegado (ver D&C 43:20-22). Por meio de Jacó, a promessa é de que, se nos arrependermos, entrarmos pela porta estreita e continuarmos no caminho apertado, obteremos a vida eterna (ver Jacó 6:11).

Como ensinou o rei Benjamim, vamos despojar-nos do homem natural e tornar-nos santos pela Expiação de Cristo (Mosias 3:19). Iniquidade nunca foi nem jamais será felicidade (ver Alma 41:10). "Há um caminho melhor do que o caminho que o mundo segue" (Presidente Gordon B. Hinckley, Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, 10 de janeiro de 2004, p. 20).

Escolher ser bom e fazer o bem (ver D&C 6:13). Cessar de tentar encobrir nossos pecados (ver D&C 121:37). Escolher controlar nossos sentimentos (ver Alma 39:9). Escolher a vida e não a morte, o bem e não o mal (ver Helamã 14:31; ver também Morôni 7:12-16).

Sois Livres
Samuel, o lamanita, resume bem a questão: "E isso a fim de que todos os que crerem sejam salvos e para que, sobre os que não crerem, recaia um julgamento justo; e também, se forem condenados, terão atraído sobre si a sua própria condenação.

E agora, meus irmãos, lembrai-vos, lembraivos de que os que perecem, perecem por culpa própria; e todos os que praticam iniquidade o fazem contra si mesmos; pois eis que sois livres; tendes permissão para agir por vós mesmos; porque eis que Deus vos deu o conhecimento e vos fez livres.

Ele permitiu-vos discernir o bem do mal e permitiu-vos escolher a vida ou a morte; e podeis fazer o bem e serdes restituídos ao que é bom, ou seja, ter o que é bom restituído a vós; ou podeis praticar o mal e fazerdes com que o mal vos seja restituído" (Helamã 14:29-31).

Aquele mesmo Alma, que sofreu as dores do inferno por sua culpa, disse: "Nada pode haver tão intenso e cruciante como o foram minhas dores. (...) Por outro lado [depois do arrependimento], nada pode haver tão belo e doce como o foi minha alegria" (Alma 36:21).

Testifico que essas coisas são verdadeiras e oro para que possamos escolher agora, prepararmo-nos para receber essa alegria pelo arrependimento e viver o plano de felicidade do Senhor.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Para os Rapazes e para os Homens

Presidente Gordon B. Hinckley

Meus irmãos, é uma imensa oportunidade e uma assombrosa responsabilidade falar a vocês.

Quero dirigir-me primeiramente aos rapazes que estão hoje aqui. Obrigado por sua presença, onde quer que estejam reunidos. Obrigado por freqüentarem o seminário, bem como as reuniões dominicais. Louvo-os por seu desejo de aprenderem o evangelho, de aprofundarem seu conhecimento estudando a palavra do Senhor. Obrigado pelo desejo que têm em seu coração de servirem como missionários. Obrigado por seus sonhos de casarem-se no templo e de criarem sua própria família de modo honrado.

Vocês não são "garotos perdidos". Não estão desperdiçando a vida vagando sem rumo. Vocês têm um propósito. Têm objetivos. Têm planos que só podem conduzi-los ao crescimento e fortalecimento.

Se utilizarem a energia que possuem e concentrarem seus sonhos em um objetivo, muitas coisas maravilhosas irão acontecer. Recebi recentemente a proclamação de um grupo de rapazes SUD da área norte da Califórnia. Eles pertencem a 19 estacas diferentes. Quando se reuniram nas montanhas, visitaram o local em que ocorreu uma tragédia na época dos pioneiros. Enquanto os rapazes meditavam sobre o que tinham visto e as recordações de seu legado, foram convidados a assinar a Proclamação do Acampamento Escoteiro da Trilha Mórmon. Gostaria de ler essa promessa para vocês.

"Declaramos a todos que somos escoteiros e portadores do Sacerdócio Aarônico de Deus. Juramos fidelidade aos valores e princípios que guiaram os soldados do Batalhão Mórmon e os homens e mulheres, Pioneiros Santos dos Últimos Dias, que ajudaram a estabelecer este estado da Califórnia. Como seus filhos agradecidos, regozijamo-nos em nosso legado de serviço ao próximo.

Neste dia, 18 de julho de 1998, assumimos o compromisso de converter-nos ao evangelho de Jesus Cristo. Estudaremos as escrituras. Oraremos pedindo forças para obedecer. Trabalharemos. Empenhar-nos-emos de todo o coração em seguir o exemplo de Jesus.

Magnificaremos o sacerdócio que nos foi concedido, servindo ao próximo. Manter-nos-emos dignos de abençoar o sacramento da Ceia do Senhor. Sempre que houver necessidade de ajuda, da mesma forma que nossos antepassados, seremos voluntários.

Provar-nos-emos dignos do Sacerdócio Maior, de Melquisedeque. Comprometemo-nos a integrar o exército do Senhor e seguir adiante como missionários de tempo integral para convidar todas as pessoas a achegarem-se a Cristo.

Somos os jovens do convênio. Preparar-nos-emos para receber o convênio do casamento eterno. Oramos para que tenhamos uma esposa e filhos dignos, a quem honraremos e protegeremos com nossa própria vida.

Declaramos que, sejam quais forem os riscos, tentações ou condições do mundo a nosso redor, tal como nossos antepassados foram fiéis, também o seremos. Tal como os que viveram antes de nós, não procuraremos nosso próprio engrandecimento e renunciaremos a vantagens pessoais para construir uma sociedade pacífica, governada por Deus.

Seremos fiéis a esse nosso juramento em todos os momentos e em todos os lugares."

Quero cumprimentar todos os rapazes que assinaram esse juramento. Oro para que nenhum deles deixe de cumprir a promessa que fez a si mesmo, à Igreja e ao Senhor.

Quão diferente seria este mundo se todo rapaz pudesse e quisesse assinar uma promessa como essa. Não haveria vidas devastadas pela droga. Não haveria gangues, com crianças matando outras e rapazes seguindo por um caminho que irá conduzi-los à prisão ou à morte. A educação seria um prêmio digno de ser conquistado. O serviço na Igreja seria uma oportunidade apreciada. Haveria mais paz e amor no lar. Não haveria pornografia nem livros imorais. Vocês honrariam e respeitariam as moças de seu convívio, e elas nunca teriam medo de estar em sua companhia em qualquer situação. Seria como se os valentes guerreiros de Helamã tivessem recrutado os jovens de todo o mundo para o seu estilo de vida.

É claro que a missão deve fazer parte de seus planos. Vocês devem servir com alegria em qualquer lugar a que sejam enviados para fazer o trabalho do Senhor, dedicando todo o seu tempo, atenção, força, energia e amor a esse serviço.

Gostaria de ler para vocês alguns trechos da carta de um rapaz que está servindo missão. Ela foi escrita para sua família, e espero não estar sendo indiscreto ao lê-la para esta grande congregação. Não mencionarei o nome do remetente nem a missão em que está.

Ele escreve: "O ano que passou foi extraordinário! Fui transferido do escritório da missão e designado para um pequeno ramo. Minha vida mudou drasticamente desde a última transferência. Nos últimos meses aprendi o que realmente importa na vida. Aprendi o que realmente tem valor. Aprendi a esquecer-me de mim mesmo. Aprendi a trabalhar de modo eficaz. Aprendi a amar as pessoas. Aprendi que Deus me ama e que eu O amo. Em resumo, aprendi a viver de acordo com minhas crenças. ( . . . )

Aprendi a respeito das pessoas e das coisas. Vi lágrimas de alegria no rosto daqueles que nunca tiveram o conhecimento de que eram filhos de Deus. Vi as orações dos arrependidos serem atendidas. Vi as pessoas absorverem o evangelho de Jesus Cristo e desejarem tornar-se uma nova pessoa, tudo isso por causa de algo que sentiram. ( . . . )

Sonho freqüentemente com o plano de salvação. Penso na obra maravilhosa e um assombro que foram realizados. Penso no poder e na força dos anjos que estão entre nós. Imagino quantos deles estão à minha volta ajudando-me a prestar testemunho em uma língua que nunca pensei que seria capaz de compreender plenamente.

Medito nas coisas pacíficas de glória imortal que Enoque viu em sua visão. ( . . . ) Sou grato a Deus por ser quem sou. Minha maior bênção na vida é estar vivo e a serviço de nosso Deus. Nisso encontro grande paz e alegria".

Meus queridos jovens amigos, espero que todos vocês estejam almejando o serviço missionário. Não posso prometer que será divertido. Não posso prometer facilidade e conforto. Não posso prometer que não terão de passar por momentos de desânimo, temor ou mesmo angústia. Mas posso prometer que crescerão como nunca o fizeram em um período de tempo equivalente em toda a sua vida. Prometo-lhes uma felicidade que será ímpar, maravilhosa e duradoura. Posso prometer que vocês reavaliarão sua vida, estabelecerão novas prioridades, viverão mais perto do Senhor, e que a oração se tornará uma experiência real e maravilhosa, que vocês andarão na fé proveniente das boas coisas que fizerem.

Deus os abençoe, rapazes e meninos desta Sua grande Igreja. Que cada um de vocês se decida com mais determinação a ser um santo dos últimos dias em todos os sentidos do termo. Que a realização, o sucesso e o serviço sejam sua recompensa na fascinante e maravilhosa vida que têm à sua frente.

Gostaria agora de dirigir-me aos homens mais velhos, esperando que parte da lição sirva para os jovens também.

Quero falar-lhes a respeito de assuntos materiais.

Para alicerçar o que vou dizer, gostaria de ler alguns versículos do capítulo 41 de Gênesis:

Faraó, o rei do Egito, teve sonhos que o deixaram muito perturbado. Os sábios de sua corte não foram capazes de interpretá-los. José foi, então, levado à sua presença: "Então disse Faraó a José: Eis que em meu sonho estava eu em pé na margem do rio,

E eis que subiam do rio sete vacas gordas de carne e formosas à vista, e pastavam no prado.

E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista e magras de carne. ( . . . )

E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas; ( . . . )

Depois vi em meu sonho ( . . . ) que de um mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas;

E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental, brotavam após elas.

E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. ( . . . )

Então disse José a Faraó: ( . . . ) O que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.

As sete vacas formosas são sete anos, as sete espigas formosas também são sete anos, o sonho é um só. ( . . . )

O que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.

E eis que vêm sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito.

E depois deles levantar-se-ão sete anos de fome, ( . . . ) e Deus se apressa em [fazê-lo]". (Ver Gênesis 41:17­32)

Irmãos, quero deixar bem claro que não estou profetizando. Não estou prevendo sete anos de fome no futuro. Mas estou sugerindo que chegou o momento de colocar nossa casa em ordem.

Existem muitos entre nós que estão vivendo no limite de suas rendas. De fato, alguns estão vivendo com dinheiro emprestado.

Testemunhamos, nas últimas semanas, algumas mudanças bruscas e atemorizadoras nas bolsas de valores de todo o mundo. A economia é algo muito frágil. Uma queda na economia de Jacarta ou de Moscou pode imediatamente afetar o mundo inteiro. Ela pode afetar cada um de nós como indivíduos. Existem indicações de que haverá tempos difíceis à frente, para os quais seria prudente que nos preparássemos.

Espero sinceramente que não voltemos a passar por uma crise mundial. Sou testemunha da Grande Depressão da década de trinta. Terminei a universidade em 1932, quando o índice de desemprego nesta região estava acima de 33 por cento.

Meu pai, naquela época, era o presidente da maior estaca da Igreja neste vale. Isso foi antes da criação de nosso atual sistema de bem-estar. Ele andava de um lado para o outro, preocupado com o povo de sua estaca. Juntamente com outras pessoas, montou um grande projeto de corte de lenha para alimentar o sistema de aquecimento das casas a fim de manter as pessoas aquecidas no inverno. Elas não tinham dinheiro para comprar carvão. Homens que tiveram posses estavam entre aqueles que cortavam lenha.

Gostaria de repetir que espero que nunca mais tenhamos de enfrentar outra crise assim. Mas fico preocupado com a imensa dívida que as pessoas deste país, inclusive muitos membros da Igreja, estão assumindo nos sistemas de crediário. Em março de 1997, essa dívida chegou a 1,2 trilhões de dólares, o que representa um aumento de 7 por cento em relação ao ano anterior.

Em dezembro de 1997, entre 55 e 60 milhões de famílias nos Estados Unidos tinham dívidas no cartão de crédito. A média das dívidas era de sete mil dólares e representava uma despesa de mil dólares por ano em juros e taxas. A dívida no cartão de crédito em relação à renda líquida subiu de 16,3 por cento, em 1993, para 19,3 por cento, em 1996.

Todos sabem que cada dólar emprestado carrega consigo o peso dos juros. Quando não se consegue pagar a dívida, vem a falência. Houve 1.350.118 falências nos Estados Unidos no ano passado. Isso representa um aumento de 50 por cento em relação a 1992. No segundo trimestre deste ano, quase 362.000 pessoas entraram com pedido de falência, um número recorde para um único trimestre.

Somos enganados por propagandas sedutoras. A televisão mostra ofertas tentadoras de empréstimos que chegam a 125 por cento do valor da casa da pessoa. Mas não se faz menção aos juros cobrados.

O Presidente Reuben Clark Jr., na reunião do sacerdócio da conferência de 1938, disse deste púlpito: "Ao assumir uma dívida, os juros tornam-se seu companheiro dia e noite; você não pode evitá-los ou escapar deles; não pode despedi-los; eles permanecem indiferentes a súplicas, solicitações ou ordens; e se você cruzar seu caminho ou deixar de atender suas solicitações, eles o esmagarão". (Conference Report, abril de 1938, p. 103.)

Reconheço que talvez haja necessidade de se fazer um empréstimo para a compra da casa própria. No entanto, compremos uma casa que possamos pagar, reduzindo dessa forma as parcelas que nos serão constantemente cobradas, sem misericórdia ou descanso, pelo período de até 30 anos.

Ninguém sabe quando haverá uma emergência. Fiquei sabendo de um homem que era extremamente bem-sucedido em sua profissão. Ele vivia muito bem. Construiu uma casa muito grande. Então, certo dia, sofreu um grave acidente. Instantaneamente, sem qualquer aviso, quase perdeu a vida. Ficou inválido. Toda a sua capacidade de trabalho ficou inutilizada. Ele precisou pagar uma fortuna em despesas médicas, além de outros pagamentos que tinha para fazer. Ficou à mercê de seus credores.

Desde o início da Igreja, o Senhor tem-Se manifestado a respeito das dívidas. Para Martin Harris, por revelação, Ele disse: "Paga a dívida contraída com o impressor. Livra-te da servidão". (D&C 19:35)

O Presidente Heber J. Grant utilizou este púlpito muitas vezes para falar a respeito desse assunto. Ele disse: "Se existe uma coisa que trará paz e alegria ao coração humano e à família é viver dentro dos recursos disponíveis. E se existe algo doloroso, desanimador e desencorajador são as dívidas e as obrigações que não podem ser pagas". (Heber J. Grant, Gospel Standards, 1941, G. Homer Durham (comp.), p. 111.)

Estamos proclamando a mensagem de auto-suficiência por toda a Igreja. A auto-suficiência não pode ser alcançada se grandes dívidas pesarem sobre a família. Nunca teremos independência nem liberdade se estivermos devendo alguma coisa a alguém.

Ao administrar os negócios da Igreja, tentamos ser um exemplo. Temos por norma, a qual seguimos estritamente, separar a cada ano uma porcentagem das rendas da Igreja de modo a estarmos preparados para uma possível necessidade futura.

Sou grato por poder dizer que a Igreja, em todos os seus negócios, empreendimentos e departamentos, é capaz de funcionar sem fazer empréstimos. Quando não temos condições de realizar alguma coisa, fazemos cortes em nossos programas. Reduzimos as despesas para que se mantenham dentro de nossas rendas. Nunca fazemos empréstimos.

Um dos dias mais felizes da vida do Presidente Joseph F. Smith foi aquele em que a Igreja pagou as dívidas antigas que tinha. Ela nunca mais teve dívidas desde aquela época.

Que sensação maravilhosa é estar livre de dívidas e ter um pouco de dinheiro guardado para alguma emergência e que poderá ser usado quando necessário.

O Presidente Faust provavelmente não lhes contaria o que vou relatar, pode ser que fique bravo comigo depois. Ele tinha uma dívida do financiamento de sua casa que lhe cobrava 4 por cento de juros. As pessoas diziam-lhe que seria tolo saldar a dívida, já que os juros eram tão baixos. Mas na primeira oportunidade que teve de conseguir algum dinheiro, ele e a esposa decidiram quitá-la. Desde aquela época, ficou livre de dívidas. É por isso que ele sempre tem um sorriso no rosto e assobia enquanto trabalha.

Rogo-lhes, irmãos, que analisem sua situação financeira. Rogo-lhes que sejam comedidos em suas despesas, controlem-se no que se refere a compras, que evitem ao máximo as dívidas, que as paguem assim que possível e se livrem da servidão.

Isso faz parte do evangelho secular em que acreditamos. Que o Senhor os abençoe, meus amados irmãos, para que coloquem sua casa em ordem. Se já pagaram suas dívidas, se têm uma reserva, mesmo que seja pequena, mesmo que chegue a tempestade, terão abrigo para sua esposa e filhos e paz no coração. Não tenho mais nada a dizer quanto a esse assunto, mas saliento ao máximo o que disse.

Deixo-lhes meu testemunho da divindade desta obra e meu amor a cada um de vocês, em nome do Redentor, o Senhor Jesus Cristo. Amém.