domingo, 27 de março de 2011

Confiar em Deus e, Então, Fazer

Henry B. Eyring
Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência

Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede.

Meus amados irmãos e irmãs, é uma honra falar a vocês neste Dia do Senhor. Sinto-me humilde pelo encargo de falar aos milhões de santos dos últimos dias e aos nossos amigos no mundo inteiro. Em preparação para esta oportunidade sagrada, orei e ponderei para saber quais seriam suas necessidades pessoais e a mensagem que o Senhor queria que eu lhes transmitisse.

Suas necessidades são muitas e diversas. Cada um de vocês é um filho incomparável de Deus. Deus os conhece individualmente. Ele envia mensagens de incentivo, correção e orientação, adequadas a vocês e a suas necessidades.

Para descobrir o que Deus queria que eu dissesse nesta conferência, li as mensagens de Seus servos nas escrituras e nas conferências passadas. Recebi resposta a minha oração ao ler as palavras de Alma, um grande servo do Senhor, no Livro de Mórmon:

“Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos!

Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra.

Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu”.1

Depois descobri, na reflexão de Alma, a orientação pela qual vinha orando: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro”. 2

Ao ler essa mensagem de um servo de Deus, minha tarefa de hoje ficou mais clara. Deus envia mensagens e mensageiros autorizados a Seus Filhos. Devo edificar a confiança em Deus e em Seus servos, até que nos motivemos a obedecer a Seus conselhos. Ele quer isso porque nos ama e deseja nossa felicidade. Ele sabe como a falta de confiança Nele traz infelicidade.

Essa falta de confiança resultou em sofrimento para os filhos do Pai Celestial desde antes de o mundo ser criado. Sabemos, por meio de revelações de Deus ao Profeta Joseph Smith, que muitos de nossos irmãos e irmãs no mundo pré-mortal rejeitaram o plano para nossa vida mortal apresentado por nosso Pai Celestial e Seu Filho mais velho, Jeová.3

Não sabemos todas as razões do terrível sucesso que Lúcifer obteve em incitar aquela rebelião. Contudo, uma delas é clara. Aqueles que perderam a bênção de vir para a mortalidade careciam de suficiente confiança em Deus para evitar a miséria eterna.

O triste padrão da falta de confiança em Deus persistiu desde a Criação. Tomarei cuidado ao citar exemplos da vida de alguns filhos de Deus, pois não conhecemos todos os motivos que os levaram a não ter suficiente fé para confiar Nele. Muitos de vocês já estudaram os momentos de crise da vida deles.

Jonas, por exemplo, não apenas rejeitou a mensagem do Senhor de ir a Nínive, mas tomou o rumo oposto. Naamã não confiou na instrução dada pelo profeta do Senhor, de banhar-se no rio, para que o Senhor o curasse da lepra, considerando aquela simples tarefa indigna de sua nobreza.

O Salvador convidou Pedro a sair da segurança do barco e a caminhar até Ele sobre as águas. Sofremos por ele e reconhecemos nossa própria carência de uma fé maior em Deus ao ouvir este relato:

“Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar.

E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo.

Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais.

E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas.

E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus.

Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me!

E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?”4

Dá-nos coragem o fato de Pedro ter passado a confiar no Senhor a ponto de permanecer fiel a serviço Dele por toda a vida, até o próprio martírio.

O jovem Néfi, no Livro de Mórmon, desperta em nós o desejo de desenvolver confiança no Senhor para obedecer a Seus mandamentos, por mais difíceis que nos pareçam. Néfi enfrentou perigos e arriscou a vida ao declarar estas palavras confiantes que podemos e precisamos sentir com firmeza no coração: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”.5

Essa confiança advém do conhecimento de Deus. Mais do que qualquer outro povo da Terra, e graças aos gloriosos eventos da Restauração do evangelho, nós sentimos a paz que o Senhor ofereceu a Seu povo nestas palavras: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”.6 Meu coração se enche de gratidão pelo que Deus revelou a respeito de Si mesmo, para que tenhamos vigorosa confiança Nele.

Isso começou para mim em 1820, com um jovem que foi a um bosque, numa fazenda do Estado de Nova York. O rapaz, Joseph Smith Jr., caminhou por entre as árvores até um lugar isolado. Ajoelhou-se em oração, com total confiança de que Deus responderia a sua súplica, para saber o que devia fazer para ser limpo e salvo por meio da Expiação de Jesus Cristo.7

Toda vez que leio seu relato, minha confiança em Deus e em Seus servos aumenta:

“Vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim.

Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”8

O Pai nos revelou que Ele vive; que Jesus Cristo é Seu Filho Amado, e que Ele nos amou tanto, que enviou esse Filho para salvar a nós, Seus filhos. E por ter um testemunho de que Ele chamou aquele rapaz sem instrução para ser apóstolo e profeta, confio em Seus apóstolos e profetas atuais, e naqueles a quem eles chamam para servir a Deus.

Essa confiança abençoou minha vida e a de minha família. Há vários anos, ouvi o Presidente Ezra Taft Benson falar em uma conferência como esta. Ele aconselhou-nos a fazer tudo o que pudéssemos para livrar-nos das dívidas e manter-nos livres delas. Ele mencionou o financiamento da casa própria. Disse que talvez não fosse possível, mas que seria melhor se conseguíssemos quitar nossa dívida do financiamento.9

Virei para minha mulher, depois da reunião, e perguntei: “Acha que existe alguma maneira de fazermos isso?” A princípio, não nos parecia possível. Depois, à noite, lembrei-me de uma propriedade que eu havia comprado em outro Estado. Por vários anos tínhamos tentado vendê-la, sem sucesso.

Mas, como confiamos em Deus e naquelas poucas palavras proferidas no meio da mensagem de Seu servo, na manhã da segunda-feira telefonamos para o corretor, em San Francisco, que cuidava da venda de nossa propriedade. Eu tinha ligado para ele poucas semanas antes, mas ele dissera: “Há anos que ninguém mostra interesse por sua propriedade”.

No entanto, na segunda-feira depois da conferência, ouvi uma resposta que até hoje fortalece minha confiança em Deus e em Seus servos.

O homem ao telefone disse: “Fico surpreso por você ter ligado. Apareceu um homem hoje perguntando se poderia comprar sua propriedade”. Maravilhado, perguntei: “Quanto ele ofereceu?” Eram alguns dólares além do valor de nossa dívida.

Alguém poderia dizer que foi mera coincidência. Mas, nosso financiamento da casa própria foi quitado. E nossa família ainda procura escutar toda palavra que possa vir a ser proferida na mensagem do profeta, para dizer-nos o que devemos fazer para ter a paz e a segurança que Deus deseja conceder-nos.

Essa confiança em Deus pode abençoar nossa comunidade e nossa família. Criei-me numa cidadezinha em New Jersey. Nosso ramo da Igreja tinha pouco mais de vinte membros que frequentavam regularmente.

Entre eles havia uma mulher idosa e muito humilde, que se havia convertido à Igreja. Era imigrante e falava com forte sotaque norueguês. Sendo o único membro da Igreja em sua família, era também o único membro da Igreja na cidade em que morava.

Por meio do meu pai, que era presidente do ramo, o Senhor a chamou para ser presidente da Sociedade de Socorro do ramo. Ela não tinha um manual que lhe dissesse o que tinha de fazer. Não havia nenhum outro membro da Igreja que morasse perto dela. Ela sabia apenas que o Senhor Se importava com os necessitados, e também conhecia o breve lema da Sociedade de Socorro: “A Caridade Nunca Falha”.

Isso aconteceu bem no meio da época que conhecemos como a “Grande Depressão”. Milhares de pessoas estavam desempregadas e desabrigadas. Portanto, sentindo que recebera uma tarefa do Senhor, ela pediu roupas velhas a seus vizinhos. Lavou e passou as roupas e as pôs em caixas de papelão, na varanda dos fundos de sua casa. Quando surgiam homens sem dinheiro, que precisavam de roupas pedindo ajuda a seus vizinhos, eles diziam: “Vá até a casa que fica no fim da rua. Ali mora uma senhora mórmon que lhe dará o que você precisa”.

O Senhor não governava a cidade, mas Ele mudou parte dela para melhor. Chamou uma pequena mulher — sozinha — que confiava Nele o suficiente para procurar saber o que Ele queria dela e, então, fazê-lo. Graças a sua confiança no Senhor, ela conseguiu ajudar naquela cidade centenas de filhos necessitados do Pai Celestial.

Essa mesma confiança em Deus pode abençoar nações. Aprendi que podemos confiar que Deus cumprirá esta promessa feita por Alma: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber”.10

Deus não está no governo das nações, mas Ele Se importa com elas. Ele pode colocar em posição de influência pessoas que desejam o que é melhor para o povo e que confiam no Senhor, e Ele realmente o faz.11

Já vi isso em minhas viagens pelo mundo. Em uma cidade de mais de dez milhões de pessoas, falei para milhares de santos dos últimos dias reunidos em uma conferência, realizada em um grande estádio esportivo.

Antes do início da reunião, percebi um homem jovem e de boa aparência sentado na primeira fila. Rodeavam-no outros que, tal como ele, estavam mais bem-vestidos do que a maioria das pessoas a sua volta. Perguntei à Autoridade Geral da Igreja ao meu lado quem eram aqueles homens. Ele sussurrou-me que eram o prefeito da cidade e seus assessores.

Ao caminhar para meu carro após a reunião, fiquei surpreso ao ver o prefeito esperando para cumprimentar-me, acompanhado de seus assessores. Ele se adiantou, estendeu-me a mão e disse: “Obrigado por ter vindo a nossa cidade e ao nosso país. Sentimo-nos gratos pelo que vocês fazem para edificar seu povo. Com pessoas e famílias assim, podemos criar a harmonia e a prosperidade que desejamos para nosso povo”.

Percebi naquele momento que ele era uma das pessoas de coração sincero colocadas por Deus em cargos influentes em meio a Seus filhos. Éramos minoria entre os cidadãos daquela grande cidade e nação. O prefeito pouco sabia sobre nossa doutrina e conhecia bem poucos membros de nossa Igreja. Mas Deus lhe enviara a mensagem de que os santos dos últimos dias, sob o convênio de confiar em Deus e em Seus servos autorizados, viriam a tornar-se uma luz entre seu povo.

Eu conheço os servos de Deus que vão falar a vocês nesta conferência. Eles foram chamados por Deus para transmitir mensagens a Seus filhos. O Senhor disse o seguinte a respeito deles: “O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.12

Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede. Se confiarem em Deus o suficiente para escutar a mensagem Dele em todo discurso, hino e oração desta conferência, vocês a ouvirão. E, se depois fizerem o que Ele deseja que vocês façam, sua capacidade de confiar Nele aumentará e, com o tempo, vão-se sentir dominados pela alegria de descobrir que Ele passou a confiar em vocês.

Testifico-lhes que Deus nos fala hoje por intermédio de Seus servos escolhidos na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Thomas S. Monson é o profeta de Deus. Nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo vivem e nos amam. Isso testifico, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Nossa Própria Sobrevivência

Kevin R. Duncan
Dos Setenta

Oro para que tenhamos a sabedoria de confiar no conselho dos profetas e apóstolos vivos e de seguir esse conselho.


O inverno de 1848 foi difícil e desafiador para os pioneiros colonizadores, no vale do Lago Salgado. No verão de 1847, Brigham Young havia declarado que os santos haviam finalmente chegado a seu destino. “Este é o lugar certo”1, disse Brigham Young, que tivera uma visão em que lhe fora mostrado onde os santos deveriam se estabelecer. Os primeiros membros da Igreja haviam enfrentado imensas adversidades no desenrolar da Restauração do evangelho. Tinham sido expulsos de seus lares, perseguidos e caçados. Tinham sofrido dificuldades indescritíveis ao cruzarem as planícies. Finalmente, porém, estavam no “lugar certo”.

Mas o inverno de 1848 foi extremamente rigoroso. Fez tanto frio, que algumas pessoas tiveram problemas sérios de congelamento dos pés. Um espírito de inquietação começou a se espalhar entre os santos. Alguns membros da Igreja declararam que não iriam construir suas casas no vale. Eles queriam permanecer em seus carroções, pois não tinham certeza se a liderança da Igreja lhes anunciaria um lugar melhor para morar. Tinham trazido consigo sementes e árvores frutíferas, mas não queriam desperdiçá-las plantando-as naquele deserto árido. Jim Bridger, conhecido explorador da época, disse a Brigham Young que daria mil dólares pelo primeiro saco de milho cultivado no Vale do Lago Salgado, porque achava que aquilo seria impossível.2

Para complicar as coisas, havia sido descoberto ouro na Califórnia. Alguns membros da Igreja acharam que a vida seria mais simples e próspera se prosseguissem até a Califórnia, em busca de riquezas e de um clima melhor.

Em meio a essa onda de descontentamento, Brigham Young falou aos membros da Igreja, declarando:

“[Este vale] é o local que Deus indicou para Seu povo.

Fomos lançados da frigideira para o fogo, e do fogo para o chão; e aqui estamos, e aqui permaneceremos. Deus me mostrou que este é o lugar certo para estabelecermos Seu povo, e é aqui que prosperaremos. Ele vai amenizar o clima para benefício dos santos. Vai repreender a geada e a esterilidade do solo, e a terra vai-se tornar frutífera. Irmãos, vão agora, e plantem (…) suas (…) sementes”.

Além de prometer essas bênçãos, o Presidente Young declarou que o Vale do Lago Salgado se tornaria conhecido como uma estrada para as nações. Reis e imperadores visitariam aquela terra. E o melhor de tudo é que um templo do Senhor seria erguido ali.3

Aquelas foram promessas extraordinárias. Muitos membros da Igreja tiveram fé nas profecias de Brigham Young, ao passo que outros continuaram céticos e partiram para o que acharam que seria uma vida melhor. Mas a história mostrou que todas as profecias declaradas por Brigham Young foram cumpridas. O vale realmente floresceu e começou a produzir. Os santos prosperaram. O inverno de 1848 contribuiu muito para que o Senhor ensinasse uma valiosa lição a Seu povo. Eles aprenderam, como todos temos que aprender, que o único meio garantido e seguro de sermos protegidos nesta vida é confiar no conselho dos profetas de Deus e obedecer a ele.

Sem dúvida, uma das maiores bênçãos de sermos membros desta Igreja é a de sermos liderados por profetas vivos de Deus. O Senhor declarou: “Nunca há mais que um, na Terra, ao mesmo tempo, a quem esse poder e as chaves desse sacerdócio são conferidas”. 4 O profeta e Presidente atual da Igreja, Thomas S. Monson, recebe a palavra de Deus para todos os membros da Igreja e para o mundo. Além disso, apoiamos como profetas, videntes e reveladores os conselheiros na Primeira Presidência e os membros do Quórum dos Doze Apóstolos.

Com os pés congelados e um deserto árido, sem dúvida foi preciso fé para que aqueles antigos santos confiassem em seu profeta. Sua sobrevivência e sua vida estavam em jogo. Mas o Senhor recompensou sua obediência e abençoou e fez prosperar os que seguiram Seu porta-voz.

E o Senhor faz o mesmo hoje em dia para todos nós. Este mundo está cheio de livros de autoajuda, de pessoas que se dizem especialistas, de teóricos, de educadores e de filósofos que têm conselhos para dar sobre todo e qualquer assunto. Com a tecnologia atual, há informações sobre uma infinidade de assuntos acessíveis apenas com um clique ou toque. É fácil cairmos na armadilha de confiar nos conselhos do “braço de carne”5 sobre todas as coisas, desde a criação dos filhos até a busca da felicidade. Embora algumas informações tenham seu mérito, como membros da Igreja, temos acesso à fonte da pura verdade, que é Deus. Seria bem melhor que buscássemos as respostas para nossos problemas e dúvidas pesquisando o que o Senhor revelou por meio de Seus profetas. Com essa mesma tecnologia atual, temos ao alcance dos dedos as palavras dos profetas sobre quase todos os assuntos. O que Deus nos ensinou sobre o casamento e a família por meio de Seus profetas? O que Ele nos ensinou sobre educação e a vida previdente por meio de Seus profetas? O que Ele nos ensinou sobre a felicidade e a realização pessoais, por meio de Seus profetas?

O que os profetas ensinam pode parecer ultrapassado, impopular ou até impossível. Mas Deus é um Deus de ordem e estabeleceu um sistema pelo qual podemos conhecer Sua vontade. “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas.”6 No início desta que é a dispensação da plenitude dos tempos, o Senhor reafirmou que Se comunicaria conosco por meio de Seus profetas. Ele declarou: “Minha palavra (…) será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.7

A confiança nos profetas e a obediência a suas palavras são mais do que uma bênção e um privilégio. O Presidente Ezra Taft Benson declarou que “nossa [própria] salvação depende da obediência ao profeta”. Ele descreveu o que chamou de “Quatorze Princípios Fundamentais para Seguir o Profeta”. Na sessão desta manhã, o Élder Claudio Costa, da Presidência dos Setenta, instruiu-nos de modo muito eloquente a respeito desses Quatorze Princípios Fundamentais. Devido a sua grande importância para nossa própria salvação, vou repeti-los agora.

“Primeiro: O profeta é o único homem que fala pelo Senhor em todas as coisas.

Segundo: O profeta vivo é mais importante para nós do que as obras-padrão.

Terceiro: O profeta vivo é mais importante para nós do que um profeta morto.

Quarto: O profeta nunca fará a Igreja se desviar.

Quinto: O profeta não precisa de nenhum treinamento específico ou de credenciais terrenas para falar sobre qualquer assunto ou agir quanto a qualquer questão, a qualquer momento.

Sexto: O profeta não precisa dizer ‘Assim diz o Senhor’ para nos dar uma escritura.

Sétimo: O profeta nos diz o que precisamos saber, nem sempre o que queremos saber.

Oitavo: O profeta não se limita à razão humana.

Nono: O profeta pode receber revelação sobre qualquer assunto — temporal ou espiritual.

Décimo: O profeta pode envolver-se em questões cívicas.

Décimo primeiro: Os dois grupos de pessoas com maiores dificuldades de seguir o profeta são os orgulhosos que são doutos e os orgulhosos que são ricos.

Décimo segundo: O profeta não será necessariamente popular no mundo nem entre os que são do mundo.

Décimo terceiro: O profeta e seus conselheiros constituem a Primeira Presidência — o quórum mais elevado da Igreja.

Décimo quarto: [Siga] o profeta vivo e a Primeira Presidência e receba as bênçãos; rejeite-os e sofra”.8

Irmãos e irmãs, tal como os santos de 1848, podemos decidir que seguiremos o profeta ou podemos confiar no “braço de carne”. Oro para que tenhamos a sabedoria de confiar no conselho dos profetas e apóstolos vivos e de seguir esse conselho. Sou testemunha da bondade deles e testifico que foram chamados por Deus. Testifico também que não há meio mais seguro de conduzir-nos na vida, de encontrar respostas para nossos problemas, de ter paz e felicidade neste mundo e de proteger nossa própria salvação do que obedecer às palavras deles. Presto esse testemunho no sagrado nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

domingo, 13 de março de 2011

Os Três "R"s da Escolha

Presidente Thomas S. Monson

Cada um de nós veio à Terra com todas as ferramentas necessárias para fazer escolhas certas.

Meus amados irmãos do sacerdócio, oro sinceramente para que esta noite eu tenha a ajuda de nosso Pai Celestial para expressar as coisas que senti que deveria compartilhar com vocês.

Tenho pensado ultimamente a respeito das escolhas e suas consequências. Quase não se passa uma hora do dia sem que tenhamos de fazer algum tipo de escolha. Algumas são triviais, outras têm repercussões maiores. Algumas não vão fazer diferença no esquema eterno das coisas, mas outras farão todaa diferença.

Ao ponderar sobre os vários aspectos das escolhas, classifiquei-os em três categorias: primeiro, a regaliada escolha; segundo, a responsabilidadeda escolha; e terceiro, os resultadosda escolha. Chamo isso de os três Rs da escolha.

Começarei pela regalia (ou direito) de escolha. Devo imensa gratidão ao amoroso Pai Celestial por conceder-nos a dádiva do arbítrio, ou seja, o direito de escolha. O Presidente David O. McKay, nono Presidente da Igreja, disse: “Ao lado do dom da própria vida, o direito de conduzi-la é a maior dádiva de Deus ao homem”.1

Sabemos que tínhamos o arbítrio antes de este mundo existir, e que Lúcifer tentou tirá-lo de nós. Ele não confiava no princípio do arbítrio, nem em nós; e defendeu uma salvação imposta. Alegava que, com a utilização de seu plano, nenhum de nós se perderia; mas aparentemente não reconheceu — ou talvez não se importasse — que, desse modo, ninguém se tornaria mais sábio, mais forte, mais compassivo ou mais grato, caso seu plano fosse implementado.

Nós que escolhemos o plano do Salvador sabíamos que embarcaríamos numa jornada arriscada e difícil, porque percorreríamos os caminhos do mundo nos quais poderíamos pecar e tropeçar, sendo afastados da presença do Pai. Mas o Primogênito em Espírito ofereceu-Se como sacrifício para expiar os pecados de todos. Por meio de sofrimento indescritível, Ele Se tornou o grande Redentor, o Salvador de toda a humanidade, possibilitando assim nosso retorno bem-sucedido à presença do Pai.

O profeta Leí declarou: “Portanto os homens são livres segundo a carne; e todas as coisas de que necessitam lhes são dadas. E são livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para escolherem o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo; pois ele procura tornar todos os homens tão miseráveis como ele próprio”. 2

Irmãos, dentro dos limites de quaisquer circunstâncias em que nos encontremos, sempre teremos a regalia (ou direito) da escolha.

Em seguida, junto com a regaliada escolha vem a responsabilidadeda escolha. Não podemos ser neutros, não há meio-termo. O Senhor sabe disso, e Lúcifer também. Enquanto vivermos nesta Terra, Lúcifer e suas hostes jamais abandonarão a esperança de reivindicar nossa alma.

O Pai Celestial não nos enviou para nossa jornada eterna sem providenciar meios pelos quais pudéssemos receber Dele orientação divina para ajudar-nos a retornar em segurança no fim da vida mortal. Refiro-me à oração. Refiro-me também aos sussurros daquela voz mansa e delicada que há dentro de cada um de nós, sem esquecer as santas escrituras, que foram escritas por marinheiros que já atravessaram com sucesso os mares que também teremos de cruzar.

Cada um de nós veio à Terra com todas as ferramentas necessárias para fazer escolhas certas. O profeta Mórmon disse: “O Espírito de Cristo é concedido a todos os homens, para que eles possam distinguir o bem do mal”. 3

Estamos cercados — às vezes somos até bombardeados — por mensagens do adversário. Ouçam algumas delas, que sem dúvida lhes soarão familiares: “Só desta vez não vai fazer mal”. “Não se preocupe, ninguém vai saber”. “Você pode parar de fumar ou de beber, ou de tomar drogas quando quiser”. “Todo mundo faz isso, portanto não pode ser tão ruim assim”. As mentiras são infindáveis.

Embora em nossa jornada encontremos bifurcações e retornos ao longo da estrada, simplesmente não podemos nos dar ao luxo de enveredar por um desvio do qual talvez jamais consigamos voltar. Lúcifer, como o astuto flautista [de Hamelin], toca sua alegre melodia e atrai os incautos para longe da segurança do caminho escolhido, para longe dos conselhos de pais amorosos, para longe da segurança dos ensinamentos de Deus. Ele busca não apenas a assim chamada escória da humanidade, ele busca todos nós, inclusive os próprios eleitos de Deus. O rei Davi ouviu, vacilou e, depois, seguiu e caiu. O mesmo fez Caim, em uma época anterior, e Judas Iscariotes, em uma era posterior. Os métodos de Lúcifer são ardilosos, e suas vítimas, numerosas.

Lemos a respeito dele em 2 Néfi: “E a outros pacificará e acalentará com segurança carnal”. 4“A outros ele lisonjeia, dizendo-lhes que não há inferno (…) até agarrá-los com suas terríveis correntes.” 5 “E assim o diabo engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno.”6

Quando nos deparamos com escolhas importantes, como decidimos? Será que sucumbimos à promessa do prazer momentâneo? Aos nossos desejos e paixões? À pressão de nossos colegas?

Não devemos ser indecisos como Alice, no clássico de Lewis Carroll, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas. Vocês se recordam que ela chega a uma encruzilhada, com dois caminhos diante dela, ambos se estendendo para algum lugar, mas em direções opostas. Ela se vê diante do Gato Risonho, a quem Alice pergunta: ‘Que caminho devo seguir?’

O gato respondeu: “Depende do lugar para onde quer ir. Se não sabe para onde quer ir, não importa o caminho que você vai seguir”.7

Ao contrário da Alice, todos sabemos para onde queremos ir. E o rumo que vamos tomar realmente importa, porque ao escolher um caminho, escolhemos nosso destino.

Temos constantemente de tomar decisões. Para fazê-lo com sabedoria, precisamos de coragem — a coragem de dizer “não” e a coragem de dizer “sim”. As decisões determinam, de fato, o destino.

Peço que decidam aqui, agora mesmo, que não se desviarão do caminho que vai levá-los a nossa meta: a vida eterna com nosso Pai Celestial. Ao longo do caminho reto e apertado haverá outras metas: serviço missionário, casamento no templo, atividade na Igreja, estudo das escrituras, oração, trabalho do templo. Há incontáveis metas dignas a serem alcançadas em nossa jornada da vida. Precisamos comprometer-nos a alcançá-las.

Por fim, irmãos, quero falar-lhes dos resultados da escolha. Todas as nossas escolhas têm consequências, algumas das quais pouco ou nada têm a ver com a nossa salvação, mas outras têm tudo a ver com ela.

O fato de vestirmos uma camiseta verde ou azul não faz qualquer diferença a longo prazo. Contudo, se você decidir apertar uma tecla do computador que o leve para a pornografia, isso pode fazer toda a diferença em sua vida. Você simplesmente terá dado um passo fora do caminho reto e seguro. Se um amigo o pressionar a ingerir bebidas alcoólicas ou a experimentar drogas, e você ceder à pressão, terá enveredado por um desvio do qual pode não conseguir voltar. Irmãos, quer sejamos diáconos de doze anos ou sumos sacerdotes experientes, todos somos suscetíveis. Vamos manter os olhos, o coração e nossa determinação direcionados àquela meta que é eterna e que vale qualquer preço que tenhamos de pagar por ela, independentemente do sacrifício que tenhamos de fazer para alcançá-la.

Nenhuma tentação, pressão ou sedução pode vencer-nos, a menos que o permitamos. Se fizermos escolhas erradas, não podemos culpar ninguém, a não ser nós mesmos. O Presidente Brigham Young, certa vez, expressou essa verdade referindo-se a si mesmo. Ele disse: “Se o irmão Brigham desviar-se do caminho e for impedido de entrar no reino dos céus, ninguém terá culpa disso, a não ser ele mesmo. Nos céus, na Terra ou no inferno, eu serei o único culpado por isso”. E continuou: “Isso se aplica também a todos os santos dos últimos dias. A salvação é um trabalho individual”.8

O Apóstolo Paulo declarou: “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar”.9

Todos já fizemos escolhas incorretas. Se ainda não corrigimos essas escolhas, asseguro-lhes que há um meio de fazê-lo. O processo se chama arrependimento. Rogo a vocês que corrijam seus erros. Nosso Salvador morreu a fim de proporcionar a todos nós essa dádiva abençoada. Embora o caminho não seja fácil, a promessa é real: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve”. 10 “E eu, o Senhor, deles não mais me lembro”. 11 Não coloquem em risco sua vida eterna. Se pecaram, quanto antes começarem a trilhar o caminho de volta, mais cedo encontrarão a doce paz e a alegria que advêm do milagre do perdão.

Irmãos, vocês são de nobre estirpe. A vida eterna no reino de nosso Pai é sua meta. Essa meta não é alcançada numa única tentativa gloriosa, mas, sim, como resultado de uma vida inteira de retidão, de uma somatória de escolhas sábias, sim, de uma constância de propósito. Como tudo que realmente vale a pena, a recompensa da vida eterna exige esforço.

As escrituras são bem claras:

“Façais como vos mandou o Senhor, vosso Deus; não vos desviareis, nem para a direita nem para a esquerda.

“Andareis em todo o caminho que vos manda o Senhor vosso Deus.”12

Para terminar, quero compartilhar com vocês o exemplo de alguém que decidiu bem cedo na vida quais seriam suas metas. Refiro-me ao irmão Clayton M. Christensen, membro da Igreja, que é professor da Faculdade de Administração de Empresas da Universidade de Harvard.

Quando tinha dezesseis anos, o irmão Christensen decidiu, entre outras coisas, que não praticaria esportes aos domingos. Anos depois, quando frequentava a Universidade de Oxford, na Inglaterra, ele jogava como pivô na equipe de basquete. Naquele ano, tiveram uma temporada invicta e chegaram ao que, na Inglaterra, equivaleria ao campeonato de basquete da Associação Atlética Universitária Nacional, nos Estados Unidos.

Venceram os jogos com relativa facilidade no campeonato, chegando às quartas de final. Foi então que o irmão Christensen viu a programação e, para seu desalento, descobriu que a final estava marcada para um domingo. Ele e a equipe haviam-se esforçado muito para chegar até ali, e ele era o pivô. Procurou o técnico para expressar seu dilema. O técnico não foi gentil e disse ao irmão Christensen que ele devia disputar o jogo.

Antes da final, porém, houve a semifinal. Infelizmente, o pivô reserva deslocou o ombro, aumentando a pressão sobre o irmão Christensen para que disputasse a final. Ele foi para seu quarto de hotel. Ajoelhou-se. E perguntou ao Pai Celestial se haveria problemas se, apenas daquela vez, ele disputasse aquele jogo no domingo. Ele conta que, antes de terminar de orar, recebeu a resposta: “Clayton, por que Me está perguntando isso? Você sabe a resposta”.

Foi procurar o técnico e disse que sentia muito, mas que não disputaria a final. Depois, foi às reuniões dominicais na ala local, enquanto sua equipe jogava sem ele. Orou fervorosamente para que tivessem sucesso. Eles ganharam.

Aquela decisão fatídica e difícil foi tomada há mais de trinta anos. O irmão Christensen disse que, com o passar do tempo, ele veio a considerar aquela uma das decisões mais importantes que tomou na vida. Teria sido muito fácil dizer: “Sabe, de modo geral, o mandamento de guardar o Dia do Senhor é a coisa certa, mas na minha situação específica há atenuantes, e não vai fazer mal se, só desta vez, eu não o cumprir”. Contudo, ele disse que, ao longo de toda sua vida, houve uma série interminável de situações atenuantes, e que se ele já tivesse cedido apenas aquela vez, quando surgisse novamente algo muito urgente ou crítico, teria sido bem mais fácil ceder de novo. A lição que ele aprendeu foi que é mais fácil guardar os mandamentos 100 por cento do tempo do que 98 por cento do tempo. 13

Meus amados irmãos, que tenhamos a alma repleta de gratidão pela regaliada escolha; que aceitemos a responsabilidade da escolha e estejamos sempre cientes dos resultados da escolha. Como portadores do sacerdócio, sendo unos de coração podemos tornar-nos dignos da influência orientadora de nosso Pai Celestial, se fizermos cuidadosa e corretamente nossas escolhas. Estamos engajados no trabalho do Senhor Jesus Cristo. Nós, como aqueles de tempos passados, atendemos a Seu chamado. Estamos a serviço Dele. Teremos sucesso neste solene encargo: “Purificai-vos, os que levais os vasos do Senhor”.14Oro humildemente que isso aconteça. É minha oração solene e humilde, em nome de Jesus Cristo, nosso Mestre. Amém.

sexta-feira, 11 de março de 2011

"Mantenham-se Limpos, Puros e Dignos ... "

Élder Ulisses Soares - Presidente da Área Brasil (Fevereiro/2010)

Durante a conferência geral de outubro de 2010, o Presidente Thomas S. Monson fez um apelo a toda a Igreja, em sua mensagem de abertura: "Aos rapazes do Sacerdócio Aarônico e a vocês rapazes que serão élderes, repito o que os profetas há muito têm ensinado: todo rapaz digno e capaz deve preparar-se para servir em uma missão.

O serviço missionário é um dever do sacerdócio - uma obrigação que o Senhor espera de nós, que tanto recebemos Dele. Rapazes, eu os admoesto a prepararem-se para servir como missionários. Mantenham-se limpos, puros e dignos de representar o Senhor. Mantenham sua saúde e suas forças. Estudem as escrituras. Onde for possível, participem do seminário ou do instituto. Procurem conhecer bem o guia missionário Pregar Meu Evangelho" (A Liahona, novembro de 2010, p. 5). O Senhor espera que todo rapaz se prepare espiritual, física, mental, emocional e financeiramente para o serviço missionário. Mas, em suas palavras, o Presidente Monson se referiu aos candidatos ao serviço missionário mencionando, inicialmente, a maior das qualificações para o serviço: a dignidade.

Para que um jovem esteja qualificado quanto à dignidade, ele precisa ter mãos limpas e um coração puro. Isso significa que ele precisa ser moralmente limpo em todos os aspectos e plenamente digno de representar o Senhor Jesus Cristo.

O Senhor advertiu o Profeta Joseph Smith quanto àqueles que servem no reino Dele, quando disse: "E saí do meio dos iníquos. Salvai-vos. Sede limpos, vós que portais os vasos do Senhor" (D&C 38:42). A fim de atingir esse nível de dignidade, os candidatos ao serviço missionário precisam levar uma vida exemplar. No guia missionário, na página 3, lemos o seguinte: "Você foi recomendado como pessoa digna de representar o Senhor na qualidade de ministro do evangelho restaurado. Você será um representante oficial da Igreja. Como tal, será seu dever manter os mais elevados padrões de conduta e aparência, guardando os mandamentos, obedecendo às regras da missão e seguindo os conselhos do presidente da missão". Para representar o Salvador dignamente, será preciso atingir esse nível de dignidade. Tanto os pais, como os líderes e os próprios candidatos ao serviço missionário têm a sagrada responsabilidade de trabalhar nessa preparação e empenhar todo o esforço para que cada jovem alcance esse padrão elevado, a fim de ser um verdadeiro representante do Salvador.

Caso seja necessário fazer alguma correção, isso deve acontecer bem antes de a pessoa ser recomendada para o serviço missionário. O arrependimento genuíno pode levar algum tempo, e talvez lhe seja requerido um período maior de preparação. Mas o arrependimento é necessário, a fim de que possamos ser limpos e puros, conforme o Presidente Monson nos ensinou.

O convite do Salvador ao arrependimento é um "convite de um Pai amoroso e de Seu Filho Unigênito, para que sejamos mais do que somos, que busquemos um modo de vida mais elevado e que sintamos a felicidade de guardar os mandamentos. (.) Que maravilhoso privilégio nós temos de abandonar o pecado e achegarnos a Cristo! O perdão divino é um dos frutos mais doces do evangelho, que remove a culpa e a dor de nosso coração e as substitui por alegria e paz de consciência" (Élder Neil L. Andersen, "Arrependendo-vos (.) para que Eu Vos Cure", A Liahona, novembro de 2009, p. 40).

Há muito que pode ser feito para que os jovens se preparem adequadamente para servir ao Senhor. Gostaria somente de resumir algumas recomendações tendo por base os ensinamentos dos profetas ao longo dos anos, que têm ajudado alguns dos melhores missionários que conheço a servirem no mais alto padrão de dignidade, conforme recomendado pelo Presidente Monson.

Ore todos os dias. Peça ao Pai Celestial que o ajude a ser digno;
Guarde os mandamentos diariamente;
Frequente o Seminário e o Instituto e preste atenção às aulas;
Estude as escrituras todos os dias, especialmente o Livro de Mórmon. Aplique a promessa de Morôni descrita no capítulo 10, versículos de 3 a 5;
Aprenda a ser responsável, magnificando qualquer chamado ou designação que receber;
Seja digno de uma recomendação para entrar no templo e realize batismos vicários sempre que possível;
Receba sua Benção Patriarcal e leia-a regularmente;
Vá a Igreja todos os domingos e sinta o Espírito nas reuniões;
Saia com os missionários de tempo integral e observe sua conduta;
Preste seu testemunho sempre que possível;
Estude o Guia para o Serviço Missionário "Pregar Meu Evangelho";
Frequente os cursos "Ensinar o Evangelho" e "Preparação Missionária";
Estude o manual missionário a fim de compreender as diretrizes ali contidas e comprometa-se a segui-las;
Tenha entrevistas regulares com o bispo, a fim de assegurar-se de sua dignidade.

O serviço missionário de tempo integral é um privilégio e um serviço prestado a Deus e a Sua Igreja. Os missionários são chamados - por profecia e pela imposição de mãos por quem possua autoridade (ver Regras de Fé 1:5) - para convidar as pessoas a achegarem-se a Cristo, ajudandoas a receber o evangelho restaurado por meio da fé em Jesus Cristo e em Sua Expiação; do arrependimento; do batismo; do recebimento do dom do Espírito Santo e da perseverança até o fim. Somente aqueles que são dignos serão capazes de cumprir esse chamado à maneira do Senhor, e isso vai exigir fé, desejo e consagração.

Convido os pais, os líderes e os jovens a trabalharem juntos para ajudarem na preparação dos candidatos ao serviço missionário, a fim de se tornarem dignos representantes do Salvador Jesus Cristo. Ajudem esses candidatos a desenvolverem "fé, esperança, caridade e amor, com os olhos fitos na glória de Deus" (D&C 4:5), a fim de estarem qualificados para representar Jesus Cristo e Sua Igreja. Presto testemunho de que, ao aplicarem esses princípios em sua preparação espiritual, os missionários se tornarão valentes mensageiros da verdade e terão poder para converter aqueles que só estão afastados "da verdade por não saber onde encontrá-la" (D&C 123:12).

domingo, 6 de março de 2011

Que a Virtude Adorne Teus Pensamentos Incessantemente

Presidente Gordon B. Hinckley

“Que a Virtude Adorne Teus Pensamentos Incessantemente,” Liahona, May 2007, 115

Não há limites para seu potencial. Se assumirem o controle de sua vida, o futuro estará cheio de oportunidades e de felicidade.

Minhas queridas jovens, que maravilhoso é vê-las neste grande salão. Vocês estão acompanhadas de suas mães, avós e professoras. Além das que estão neste Centro de Conferências, centenas de milhares mais estão reunidas em todo o mundo. Elas nos ouvirão em mais de vinte idiomas. Nosso discurso será traduzido para sua língua nativa. A oportunidade de falar para vocês é uma responsabilidade avassaladora. Mas também é uma oportunidade maravilhosa. Oro pedindo a orientação do Santo Espírito para o que vou dizer.

Outras pessoas abordaram eloqüentemente o tema desta reunião. Eu apenas vou mencioná-lo. Está na palavra revelada do Senhor que se encontra na seção 121 de Doutrina e Convênios, que diz:

“Que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; e a doutrina do sacerdócio destilar-se-á sobre tua alma como o orvalho do céu.

O Espírito Santo será teu companheiro constante e teu cetro, um cetro imutável de retidão e verdade; e teu domínio será um domínio eterno e, sem ser compelido, fluirá para ti eternamente” (vv. 45–46).

Poderia haver para alguém uma promessa maior do que essas extraordinárias palavras de revelação do Senhor? Essas são as palavras de Deus, dadas por revelação ao Profeta Joseph. Elas trazem consigo uma magnífica promessa a todos que permitirem que a virtude adorne seus pensamentos incessantemente.

Vocês, moças, estão no limiar da vida. Têm idade suficiente para ter sido batizadas. São jovens o suficiente para que o futuro mundo de seus sonhos ainda esteja adiante de vocês. Cada uma de vocês é uma filha de Deus. Cada uma de vocês é uma criatura divina. Vocês são literalmente filhas do Todo-Poderoso. Não há limites para seu potencial. Se assumirem o controle de sua vida, o futuro estará cheio de oportunidades e de felicidade. Vocês não podem permitir que seus talentos ou seu tempo sejam desperdiçados. Há grandes oportunidades à sua frente.

Ofereço-lhes uma receita muito simples que lhes garantirá a felicidade, se a seguirem. Trata-se de um programa simples de quatro pontos. É o seguinte: (1) orem; (2) estudem; (3) paguem o dízimo; e (4) assistam às reuniões.

O primeiro item é a oração pessoal. Cada uma de vocês é uma filha de nosso Pai Celestial. Ele é seu Pai Celeste. Fale com Ele. Todas as noites e todas as manhãs, ajoelhe-se e expresse a Ele a gratidão de seu coração. Fale das bênçãos que deseja e necessita. Nunca se esqueça de que esta Igreja começou com a humilde oração do menino Joseph Smith no bosque da fazenda de seu pai. A partir daquele extraordinário acontecimento, que chamamos de Primeira Visão, esta obra cresceu até estar hoje estabelecida em 160 nações, com mais de 12 milhões de membros. Trata-se da própria concretização da visão de Daniel, de uma rocha cortada da montanha sem auxílio de mãos que rolou até encher toda a Terra (ver Daniel 2:44–45).

Você pode não apenas fazer suas orações individuais, mas também pode incentivar seus pais a realizar a oração familiar, se é que eles ainda não fazem. A oração é a ponte por meio da qual nos aproximamos de nosso Pai Celestial. Não custa nada. Exige apenas fé e esforço. Nada é mais recompensador do que ajoelhar-nos em humilde oração. É uma expressão de amor a Deus, que nos concedeu tudo que é bom. É uma expressão de auto-respeito. Não há nada que a substitua. É uma comunicação pessoal com Deus.

O segundo item da minha lista é o estudo. O que está incluído nessa simples palavra de seis letras? Em primeiro lugar o estudo das escrituras. Pode ser que você leia apenas trechos do Velho Testamento, mas ele contém grandes lições. O Novo Testamento é uma mina de ouro. Contém os quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João, bem como os Atos dos Apóstolos e outros escritos. Procure ler ao menos um dos Evangelhos, talvez o livro de João. Quando terminar, pegue o Livro de Mórmon.

Há dois anos, exortei os membros da Igreja em todo o mundo a ler o Livro de Mórmon antes do fim daquele ano. É maravilhoso ver quantos cumpriram essa meta. Todos os que o fizeram foram abençoados por seus esforços. Ao mergulharem nessa outra testemunha de nosso Redentor, tiveram o coração vivificado e o espírito tocado. Algumas de vocês eram jovens demais para ler naquela época, mas não são jovens demais para começar a ler agora.

Além do estudo eclesiástico, há a meta da educação acadêmica. Decida agora, enquanto é jovem, que obterá toda a instrução que puder. Vivemos numa época altamente competitiva, que vai ficar cada vez pior. A instrução é a chave que lhe abrirá as portas da oportunidade.

Você pode fazer planos em relação ao casamento, sonhar com ele, mas não poderá ter certeza se isso acontecerá. E mesmo que se case, a instrução lhe será de grande benefício. Não fique à toa, deixando que os dias passem sem que haja progresso em sua vida. O Senhor vai abençoá-la se você se esforçar. Sua vida será enriquecida e sua visão do mundo ampliada, à medida que sua mente se abrir para novos conhecimentos e perspectivas.

O item seguinte é o pagamento do dízimo. É gloriosa a promessa do Senhor para os que pagam o dízimo. Ele disse numa revelação moderna que eles “não serão queimados” (ver D&C 64:23).

Sua grande promessa encontra-se nas palavras de Malaquias. Ele disse: “Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. (…)

Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes” (Malaquias 3: 8, 10).

E então Ele prossegue, dizendo algo muito interessante. Ouçam isto:

“E por vossa causa repreenderei o devorador e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos.

E todas as nações vos chamarão bem-aventurados, porque vós sereis uma terra aprazível, diz o Senhor dos Exércitos” (Malaquias 3:11–12).

Embora o dízimo seja pago com dinheiro, o mais importante é que ele seja pago com fé. Nunca encontrei um dizimista honesto que reclamasse de pagar o dízimo. Em vez disso, ele deposita sua confiança no Senhor, e o Senhor nunca o desaponta.

Quando eu era menino, no mês de dezembro, meu pai nos levava até o outro lado da rua à casa do bispo Duncan para o acerto do dízimo. O bispo não tinha uma sala no prédio da ala, por isso tinha que cuidar dos assuntos da Igreja em sua casa. Sentávamo-nos em sua sala de estar e, um a um, ele nos convidava para sua sala de jantar. Nosso dízimo podia ser de 25 centavos, ou talvez 50 centavos, mas era o dízimo integral. Ele emitia um recibo e anotava a quantia no registro da ala. A quantia às vezes era tão pequena que o custo de registrá-la era maior que o seu valor. Mas isso formou um hábito que foi mantido ao longo de todos esses anos. Com o pagamento do dízimo vieram inúmeras bênçãos, como o Senhor havia prometido.

Casei-me durante a Grande Depressão, quando o dinheiro era escasso, mas pagávamos nosso dízimo e, de alguma forma, nunca passamos fome, nem nos faltou coisa alguma de que necessitássemos.

O quarto item: assistir às reuniões, suas reuniões sacramentais. Não há nada que substitua o sacramento da Ceia do Senhor. É um encargo solene, sagrado e maravilhoso poder partilhar do pão e da água em lembrança do corpo e do sangue do Salvador da humanidade.

Não há outro evento da história da humanidade que seja tão significativo quanto o sacrifício expiatório de nosso divino Redentor. Nada há que se compare a isso. Sem o sacrifício, a vida não teria sentido. Seria uma jornada que terminaria num beco sem saída.

Com ele, temos a certeza da vida eterna. A morte não é o fim, mas, sim, uma passagem para uma existência mais gloriosa.

Tudo isso está simbolizado no sacramento. Todas as outras coisas que acontecem em nossas reuniões têm menos importância, quando comparadas a tomarmos os emblemas do sacrifício de nosso Senhor.

Se vocês fizerem essas quatro coisas, prometo que terão uma vida frutífera, grande alegria e inúmeras realizações, que lhes proporcionarão satisfação em todos os aspectos.

Que o Senhor as abençoe, minhas queridas jovens irmãs; que Suas bênçãos as acompanhem em todos os momentos e em todas as situações. Nós as amamos e oramos por vocês. Que o céu sorria para vocês, é o que rogo humildemente, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.