sábado, 21 de maio de 2011

O Amor e a Lei

Élder Dallin H. Oaks
Do Quórum dos Doze Apóstolos

O amor de Deus não suplanta Suas leis e Seus mandamentos, e a eficácia das leis e dos mandamentos de Deus não deprecia o propósito e a eficácia de Seu amor.

Senti-me impelido a falar a respeito do amor e dos mandamentos de Deus. Minha mensagem trata do amor universal e perfeito de Deus, demonstrado em todas as bênçãos de Seu plano do evangelho, incluindo-se o fato de que Suas bênçãos mais especiais estão reservadas àqueles que obedecem Suas leis.1 Esses são os princípios eternos que devem orientar os pais em seu amor a seus filhos e nos ensinamentos que lhes proporcionam.

I.

Começo com quatro exemplos que ilustram certa confusão crucial entre o amor e a lei.

• Um jovem adulto que vive maritalmente com outra pessoa diz a seus tristes pais: “Se vocês realmente me amassem, nos aceitariam da mesma forma que aceitam seus filhos casados”.
• Um jovem reage às ordens ou pressões dos pais, declarando: “Se vocês me amassem, não me forçariam a nada”.

Nesses exemplos, uma pessoa que está violando os mandamentos afirma que o amor dos pais deve passar por cima dos mandamentos da lei divina e dos ensinamentos paternos.

Os dois próximos exemplos demonstram como os mortais se confundem a respeito da eficácia do amor de Deus.

• Certa pessoa rejeita a doutrina de que um casal deva ser casado para a eternidade, para poder usufruir os relacionamentos familiares da vida futura, declarando: “Se Deus realmente nos ama, não posso acreditar que separaria o marido de sua esposa dessa forma”.
• Outra pessoa diz que sua fé foi abalada pelo sofrimento que Deus permite que seja infligido a uma pessoa ou raça, concluindo: “Se houvesse um Deus que nos amasse, Ele não permitiria que isso ocorresse”.

Essas pessoas não acreditam nas leis eternas que consideram contrárias aos seus conceitos da eficácia do amor de Deus. Aqueles que assumem essa posição não compreendem a natureza do amor Divino ou o propósito de Suas leis e Seus mandamentos. O amor de Deus não suplanta Suas leis e Seus mandamentos, e a eficácia das leis e dos mandamentos de Deus não deprecia o propósito e a eficácia de Seu amor. O mesmo deveria ser verdade no que diz respeito ao amor e às regras paternos.

II.

Considerem, primeiramente, o amor de Deus, como foi descrito tão significativamente pelo Presidente Dieter F. Uchtdorf. “Quem nos separará do amor de Cristo?” perguntou o Apóstolo Paulo. Nem a tribulação; nem a perseguição; nem o perigo ou a espada (ver Romanos 8:35). “Porque estou certo de que”, concluiu ele, “nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, (...) nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus” (vv. 38–39).

Não existe maior evidência do poder e da perfeição infinitos do amor de Deus do que as palavras do Apóstolo João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16). Outro Apóstolo escreveu que Deus “nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós” (Romanos 8:32). Pensem em como deve ter afligido nosso Pai Celestial enviar Seu Filho para suportar por nossos pecados um sofrimento incompreensível. Essa é a maior evidência de Seu amor a cada um de nós!

O amor que Deus tem por Seus filhos é uma realidade eterna, mas, por que Ele nos ama tanto, e por que desejamos esse amor? A resposta é encontrada no relacionamento entre o amor de Deus e as Suas leis.

Alguns parecem dar valor ao amor de Deus por esperarem que esse amor seja tão grande e tão incondicional que os dispensará misericordiosamente de obedecer a Suas leis. Ao contrário, os que compreendem o plano de Deus para Seus filhos, sabem que as leis Dele são invariáveis, e essa realidade é outra grande evidência de Seu amor por nós. A misericórdia não pode roubar a justiça2, e aqueles que obtêm misericórdia são “os que guardaram o convênio e observaram o mandamento” (D&C 54:6).

Lemos repetidamente na Bíblia e nas escrituras modernas a respeito da “indignação” de Deus com os iníquos3 e de Sua ira4 contra os que violam Suas leis. Como a indignação e a ira evidenciam Seu amor? Joseph Smith ensinou que Deus instituiu “leis por meio das quais eles poderiam ter o privilégio de progredir como Ele próprio”.5 O amor de Deus é tão perfeito, que faz com que Ele exija amorosamente que obedeçamos aos Seus mandamentos, porque Ele sabe que somente por obediência a Suas leis podemos tornar-nos perfeitos como Ele é. Por essa razão, a ira de Deus e o ardor dessa ira não constituem uma contradição de Seu amor, mas uma evidência de Seu amor. Pais e mães sabem que se pode amar total e completamente a um filho e ao mesmo tempo demonstrar criativamente sua ira e decepção com o comportamento prejudicial desse filho contra si mesmo.

O amor de Deus é tão universal que Seu plano perfeito confere muitos dons a todos os Seus filhos, mesmo àqueles que desobedecem Suas leis. A mortalidade é um desses dons, concedida a todos os que se qualificaram na Guerra nos Céus.6 Outra dádiva incondicional é a Ressurreição universal. “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (I Coríntios 15:22). Muitos outros dons mortais não estão condicionados a nossa obediência pessoal à lei. Como ensinou Jesus, nosso Pai Celestial “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45).

Se simplesmente nos dispusermos a ouvir, poderemos conhecer o amor de Deus e senti-lo, mesmo quando somos desobedientes. Uma senhora que voltou recentemente à atividade na Igreja, deu esta descrição em um discurso na reunião sacramental: “Ele sempre estava lá para atender-me, mesmo quando eu O rejeitava. Ele sempre me guiava, confortando-me com Suas ternas misericórdias, mas eu [estava] tão revoltada, que não via nem aceitava o que me ocorria e os sentimentos que eu tinha como frutos dessas ternas misericórdias”.7

III.

As mais excelentes bênçãos de Deus estão claramente condicionadas à obediência às leis e aos mandamentos de Deus. O ensino-chave encontra-se na revelação moderna:

“Há uma lei, irrevogavelmente decretada no céu antes da fundação deste mundo, na qual todas as bênçãos se baseiam —

E quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia” (D&C 130:20–21).

Esse grande princípio nos ajuda a entender o porquê de muitas coisas, tais como a justiça e a misericórdia compensadas pela Expiação. Explica também por que Deus não impedirá o exercício do livre-arbítrio por Seus filhos. O livre-arbítrio — nossa capacidade de escolher — é fundamental para o plano do evangelho que nos trouxe à Terra. Deus não intervém para impedir as consequências das escolhas de alguns, a fim de proteger o bem-estar de outros — mesmo quando matam, ferem ou oprimem uns aos outros — isso destruiria Seu plano para nosso progresso eterno.8 Ele nos abençoará, para que suportemos as consequências das escolhas dos outros, porém não impedirá essas escolhas.9

Se uma pessoa entender os ensinamentos de Jesus, não poderá concluir razoavelmente que nosso amantíssimo Pai Celestial ou Seu divino Filho crê que Seu amor suplante Seus mandamentos. Pensem nestes exemplos.

Quando Jesus iniciou Seu ministério, Sua primeira mensagem foi sobre o arrependimento.10

Quando Ele exerceu terna misericórdia, não condenando a mulher apanhada em adultério, disse-lhe, apesar disso: “Vai-te, e não peques mais” (João 8:11).

Jesus ensinou: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 7:21).

A finalidade dos mandamentos e das leis de Deus não muda para adaptar-se ao comportamento ou aos desejos dos outros. Se alguém acha que o amor de Deus ou dos pais por uma pessoa lhe concede a licença para desobedecer à lei, não entende nem o amor nem a lei. O Senhor declarou: “Aquilo que transgride uma lei e não obedece à lei, mas procura tornar-se uma lei para si mesmo e prefere permanecer no pecado, nele permanecendo inteiramente, não pode ser santificado por lei nem por misericórdia, justiça ou julgamento. Portanto permanece imundo ainda” (D&C 88:35).

Lemos na revelação moderna: “A todos os reinos se deu uma lei” (D&C 88:36). Por exemplo:

“Porque aquele que não consegue viver a lei de um reino celestial não consegue suportar uma glória celestial.

E aquele que não consegue viver a lei de um reino terrestre não consegue suportar uma glória terrestre.

E aquele que não consegue viver a lei de um reino telestial não consegue suportar uma glória telestial” (D&C 88:22–24).

Em outras palavras, o reino de glória a que o Julgamento Final nos designar não é determinado pelo amor, mas pela lei que Deus invocou em Seu plano a fim de nos qualificar para a vida eterna, “o maior de todos os dons de Deus” (D&C 14:7).

IV.

Ao ensinar e interagir com os filhos, os pais têm muitas oportunidades de aplicar esses princípios. Uma dessas circunstâncias tem a ver com os dons que os pais conferem aos filhos. Assim como Deus conferiu alguns dons a todos os Seus filhos mortais, sem lhes exigir obediência pessoal a Suas leis, os pais concedem muitos benefícios como teto e alimento, mesmo que seus filhos não estejam em total harmonia com todos os requisitos paternos. Mas, seguindo o exemplo de um Pai Celestial plenamente sábio e amoroso, que deu leis e mandamentos para o benefício de Seus filhos, os pais sábios condicionam alguns dons paternos à obediência.

Se os pais têm um filho rebelde — como um adolescente que use bebidas alcoólicas ou drogas — eles enfrentam um sério problema. Será que, por amor ao filho, os pais precisam permitir que ele guarde ou use tais substâncias em casa? Ou será que, por causa da lei civil, ou da gravidade dessa conduta, ou ainda para proteger os interesses dos outros filhos, isso tem que ser proibido?

Para apresentar uma questão ainda mais séria, se um filho adulto vive maritalmente com outra pessoa, será que a gravidade das relações sexuais fora dos laços do casamento exige que esse filho sinta todo o peso da desaprovação da família e seja excluído de quaisquer contatos com a família? Ou será que o amor paterno exige que se ignore esse fato? Já vi esses dois extremos e creio que ambos são impróprios.

Quais são os limites que os pais podem impor? Essa é uma questão de sabedoria dos pais, orientada pela inspiração do Senhor. Não existe área de ação paterna em que seja mais necessária a orientação Celestial ou em que ela seja mais propensa a acontecer do que nas decisões dos pais ao educarem seus filhos e governarem sua família. Esta é a obra da eternidade.

Ao se depararem com esses problemas, os pais precisam lembrar-se do ensinamento do Senhor, de que devemos deixar as noventa e nove ovelhas e irmos para o deserto, a fim de resgatar a que está perdida.11 O Presidente Thomas S. Monson conclamou: uma cruzada amorosa para resgatar nossos irmãos e irmãs que vagueiam no deserto da apatia ou ignorância.12 Esses ensinamentos exigem uma preocupação amorosa contínua, que certamente requer associações amorosas permanentes.

Os pais devem também lembrar-se do ensino frequente do Senhor de que “o Senhor corrige o que ama” (Hebreus 12:6).13 Em seu discurso “Ensinai-nos Tolerância e Amor”, na conferência de abril de 1994, o Élder Russell M. Nelson ensinou que “o verdadeiro amor pelo pecador pode exigir uma confrontação corajosa — em vez de condescendência! O amor verdadeiro não encoraja um comportamento de autodestruição”.14

Onde quer que seja traçada a linha divisória entre o poder do amor e a força da lei, a quebra dos mandamentos causará, certamente, um impacto sobre os relacionamentos de amor da família. Jesus ensinou:

“Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dissensão;

Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três.

O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe” (Lucas 12:51–53).

Esse solene ensinamento nos lembra que, quando os familiares não estão unidos no esforço para guardar os mandamentos de Deus, haverá divisões. Fazemos tudo que podemos para evitar a quebra dos relacionamentos de amor, mas às vezes isso ocorre, apesar de tudo que podemos fazer.

No meio de tal pressão, precisamos suportar a realidade de que o afastamento de nossos entes queridos diminuirá nossa felicidade, contudo, não deve diminuir nosso amor mútuo ou nossos esforços pacientes para nos unirmos, a fim de entender o amor de Deus e as leis Dele.

Testifico-lhes quanto à veracidade dessas coisas que fazem parte do plano de salvação e da doutrina de Cristo, de Quem testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Receber Orientação Espiritual

Élder Richard G. Scott
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual.

Ao longo dos séculos, muitos conseguiram obter orientação útil para enfrentar os desafios da própria vida, ao seguir o exemplo de outras pessoas respeitáveis que resolveram problemas semelhantes. Hoje, as condições de vida mudam com tal rapidez que essa estratégia nem sempre se torna possível.

Pessoalmente, regozijo-me com essa realidade, porque ela cria uma condição na qual, necessariamente, ficamos mais dependentes do Espírito para nos guiar em meio às vicissitudes da vida. Dessa forma, somos levados a buscar inspiração pessoal para as decisões importantes da vida.

O que você pode fazer a fim de ampliar sua capacidade de ser orientado para tomar decisões corretas na vida? Quais são os princípios dos quais depende a comunicação espiritual? Quais são as barreiras em potencial que você deve evitar para obter essa comunicação?

O Presidente John Taylor escreveu: “Joseph Smith, há mais de quarenta anos, disse-me: ‘Irmão Taylor, você recebeu o Espírito Santo. Agora, siga a influência desse Espírito e Ele o guiará a toda verdade, até que, aos poucos, ela se tornará em você um princípio de revelação’. Em seguida, disse-me para nunca começar o dia sem curvar-me diante do Senhor e dedicar-me a Ele durante esse dia”.1

O Pai Celestial sabia que você enfrentaria desafios e que deveria tomar certas decisões cujas alternativas corretas estariam além da sua capacidade de discernir. Em Seu plano de felicidade, Ele incluiu o recurso que lhe permite receber ajuda em tais desafios e decisões durante sua vida mortal. Essa ajuda lhe chegará por meio do Espírito Santo, como orientação espiritual. É um poder além de sua capacidade, que o amoroso Pai Celestial deseja que você utilize de maneira consistente para ter paz e felicidade.

Tenho a convicção de que não existe uma fórmula ou técnica simples que, de imediato, permita-lhe dominar a capacidade de ser orientado pela voz do Espírito. Nosso Pai espera que você aprenda a obter essa ajuda divina pelo exercício da fé Nele e em Seu Santo Filho, Jesus Cristo. Se você recebesse orientação inspirada só por pedir, ficaria fraco e cada vez mais dependente Deles. Eles sabem que o crescimento pessoal essencial virá à medida que você aprenda a ser guiado pelo Espírito.

O que, a princípio, parece ser uma tarefa temerária, torna-se muito mais fácil com o tempo, se você se esforçar consistentemente para reconhecer e seguir os sentimentos propiciados pelo Espírito. Sua confiança na orientação recebida do Espírito Santo também se fortalecerá. Testifico-lhe que, à medida que ganhar experiência e for bem-sucedido ao ser orientado pelo Espírito, sua confiança nesses sussurros se tornará maior do que sua dependência daquilo que você vê ou ouve.

A espiritualidade gera dois frutos. O primeiro é a inspiração, saber o que fazer. O segundo é o poder, ou a capacidade de fazê-lo. Essas duas habilidades vêm juntas. É por isso que Néfi pôde dizer: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor”.2 Ele conhecia as leis espirituais nas quais se baseiam a inspiração e o poder. Sim, Deus responde às orações e dá-nos orientação espiritual quando somos obedientes e exercemos a necessária fé Nele.

Quero compartilhar uma experiência que me ensinou uma forma de receber orientação espiritual. Certo domingo, assisti à reunião do sacerdócio em um ramo hispânico na Cidade do México. Lembro-me claramente de como o humilde líder do sacerdócio, um mexicano, esforçava-se para comunicar as verdades do evangelho contidas na lição. Observei o desejo intenso que ele tinha de compartilhar com os membros de seu quórum aqueles princípios que ele valorizava tanto. Ele reconhecia que eram de grande valia para os irmãos presentes. Em seus modos havia uma evidência do puro amor do Salvador e do amor por aqueles a quem ensinava.

Sua sinceridade, pureza de propósito e amor permitiram que uma força espiritual envolvesse a classe. Fiquei profundamente comovido. Logo comecei a receber impressões pessoais como extensão dos princípios ensinados por aquele humilde instrutor. Era inspiração pessoal, relacionada a minhas responsabilidades na área. Era a resposta por meus esforços prolongados, em espírito de oração, para aprender.

À medida que cada impressão chegava, eu as anotava fielmente. Nesse processo, recebi verdades preciosas das quais eu muito necessitava para ser um servo mais eficaz do Senhor. Os detalhes dessa comunicação são sagrados e, como uma bênção patriarcal, foram para o meu próprio benefício. Recebi orientações e instruções específicas, além de promessas condicionais que alteraram o curso da minha vida para melhor.

Pouco tempo depois, assisti à aula da Escola Dominical de nossa ala, em que um visitante muito culto deu a aula. Essa experiência foi um contraste chocante com aquela que eu havia desfrutado na reunião do sacerdócio. Pareceu-me que o instrutor tinha, propositalmente, escolhido referências obscuras e exemplos incomuns para ilustrar os princípios da lição. Tive a nítida sensação de que o instrutor usava aquela oportunidade de ensino para impressionar a classe com seu vasto acervo de conhecimento. De qualquer forma, ele não parecia ter a intenção de comunicar princípios, como havia feito o humilde líder do sacerdócio.

Naquelas circunstâncias, fortes impressões começaram a fluir para mim de novo. Eu as anotei. A mensagem incluía conselhos específicos sobre como me tornar um instrumento mais eficaz nas mãos do Senhor. Recebi tal influxo de impressões — tão pessoais — que senti não ser apropriado registrá-las em meio a uma aula da Escola Dominical. Procurei um lugar mais sossegado e continuei a anotar tão fielmente quanto possível os sentimentos que inundaram minha mente e meu coração. Depois de registrar cada vigorosa impressão, ponderei sobre os sentimentos que tivera, a fim de determinar se os tinha expressado por escrito com precisão. Depois de ponderar, fiz algumas pequenas alterações no que tinha escrito. Em seguida, estudei o significado e a aplicação delas em minha própria vida.

Orei, depois, repassando com o Senhor o que eu achava que me havia sido ensinado pelo Espírito. Quando me sobreveio um sentimento de paz, agradeci a Ele pela orientação dada. Senti então que devia perguntar-Lhe se ainda havia mais a caminho. Recebi outras impressões e repeti o processo de escrevê-las, de ponderar sobre elas e orar por confirmação. Mais uma vez fui levado a perguntar: “Há algo mais que eu deva saber?” E havia. Ao encerrar-se aquela última e sagrada experiência, eu havia recebido algumas das orientações mais preciosas, específicas e pessoais que alguém poderia esperar receber nesta vida. Se eu não tivesse dado ouvidos às primeiras impressões, se não as tivesse registrado, não teria recebido a última e mais preciosa orientação.

O que descrevi não é uma experiência isolada. Ela engloba vários princípios verdadeiros relacionados à comunicação entre o Senhor e Seus filhos aqui na Terra. Creio que você pode deixar de ouvir a orientação mais preciosa e pessoal do Espírito se não der ouvidos, se não registrar nem aplicar as inspirações que lhe vierem.

As impressões do Espírito podem vir em resposta a uma oração urgente ou até sem serem pedidas, quando há necessidade. Às vezes o Senhor lhe revela uma verdade, apesar de não a estar buscando ativamente, como quando você está em perigo sem o saber. No entanto, o Senhor não o forçará a aprender. Você deve exercer seu livre-arbítrio para autorizar o Espírito a lhe ensinar. Ao tornar isso um hábito na vida, você ficará mais perceptivo aos sentimentos que acompanham a orientação espiritual. Assim, quando a orientação chega — às vezes, quando você menos espera — você a reconhece com mais facilidade.

A influência inspiradora do Espírito Santo pode ser abafada ou mascarada por emoções fortes como a raiva, o ódio, a paixão, o medo ou o orgulho. Quando essas influências se apresentam, é o mesmo que procurar saborear o delicado sabor de uma uva tendo na boca uma forte pimenta. Ambos os sabores estão presentes, mas um se sobrepõe completamente ao outro. Semelhantemente, as emoções fortes sobrepõem-se aos delicados sussurros do Espírito Santo.

O pecado vicia, degenera e leva a outros tipos de corrupção, amortecendo a espiritualidade, a consciência e a razão, cegando-nos para a realidade. É contagioso, destrói a mente, o corpo e o espírito. O pecado é espiritualmente corrosivo. Se não for contido, ele nos consome. Ele é vencido pelo arrependimento e pela retidão.

Faço-lhe uma advertência. Satanás é perito em bloquear a comunicação espiritual. Ele induz as pessoas, por meio da tentação, a violar as leis sobre as quais se fundamenta a comunicação espiritual. Ele é capaz de convencer alguns de que são incapazes de receber tais orientações do Senhor.

Satanás tornou-se mestre no uso do poder viciante da pornografia a fim de limitar a capacidade de as pessoas serem guiadas pelo Espírito. O ataque da pornografia sob todas as suas formas doentias, malignas e corrosivas tem causado muito sofrimento, dor, angústia e tem destruído casamentos. Ela é uma das mais danosas influências na Terra. Tanto em páginas impressas, no cinema, na televisão, nas músicas com letras obscenas e nos serviços telefônicos, quanto nas telas do computador, a pornografia é incrivelmente viciante e terrivelmente destrutiva. Essa possante ferramenta de Lúcifer degrada a mente, o coração e a alma de qualquer um que a use. Todos os que caem em sua rede tentadora e tormentosa e ali permanecem acabarão viciados nessa influência imoral e destruidora. Muitos não conseguem livrar-se desse vício sem ajuda. A trágica sequência é conhecida. Começa com a curiosidade, incentivada pelo estímulo que apresenta, e se justifica pela falsa premissa de que, em particular, não prejudica mais ninguém. Para os que são atraídos por essa mentira, a experimentação avança, com estímulos mais fortes, até que a armadilha se fecha e um hábito terrivelmente imoral e viciante assume o controle.

A participação em pornografia, sob qualquer de suas formas sinistras, é demonstração de egoísmo sem limites. Como é possível que um homem, especialmente um portador do sacerdócio, não pense no dano emocional e espiritual causado às mulheres, principalmente à esposa, por esse hábito degradante?

Bem disse o inspirado Néfi: “E [o diabo os] (…) pacificará e acalentará com segurança carnal, (…) e assim [ele] engana suas almas e os conduz cuidadosamente ao inferno”.3

Se você caiu na armadilha da pornografia, assuma integralmente o compromisso de abandoná-la. Encontre um lugar calmo e ore urgentemente pedindo auxílio e apoio. Seja paciente e obediente. Não desista.

Pais: saibam que o vício da pornografia pode começar bem cedo nos jovens. Tomem medidas preventivas para evitar essa tragédia. Presidentes de estaca e bispos, façam um alerta contra esse mal. Convidem todos os que vocês considerem presas desse mal a procurar ajuda com vocês.

A pessoa com padrões sedimentados e um comprometimento duradouro de obediência não será facilmente desviada. Aquele que, cada vez mais, repele o grave pecado e exerce autocontrole sem influência humana externa, possui firmeza de caráter. O arrependimento será mais efetivo para essa pessoa. O remorso após o erro é solo fértil em que o arrependimento pode florescer.

Seja paciente, à medida que aperfeiçoa sua capacidade de ser guiado pelo Espírito. Com cuidadosa prática e aplicação de princípios corretos, refletindo com sensibilidade sobre os sentimentos que sobrevierem, você receberá orientação espiritual. Presto testemunho de que o Senhor, por meio do Espírito Santo, pode falar a nossa mente e ao nosso coração. Às vezes, essas impressões são apenas sentimentos genéricos. Outras vezes, o direcionamento vem com tal clareza e certeza que pode até ser escrito, como um ditado espiritual.4

Presto solene testemunho de que, ao orar com fervor na alma, com humildade e gratidão, você poderá aprender a ser guiado de maneira consistente pelo Espírito Santo em todos os aspectos da vida. Já confirmei a verdade desse princípio no momento mais difícil de minha vida. Testifico que você pode aprender a controlar pessoalmente os princípios que lhe permitem ser guiado pelo Espírito. Dessa maneira, o Salvador poderá guiá-lo para vencer os desafios da vida e desfrutar grande paz e felicidade. Em nome de Jesus Cristo. Amém.
Notas

1. John Taylor, The Gospel Kingdom, ed. G. Homer Durham (1943), pp. 43–44.

2. 1 Néfi 3:7.

3. 2 Néfi 28:21.

4. Ver D&C 8:2.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Duas Linhas de Comunicação

Dallin H. Oaks
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal.

O Senhor deu a Seus filhos duas linhas para comunicar-nos com Ele, que poderíamos chamar de linha pessoal e linha do sacerdócio. Todos nós devemos conhecer e ser guiados por essas duas linhas de comunicação essenciais.

I A Linha Pessoal

Na linha pessoal, oramos diretamente ao Pai Celestial, e Ele nos responde pelos canais que estabeleceu, sem nenhum intermediário mortal. Oramos a nosso Pai Celestial, em nome de Jesus Cristo, e Ele nos responde por intermédio de Seu Santo Espírito e de outras maneiras. A missão do Espírito Santo é prestar testemunho do Pai e do Filho (ver João 15:26; 2 Néfi 31:18; 3 Néfi 28:11), guiar-nos À verdade (ver João 14:26; 16:13), e mostrar-nos todas as coisas que devemos fazer (ver 2 Néfi 32:5). Essa linha pessoal de comunicação com nosso Pai Celestial por intermédio de Seu Santo Espírito é a fonte de nosso testemunho da verdade, de nosso conhecimento e de nossa orientação pessoal pelo amoroso Pai Celestial. É um elemento essencial de Seu maravilhoso plano do evangelho, que permite a cada um de Seus filhos receber um testemunho pessoal de sua veracidade.

O canal pessoal e direto de comunicação com nosso Pai Celestial por meio do Espírito Santo baseia-se na dignidade, e é tão essencial que recebemos o mandamento de renovar nossos convênios tomando o sacramento a cada dia do Senhor. Desse modo, tornamo-nos dignos da promessa de ter sempre conosco Seu Espírito para guiar-nos.

E nessa linha pessoal de comunicação com o Senhor, nossas crenças e práticas são semelhantes às dos cristãos que pregam que não são necessários mediadores humanos entre Deus e o homem, porque todos temos acesso direto a Deus, segundo o princípio apoiado por Martinho Lutero, atualmente conhecido como “o sacerdócio de todos os crentes”. Falarei mais a esse respeito daqui a pouco.

A linha pessoal é de suprema importância nas decisões pessoais e no governo da família. Infelizmente, alguns membros de nossa Igreja subestimam a necessidade dessa linha direta e pessoal. Respondendo à indubitável importância da liderança profética — a linha do sacerdócio, que funciona principalmente para governar a comunicação celeste nos assuntos da Igreja — alguns procuram fazer com que seus líderes do sacerdócio tomem as decisões pessoais por eles, decisões essas que deveriam tomar por si mesmos por inspiração, por meio de sua linha pessoal. As decisões pessoais e o governo da família são primordialmente um assunto para a linha pessoal.

Sinto que devo acrescentar outros cuidados que devemos tomar em relação a essa preciosa linha direta de comunicação com o Pai Celestial.

Em primeiro lugar, em sua plenitude, a linha pessoal não funciona independentemente da linha do sacerdócio. O Dom do Espírito Santo — meio de comunicação entre Deus e o homem — é conferido pela autoridade do sacerdócio, quando autorizado por aqueles que possuem as chaves do sacerdócio. Não vem simplesmente por desejo ou crença. E o direito da companhia constante do Espírito precisa ser confirmado a cada dia do Senhor, ao tomarmos dignamente o sacramento e renovarmos nossos convênios batismais de obediência e serviço.

Semelhantemente, não podemos comunicar-nos de modo confiável por meio da linha direta pessoal se formos desobedientes ou se estivermos em desarmonia com a linha do sacerdócio. O Senhor declarou que “os direitos do sacerdócio são inseparavelmente ligados com os poderes do céu e que os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão” (D&C 121:36). Infelizmente, é comum que pessoas que violam os mandamentos de Deus ou são desobedientes aos conselhos de seus líderes do sacerdócio declararem que Deus lhes revelou que não precisam obedecer a alguns mandamentos ou seguir certos conselhos. Essas pessoas podem receber revelação ou inspiração, mas não da fonte que supõem. O diabo é o pai das mentiras e está sempre ansioso por frustrar o trabalho de Deus com suas imitações astutas.

II. A Linha do Sacerdócio

Diferentemente da linha pessoal, na qual nosso Pai Celestial Se comunica conosco diretamente por meio do Espírito Santo, a linha de comunicação do sacerdócio tem como intermediários adicionais e necessários nosso Salvador Jesus Cristo, Sua Igreja e Seus líderes designados.

Devido ao que Ele realizou por meio de Seu sacrifício expiatório, Jesus Cristo tem o poder de determinar as condições que precisamos cumprir para qualificar-nos para as bênçãos de Sua Expiação. É por isso que temos mandamentos e ordenanças. É por isso que fazemos convênios. É assim que nos qualificamos para as bênçãos prometidas. Tudo isso vem por intermédio da misericórdia e graça do Santo de Israel “depois de tudo o que pudermos fazer” (2 Néfi 25:23).

Durante Seu ministério terreno, Jesus Cristo conferiu a autoridade do sacerdócio que leva Seu nome e estabeleceu uma Igreja, que também leva o Seu nome. Nesta última dispensação, Sua autoridade do sacerdócio foi restaurada e Sua Igreja foi restabelecida por meio de ministração celeste ao Profeta Joseph Smith. Esse sacerdócio restaurado e essa Igreja restabelecida estão no cerne da linha do sacerdócio.

A linha do sacerdócio é o canal pelo qual Deus falou a Seus filhos por meio das escrituras no passado. E é essa linha pela qual Ele fala atualmente por meio dos ensinamentos e conselhos dos profetas e apóstolos vivos e de outros líderes inspirados. Esse é o meio pelo qual recebemos as ordenanças necessárias. Esse é o meio pelo qual recebemos chamados para servir em Sua Igreja. Sua Igreja é o meio e Seu sacerdócio é o poder por meio do qual temos o privilégio de participar de atividades cooperativas que são essenciais para a realização da obra do Senhor. Elas incluem a pregação do evangelho, a construção de templos e capelas, e o auxílio aos pobres.

No tocante a essa linha do sacerdócio, nossas crenças e práticas são semelhantes às de alguns cristãos que pregam que as ordenanças autorizadas (sacramentos) são essenciais e precisam ser realizadas por alguém que tenha sido autorizado e comissionado por Jesus Cristo (ver João 15:16). Também cremos nisso, mas evidentemente divergimos de outros cristãos em relação a como essa autoridade chega até nós.

Alguns membros e ex-membros de nossa Igreja não reconhecem a importância da linha do sacerdócio. Subestimam a importância da Igreja e de seus líderes e programas. Confiam inteiramente na linha pessoal, seguem seu próprio caminho, propondo-se a definir doutrinas e a dirigir organizações concorrentes que pregam coisas contrárias aos ensinamentos dos líderes–profetas. Nisso, espelham a atual hostilidade àquela que é depreciativamente chamada de “religião organizada”. Aqueles que rejeitam a necessidade de uma religião organizada rejeitam a obra do Mestre, que estabeleceu Sua Igreja e seus líderes no meridiano dos tempos e que os restabeleceu em tempos modernos.

A religião organizada, estabelecida por autoridade divina, é essencial, conforme ensinou o Apóstolo Paulo:

“Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;

Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:12–13).

Todos devemos nos lembrar da declaração do Senhor na revelação moderna de que a voz dos servos do Senhor é a voz do Senhor (ver D&C 1:38; 21:5; 68:4).

Sinto que devo acrescentar duas advertências que devemos lembrar em relação à confiança na linha vital do sacerdócio.

Em primeiro lugar, a linha do sacerdócio não elimina a necessidade da linha pessoal. Todos nós precisamos de um testemunho pessoal da verdade. À medida que nossa fé se desenvolve, precisamos confiar na fé e nas palavras de outras pessoas, como nossos pais, professores ou líderes do sacerdócio (ver D&C 46:14). Mas, se dependermos unicamente de um determinado líder do sacerdócio ou de um professor para nosso testemunho pessoal da verdade, em vez de obtermos esse testemunho por meio da linha pessoal, estaremos sempre vulneráveis a desapontamentos causados pelas ações dessa pessoa. No tocante a um conhecimento amadurecido ou testemunho da verdade, não devemos depender de um mediador mortal que se interponha entre nós e o Pai Celestial.

Em segundo lugar, tal como na linha pessoal, a linha do sacerdócio não pode funcionar plena e devidamente em nosso benefício a não ser que sejamos dignos e obedientes. Muitas escrituras ensinam que, se alguém persistir na violação grave dos mandamentos de Deus, será “afastado de sua presença” (Alma 38:1). Quando isso acontece, o Senhor e Seus servos ficam grandemente limitados para dar-nos auxílio espiritual, e não podemos obtê-lo por nós mesmos.

A história nos fornece um exemplo vívido da importância de que os servos do Senhor estejam em sintonia com o Espírito. O jovem Profeta Joseph Smith não conseguia traduzir quando estava zangado ou perturbado.

David Whitmer relembrou: “Certa manhã, quando ele estava-se aprontando para continuar a tradução, houve um problema em sua casa que o deixou irritado. Foi algo que sua esposa Emma fizera. Oliver e eu subimos ao andar de cima, e Joseph logo chegou para continuar a tradução, mas não conseguiu fazer nada. Não conseguia traduzir uma única sílaba. Desceu as escadas, foi ao pomar e suplicou ao Senhor. Ficou ali por uma hora, voltou para casa, pediu perdão a Emma e, então, subiu as escadas para onde estávamos, e a tradução prosseguiu sem problemas. Ele não conseguia fazer nada, a menos que fosse humilde e fiel.”1
III. A Necessidade de Ambas as Linhas

Concluirei com mais alguns exemplos da necessidade que temos de ambas as linhas que o Pai Celestial estabeleceu para a comunicação com Seus filhos. Ambas são essenciais para o cumprimento de Seu propósito de levar a efeito a imortalidade e vida eterna de Seus filhos. Um antigo relato das escrituras sobre essa necessidade é o conselho dado a Moisés por seu sogro, Jetro, de que não deveria fazer tantas coisas. As pessoas esperavam diante de seu líder do sacerdócio de manhã até a noite para “consultar a Deus” (Êxodo 18:15) e também para “[julgar] entre um e outro” (v. 16). Sempre mencionamos como Jetro aconselhou Moisés a nomear juízes para lidar com os conflitos das pessoas (ver vv. 21–22). Mas Jetro também deu a Moisés um conselho que ilustra a importância da linha pessoal: “E declara-lhes os estatutos e as leis, e faze-lhes saber o caminho em que devem andar, e a obra que [eles] devem fazer” (v. 20; grifo do autor).

Em outras palavras, ele deveria ensinar os filhos de Israel a não levarem todas as questões ao seu líder do sacerdócio. Eles deveriam conhecer os mandamentos e buscar inspiração para resolver por si mesmos os seus problemas.

Acontecimentos recentes no Chile ilustram a necessidade das duas linhas. Houve um terremoto devastador no Chile. Muitos de nossos membros perderam a casa, alguns perderam familiares. Muitos perderam a confiança. Mas — como nossa Igreja está preparada para atender a esses desastres — rapidamente foram enviados suprimentos, abrigos e outros auxílios materiais. Os santos do Chile ouviram a voz do Senhor por meio de Sua Igreja e de seus líderes, e atenderam a suas necessidades materiais. Mas, por melhor que funcionasse a linha do sacerdócio, não era o suficiente. Cada membro precisou buscar o Senhor em oração e receber a mensagem direta de consolo e orientação que vem por intermédio do Santo Espírito aos que buscam e ouvem.

Nosso trabalho missionário é outro exemplo da necessidade das duas linhas. Os homens e as mulheres que são chamados como missionários são dignos e dispostos graças aos ensinamentos que receberam por meio da linha do sacerdócio e do testemunho que receberam por meio da linha pessoal. São chamados por meio da linha do sacerdócio. Então, como representantes do Senhor e sob a direção de Sua linha do sacerdócio, eles ensinam os pesquisadores. Aqueles que buscam sinceramente a verdade ouvem a mensagem, e os missionários os incentivam a orar para saber se é verdadeira, por eles mesmos, por meio da linha pessoal.

Um último exemplo aplica esses princípios à questão da autoridade do sacerdócio na família e na Igreja.2 Toda autoridade do sacerdócio na Igreja funciona sob a direção daquele que possui as devidas chaves do sacerdócio. Essa é a linha do sacerdócio. Mas a autoridade que preside na família — seja o pai, ou a mãe que cria os filhos sozinha — funciona nos assuntos familiares sem a necessidade da autorização de alguém que possua as chaves do sacerdócio. É como a linha pessoal. Ambas as linhas precisam funcionar em nossa vida familiar e em nossa vida pessoal, se quisermos crescer e alcançar o propósito explicado no plano de nosso Pai Celestial para Seus filhos.

Precisamos usar tanto a linha pessoal quanto a linha do sacerdócio, devidamente equilibradas, para atingir o crescimento que é o propósito da vida mortal. Se a prática religiosa pessoal depender unicamente da linha pessoal, o individualismo apaga a importância da autoridade divina. Se a prática religiosa pessoal depender demasiadamente da linha do sacerdócio, o crescimento individual fica prejudicado. Os filhos de Deus precisam de ambas as linhas para alcançar seu destino eterno. O evangelho restaurado ensina as duas, e a Igreja restaurada oferece as duas.

Testifico-lhes do profeta do Senhor, o Presidente Thomas S. Monson, que possui as chaves que governam a linha do sacerdócio. Testifico do Senhor Jesus Cristo, a Quem pertence esta Igreja. E testifico do evangelho restaurado, cuja verdade está à disposição de cada um de nós por meio da preciosa ligação pessoal com nosso Pai Celestial. Em nome de Jesus Cristo. Amém.