segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Hoje

Élder Henry B. Eyring
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Hoje,” Liahona, May 2007, 89

Todos nós necessitaremos da ajuda Dele para evitarmos a tragédia de adiar o que precisamos fazer aqui e agora para conquistar a vida eterna.

Há perigo na expressão “algum dia” quando pressupõe “hoje não”. “Um dia vou me arrepender.” “Um dia vou perdoá-lo.” “Um dia vou falar da Igreja para meu amigo.” “Um dia vou começar a pagar o dízimo.” “Um dia vou voltar ao templo.” “Um dia (…)”

As escrituras deixam bem claro o perigo da procrastinação, ou adiar: o de descobrirmos que nosso tempo se esgotou. Deus, que nos dá cada dia como um tesouro, pedirá que prestemos contas. Nós vamos chorar, e Ele vai chorar também, se tivermos planejado arrepender-nos e servi-Lo num futuro que nunca chegou, ou se tivermos ficado sonhando com um passado no qual a oportunidade de agir desvaneceu. Hoje é um dom precioso de Deus. O pensamento “Um dia vou (…)” pode ser o ladrão da oportunidade de aproveitar o tempo e receber as bênçãos da eternidade.

Há uma solene advertência e um conselho nas seguintes palavras do Livro de Mórmon:

“E agora, como vos disse antes, já que haveis tido tantos testemunhos, peço-vos, portanto, que não deixeis o dia do arrependimento para o fim; porque depois deste dia de vida que nos é dado a fim de nos prepararmos para a eternidade, eis que, se não fizermos melhor uso de nosso tempo nesta vida, virá a noite tenebrosa, durante a qual nenhum labor poderá ser executado.

Não podereis dizer, quando fordes levados a essa terrível crise: Arrepender-me-ei para retornar a meu Deus. Não, não podereis dizer isso; porque o mesmo espírito que possuir vosso corpo quando deixardes esta vida, esse mesmo espírito terá poder para possuir vosso corpo naquele mundo eterno.”1

Então, Amuleque adverte que procrastinar o arrependimento e o serviço pode fazer o Espírito do Senhor afastar-se de nós.

Mas além dessa advertência, ele nos dá a seguinte esperança: “E isto eu sei, porque o Senhor disse que não habita em templos impuros, mas no coração dos justos ele habita; sim, e disse também que os justos se sentarão em seu reino para não mais sair; suas vestimentas, porém, deverão ser alvejadas pelo sangue do Cordeiro.”2

As escrituras estão cheias de exemplos de sábios servos de Deus que valorizaram o dia em que viviam e optaram por fazer todo o possível para se purificarem. Josué foi um deles: “(…) escolhei hoje a quem sirvais”, disse ele, “porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.”3

O serviço ao Senhor convida o Espírito Santo a estar conosco. Por sua vez, o Espírito Santo nos purifica dos pecados.

Mesmo o Salvador, que não tinha pecados, deu o exemplo da necessidade de não procrastinar. Ele disse:

“Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.4

Como Salvador ressuscitado, Ele é hoje e sempre a Luz do Mundo. É Ele que nos convida a achegar-nos a Ele e a servi-Lo, sem demora. O incentivo Dele para mim e para vocês é este: “Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão.”5

Isso é verdade tanto para cada dia, quanto para toda a vida. A oração matinal e o estudo das escrituras logo cedo, para sabermos como servir ao Senhor, podem traçar o curso do dia. Podemos saber quais atividades, entre todas a serem escolhidas, são mais importantes para Deus e, portanto, para nós. Aprendi que tais orações são sempre respondidas, caso peçamos e ponderemos com a submissão de uma criança, e caso estejamos dispostos a agir sem tardar na realização mesmo do serviço mais humilde.

Haverá muitos dias em que não será fácil decidir sobre o que é mais importante, e nem estava previsto que fosse. O propósito de Deus na criação foi pôr-nos à prova. O plano foi-nos explicado no mundo espiritual, antes de nascermos. Ali, fomos valentes o bastante para termos a oportunidade de resistir à tentação aqui na Terra, a fim de nos prepararmos para a vida eterna, que é o maior de todos os dons de Deus. Rejubilamo-nos ao saber que a prova seria de obediência e fidelidade, mesmo que não fosse fácil: “E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhe ordenar.”6

Mesmo sabendo o quanto a prova seria difícil, sentimos alegria porque estávamos confiantes de que teríamos sucesso. Nossa confiança advinha de sabermos que Jesus Cristo viria ao mundo como nosso Salvador. Ele venceria a morte. Permitiria que fôssemos purificados de nossos pecados, se nos qualificássemos para que os efeitos de Sua Expiação agissem em nós.

Também conhecíamos alguns detalhes tranqüilizadores sobre o que teríamos de fazer para receber a purificação necessária. Para a purificação dos pecados, tudo o que precisaríamos fazer era ser batizados pela devida autoridade, receber o Espírito Santo pelas mãos de portadores do sacerdócio autorizados, recordar do Senhor e assim ter Seu Espírito conosco e, por fim, guardar Seus mandamentos. Tudo seria possível até para o mais humilde de nós. Não seria preciso uma inteligência excepcional nem riquezas ou vida longa. E sabíamos que o Salvador nos atrairia a Ele e teria o poder de nos ajudar, quando a prova fosse difícil demais e a tentação de procrastinar, forte demais. O grande profeta Alma descreveu como Cristo adquiriu essa capacidade:

“E ele seguirá, sofrendo dores e aflições e tentações de toda espécie; e isto para que se cumpra a palavra que diz que ele tomará sobre si as dores e as enfermidades de seu povo.

E tomará sobre si a morte, para soltar as ligaduras da morte que prendem o seu povo; e tomará sobre si as suas enfermidades, para que se lhe encham de misericórdia as entranhas, segundo a carne, para que saiba, segundo a carne, como socorrer seu povo, de acordo com suas enfermidades.”7

Todos nós necessitaremos da ajuda Dele para evitarmos a tragédia de adiar o que precisamos fazer aqui e agora para conquistar a vida eterna. Para a maioria de nós, a tentação de procrastinar virá de um ou dois sentimentos, diametralmente opostos: um é o sentimento de satisfação com o que já fizemos; o outro é o de desânimo diante do muito que ainda precisamos fazer.

A complacência é um perigo para todos nós. Pode atingir jovens ingênuos, que acham que terão muito tempo pela frente para voltar-se às coisas espirituais. Talvez suponham já ter feito muito, levando em conta o pouco tempo que viveram. Sei por experiência própria como o Senhor pode ajudar os jovens nessa situação a verem que já estão imersos em coisas espirituais, hoje. Ele pode ajudar vocês a ver que os colegas da escola os estão observando. Pode ajudá-los a ver que o futuro eterno desses colegas será afetado pelo que virem vocês fazendo ou deixando de fazer. Um simples “obrigado” pela influência positiva deles sobre vocês poderá inspirá-los mais do que vocês imaginam. Se pedirem a Deus, Ele pode e vai revelar-lhes oportunidades de ajudar as pessoas que Ele pôs a sua volta desde a infância a virem a Ele.

A complacência pode afetar até adultos experientes. Quanto melhor e mais tempo vocês servirem, mais fácil será para o tentador colocar na sua mente a seguinte mentira: “Agora você merece descansar”. Talvez você já tenha sido a presidente da Primária do seu ramo duas vezes. Ou talvez tenha trabalhado com afinco na missão e feito muitos sacrifícios para servir. Ou talvez tenha sido o pioneiro da Igreja na sua região. Pode ser que surja o pensamento: “Por que não deixar a obra para os mais novos? Já fiz minha parte”. A tentação será acreditar que vocês voltarão a servir, um dia.

O Senhor pode ajudá-los a enxergar o perigo de descansar por acharem que já fizeram o bastante. Ele me ajudou ao dar-me a oportunidade de conversar com um de Seus servos idosos. Ele estava fraco, com o corpo debilitado por décadas de trabalho fiel e enfermidades e tinha ordens médicas para não sair mais de casa. A seu pedido, relatei uma viagem que fizera a serviço do Senhor por vários países, com dezenas de reuniões e muitas entrevistas pessoais, nas quais ajudei pessoas e famílias. Falei-lhe da gratidão que as pessoas me tinham externado por ele e seus muitos anos de serviço. Ele perguntou se eu teria outra designação em breve. Mencionei outra longa viagem dentro em pouco. Ele me surpreendeu e me deu uma vacina contra a complacência — que espero que dure para sempre — quando me segurou pelo braço e pediu: “Ah, por favor, leve-me junto”.

é difícil saber quando já fizemos o bastante para que a Expiação transforme nossa natureza e, assim, nos torne merecedores da vida eterna. Não sabemos quantos dias teremos para prestar o serviço necessário para que essa mudança ocorra. Mas sabemos que teremos dias suficientes, basta que não os desperdicemos. Eis as boas novas:

“E os dias dos filhos dos homens foram prolongados de acordo com a vontade de Deus, para que se arrependessem enquanto estivessem na carne; portanto o seu estado se tornou um estado de provação e o seu tempo foi prolongado, de acordo com os mandamentos dados pelo Senhor Deus aos filhos dos homens.”8

Essa garantia do Mestre pode ajudar aqueles de nós que sentem desânimo devido a circunstâncias difíceis. Nas provas mais difíceis, contanto que tenhamos forças para orar, poderemos pedir a um Deus amoroso: “Por favor, deixa-me servir hoje. Pouco importa se sou capaz de fazer poucas coisas. Apenas mostre o que posso fazer. Obedecerei hoje. Sei que conseguirei, com o Teu auxílio”.

O Senhor pode inspirá-los serenamente a fazer algo simples como perdoar alguém que os ofendeu. Isso pode ser feito até numa cama de hospital. Pode orientá-los a ajudar alguém que esteja com fome. Talvez vocês já se sintam sobrecarregados pela sua própria falta de recursos ou pelos afazeres do dia, mas se decidirem não esperar até ter mais forças e mais dinheiro, e se orarem para terem o Espírito no cotidiano, saberão o que fazer e como ajudar alguém ainda mais necessitado que vocês. Assim, acabarão por descobrir que essas pessoas estavam orando e esperando a vinda de alguém como vocês em nome do Senhor.

Para aqueles que estiverem desanimados por suas circunstâncias e, por isso, tentados a achar que não podem servir ao Senhor hoje, faço duas promessas: por mais difíceis que as coisas pareçam hoje, elas irão melhorar amanhã, se vocês optarem hoje por servir ao Senhor de todo o coração. Talvez sua situação não melhore conforme seu desejo, mas receberão novo alento para levar seus fardos e uma confiança fortalecida de que, quando sua carga estiver pesada demais, o Senhor, a quem servem, suportará o peso que não suportarem. Ele sabe como fazê-lo; está preparado há muito tempo. Ele sofreu suas enfermidades e dores quando ainda na carne, a fim de saber como os socorrer.

A outra promessa que lhes faço é que, ao decidirem servi-Lo hoje, vocês sentirão o Seu amor e passarão a amá-Lo ainda mais. Talvez se lembrem da seguinte escritura:

“Digo-vos: quisera que vos lembrásseis de conservar sempre o nome escrito em vosso coração (…) para que ouçais e conheçais a voz pela qual sereis chamados e também o nome pelo qual ele vos chamará.

Pois como conhece um homem o mestre a quem não serviu e que lhe é estranho e que está longe dos pensamentos e desígnios de seu coração?”9

Ao servirem a Ele hoje, vocês O conhecerão melhor. Sentirão o amor e a gratidão que advêm Dele. Não creio que desejem adiar essa bênção e, sentir esse amor os levará de volta a servi-Lo, eliminando tanto a complacência quanto o desânimo.

Ao servirem-No, conhecerão melhor a voz pela qual serão chamados. Quando forem dormir ao fim do dia, as seguintes palavras talvez lhes voltem à mente: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel”.10 Oro por essa bênção hoje, no dia-a-dia e ao longo de toda a nossa vida.

Sei que o Pai Celestial vive e responde a nossas orações. Sei que Jesus é o Cristo vivo, o Salvador do mundo e que podemos optar por sentir alegria e paz em Seu serviço hoje. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Arrependimento e Conversão

Élder Russell M. Nelson
Do Quórum dos Doze Apóstolos

“Arrependimento e Conversão,” Liahona, May 2007, 102

Uma alma que se arrepende é uma alma que se converte, e uma alma que se converte é uma alma que se arrepende.

No ano passado, quando o élder David S. Baxter e eu estávamos a caminho de uma conferência de estaca, paramos num restaurante. Depois, ao voltarmos para o carro, uma mulher nos chamou e se aproximou. Sua aparência descuidada nos constrangeu. Era algo que eu chamaria educadamente de estilo “radical”. Ela perguntou se éramos Élderes da Igreja. Respondemos que sim. Sem pudores, ela começou a contar a trágica história de sua vida mergulhada no pecado. Naquele momento, com apenas 28 anos de idade, ela era muito infeliz. Sentia-se inútil, sem nenhuma perspectiva. Ao falar, seu espírito doce começou a aflorar. Com lágrimas nos olhos, perguntou se havia esperança para ela, alguma forma de sair daquele profundo poço e se reerguer.

“Há, sim”, respondemos, “há esperança, e ela está ligada ao arrependimento. Você pode mudar. Pode ‘[vir] a Cristo e [ser aperfeiçoada] Nele’”.1 Nós a exortamos a não procrastinar.2 Com humildade, ela soluçava ao nos agradecer com sinceridade.

Quando o Élder Baxter e eu continuamos a viagem, refletimos sobre essa experiência. Recordamos o conselho dado por Aarão a uma pessoa sem esperança: “Se te arrependeres de todos os teus pecados e te curvares diante de Deus e invocares o seu nome com fé, (…) então obterás a esperança que desejas”.3

Agora, nesta sessão de encerramento da conferência geral, eu também vou falar sobre o arrependimento. Faço isso porque o Senhor deu a Seus servos o mandamento de clamar arrependimento ao mundo.4 O Mestre restaurou Seu evangelho para trazer alegria a Seus filhos, e o arrependimento é uma parte crucial do evangelho.5

A doutrina do arrependimento é tão antiga quanto o próprio evangelho. Ensinamentos bíblicos dos livros de Gênesis6 a Apocalipse7 ensinam esse princípio. Lições de Jesus Cristo durante Seu ministério mortal incluem as seguintes advertências: “O reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho”8 e “se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis”.9

As referências ao arrependimento são ainda mais freqüentes no Livro de Mórmon.10 Ao povo da América antiga, o Senhor deu o seguinte mandamento: “E novamente vos digo que vos deveis arrepender e ser batizados em meu nome e tornar-vos como uma criancinha, ou não podereis, de modo algum, herdar o reino de Deus”.11

Com a Restauração do evangelho, nosso Salvador voltou a salientar essa doutrina. A palavra arrependimento, sob alguma de suas formas, aparece em 47 das 138 seções de Doutrina e Convênios!12
Arrepender-se dos Pecados

O que significa arrepender-se? Comecemos com uma definição do dicionário, que explica que ‘arrepender-se’ é “afastar-se do pecado (…) e sentir tristeza [e] pesar”.13 Arrepender-se dos pecados não é fácil. Contudo, vale o esforço. O arrependimento precisa acontecer passo a passo. A oração humilde facilitará cada uma das etapas essenciais. Como requisitos para o perdão, a pessoa primeiro deve reconhecer o erro, sentir remorso e depois confessá-lo.14 “Desta maneira sabereis se um homem se arrepende de seus pecados — eis que ele os confessará e abandonará”.15 A confissão deve ser feita à pessoa prejudicada. A confissão deve ser sincera e não meramente a admissão da culpa depois que as provas forem irrefutáveis. Se muitas pessoas tiverem sido ofendidas, a confissão deve ser feita a todas as partes afetadas. Os atos passíveis de comprometer a condição de membro da Igreja, ou o direito a seus privilégios, devem ser confessados prontamente ao bispo, a quem o Senhor chamou como juiz comum em Israel.16

O passo seguinte é a restituição: reparar, se possível, o dano causado. Então vem a etapa de comprometer-se a agir melhor e não ter recaídas — de arrepender-se “com todo o coração”.17 Graças ao resgate pago pela Expiação de Jesus Cristo, o perdão pleno é concedido ao pecador que se arrepende e se mantém livre do erro.18 Para a alma que se arrepende, Isaías prometeu: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã”.19

A grande importância que o Senhor atribui ao arrependimento fica evidente ao lermos na seção 19 de Doutrina e Convênios: “Portanto ordeno que te arrependas — arrepende-te, para que eu não te fira com a vara de minha boca e com minha ira e com minha cólera e teus sofrimentos sejam dolorosos — quão dolorosos tu não sabes, sim, quão difíceis de suportar tu não sabes.

Pois eis que eu, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam;

Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri”.20

Embora o Senhor insista em nosso arrependimento, a maioria das pessoas não sente forte necessidade disso.21 Acham que podem ser contadas entre as que tentam ser boas. Consideram-se bem-intencionadas.22 Contudo, o Senhor foi claro ao proclamar que todos precisam arrepender-se — não só dos pecados cometidos, mas também dos pecados de omissão. é o caso de Sua advertência aos pais: “E também, se em Sião (…) houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo (…), sobre a cabeça dos pais seja o pecado”.23
O Significado Mais Amplo da Palavra Arrependimento

A doutrina do arrependimento é muito mais ampla do que a definição do dicionário. Quando Jesus usava o termo “arrepender-se”, Seus discípulos registravam essa ordem na língua grega com o verbo metanoeo.24 Essa palavra forte tem grande significado. No termo, o prefixo meta significa “mudar”.25 O sufixo está relacionado a quatro termos gregos importantes: nous, que significa “mente”26; gnosis, que significa “conhecimento”27; pneuma, que significa “espírito”28; e pnoe, que significa “sopro”, “fôlego”.29

Assim, quando Jesus nos exortou a “arrepender-nos”, pediu que mudássemos — que transformássemos nossa mente, conhecimento, espírito — e até nossa respiração. Um profeta explicou que tal mudança no alento significa respirar com gratidão por Aquele que concede cada sopro de vida. O rei Benjamim disse: “Se servirdes ao que vos criou (…) e vos está preservando dia a dia, dando-vos alento (…) de momento a momento — digo-vos que se o servirdes com a toda alma, ainda assim sereis servos inúteis”.30

Sim, o Senhor nos deu o mandamento de arrepender-nos, de mudar nossa conduta, de vir a Ele e ser mais semelhantes a Ele.31 Isso exige uma transformação total. Alma ensinou a seu filho: “Aprende sabedoria em tua mocidade”. E prosseguiu: “Aprende em tua mocidade a guardar os mandamentos de Deus! (…) Que todos os teus pensamentos sejam dirigidos ao Senhor, sim, que o afeto do teu coração seja posto no Senhor para sempre”.32

Arrepender-se plenamente implica converter-se completamente ao Senhor Jesus Cristo e a Sua obra sagrada. Alma ensinou esse conceito ao fazer as seguintes perguntas: “E agora, eis que vos pergunto, meus irmãos da igreja: haveis nascido espiritualmente de Deus? Haveis recebido sua imagem em vosso semblante? Haveis experimentado esta poderosa mudança em vosso coração?”33 Essa transformação ocorre quando “nascemos de novo”, nos convertemos e nos concentramos na jornada rumo ao reino de Deus.34
Os Frutos do Arrependimento

Os frutos do arrependimento são doces. Os conversos que se arrependem notam que as verdades do evangelho restaurado governam seus pensamentos e atos, moldam seus hábitos e forjam seu caráter. Tornam-se mais resistentes e capazes de negar-se a toda iniqüidade.35 Além do mais, os apetites36 descontrolados, a dependência da pornografia ou de drogas nocivas,37 as paixões desenfreadas38 , desejos carnais39 e o orgulho indevido40 diminuem, mediante a conversão completa ao Senhor e a determinação de servi-Lo e de seguir Seu exemplo.41 A virtude adorna seus pensamentos e a autoconfiança cresce.42 O dízimo é visto como uma bênção jubilosa e protetora, não como dever ou sacrifício.43 A verdade fica mais atraente e as coisas louváveis tornam-se mais convidativas.44

O arrependimento é o método do Senhor para o crescimento espiritual. O rei Benjamim explicou que “o homem natural é inimigo de Deus e tem-no sido desde a queda de Adão e sê-lo-á para sempre; a não ser que ceda ao influxo do Santo Espírito e despoje-se do homem natural e torne-se santo pela expiação de Cristo, o Senhor; e torne-se como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-se a tudo quanto o Senhor achar que lhe deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai”.45 Irmãos e irmãs, isso significa conversão! O arrependimento é conversão! Uma alma que se arrepende é uma alma que se converte, e uma alma que se converte é uma alma que se arrepende.
O Arrependimento para os Mortos

Todas as pessoas vivas podem-se arrepender. Mas e as pessoas que já morreram? Elas também têm a oportunidade de se arrepender. As escrituras declaram que “os élderes fiéis desta dispensação, quando deixam a vida mortal, continuam seus labores na pregação do evangelho do arrependimento (…) entre aqueles que estão (…) sob a servidão do pecado no grande mundo dos espíritos dos mortos.

Os mortos que se arrependerem serão redimidos por meio da obediência às ordenanças da Casa de Deus,

E depois de terem cumprido a pena por suas transgressões e de serem purificados, receberão uma recompensa de acordo com suas obras”.46

O Profeta Joseph Smith revelou ainda que “a Terra será ferida com maldição, a menos que exista um elo (…) de um tipo ou de outro entre os pais e os filhos. (…) Pois nós, sem eles [nossos mortos] não podemos ser aperfeiçoados; nem podem eles, sem nós, ser aperfeiçoados. (…) É necessário (…) [nesta] dispensação (…) que está começando a introduzir-se, que uma total, completa e perfeita união e fusão de dispensações e chaves e poderes e glórias ocorram”.47

“Quero viver tão somente brilhando por Jesus?”48 Sim, quero! Da mesma forma, vocês querem! Ele quer também que criemos laços celestiais para interromper a tendência49 de desintegração familiar. A Terra foi criada e templos foram construídos para que as famílias possam ficar juntas para sempre.50 Muitos — se não a maioria de nós — podem arrepender-se e converter-se mais ao trabalho do templo e história da família para nossos antepassados. Assim, o nosso arrependimento é necessário e essencial para o arrependimento deles.

Para todos os nossos parentes falecidos, para a mulher de 28 anos atolada no pântano do pecado e para cada um de nós, declaro que a doce bênção do arrependimento é possível. Ela resulta da conversão completa ao Senhor e a Sua obra sagrada.

Sei que Deus vive. Jesus é o Cristo. Esta é Sua Igreja. Seu profeta hoje é o Presidente Gordon B. Hinckley. Disso testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.