terça-feira, 18 de outubro de 2011

Os Elementos Reuniram-se Para Ensinar-me uma Lição

Márcio Antônio
Membro da Ala Alvorada/RS

Como pode a neblina esconder todas as belezas da natureza sem me avisar? e tão rápido ao ponto de me assustar?


No periodo de minhas férias do trabalho, comecei como de costume a entregar-me a alguns entretenimentos domésticos, como assistir filmes até tarde da noite no dvd, dormir mais do que o necessário no dia seguinte... e aos poucos fui perdendo o controle de minhas atividades. Muitos no trabalho diziam me para descansar bastante, pois logo acabariam as férias e eu teria que voltar para a correria do dia a dia. Tudo bem... pensei, nos primeiros dez dias foi uma maravilha, acordava tarde, dormia tarde, comia mau e sem horario definido, comecei a ganhar peso, tentava ficar acordado o máximo de horas do dia que antecedeu a noite em claro e cada vez mais sentia sobre os ombros o peso da desobediência. Estava literalmente quebrando um mandamento vindo diretamente de Deus para a manutenção física, mas isso nem me passava pela cabeça.

No décimo Quinto dia de férias, mais uma vez não consegui dormir e sai de casa bem cedo para caminhar ao sol, fazer alguns exercicios com uma ideia inconsciente de desintoxixação alimentar. Sentei aos pés de uma palmeira que ficava na parte mais alta de meu bairro, um local em que era possível enxergar todo o vale que se apresenta aos pés do Morro Santana, para quem é de Porto Alegre, o conhece, pois é o mais elevado da região metropolitana. Estava observando o verde intenso dos campos, os passaros de variadas espécies que cantavam perto, voavam a minha frente e o azul intenso do céu. O sol da primavera tornavam as cores mais brilhantes e vibrantes num verdadeiro espetáculo da natureza. Embora cansado e com os olhos ardendo de sono, consegui até a agradecer a Deus poraquele belo dia. O Pai fez sua Parte nos dando este presente, mas será que eu estava fazendo? Esta pergunta não encontrou uma resposta afirmativa em minha consciencia, mas mesmo assim, contemplava aquele belo amanhecer.

Em um determinado momento, em meio a minha meditação, percebi ao longe, bem acima do cume do morro, uma barreira de neblina que começava a avançar lentamente sobre os campos banhados de sol, de um branco intenso pela radiação, foi ficando acinzentado com o aumento de sua intensidade. Perdi completamente a visão dos 100 metros, dos 50, dos 10... até que fui envolvido pela forte cerração. Do cinza veio a escuridão, a camada de nevoeiro foi se intensificando até ao ponto do breu total. Fiquei alí, quieto, não me atrevendo nem mesmo pensar. A escuridão provocada pela neblina espessa era medonha, quase sufocante, senti até um leve cheiro de temporal se aproximando, mas este não veio. O sol desapareceu as 9:45 da manhã.

Como pode a neblina esconder todas as belezas da natureza sem me avisar? e tão rápido ao ponto de assustar?

Enfim consegui compreender e aprender uma lição: A neblina representava, naquele momento, o pecado de quebrar a Palavra de sabedoria, que me impedia de vislumbrar a beleza da vida. Esta elucidação veio naquele momento mesmo em que esta na escuridão

Quando comecei a raciocinar, tudo ficou claro para mim. A Palavra de sabedoria não se restringe apenas no que está registrado nas escrituras sagradas ou nas revelações modernas, mas sim, está também relacionado ao estilo de vida que adotamos, se for saudavel, a vida será bela, pois o dom vem pelo esforço e merecimento, se não for, as intensas neblinas te impediram de ver as bençãos que tornam a vida um espetáculo da existência. Deus está sempre conosco e as ferramentas do sucesso estão ao nosso alcance, basta fazer como o Mestre, que pela plena certeza e conhecimento de Deus, recolheu os elementos do ambiente e os juntou a água para fazer o melhor dos vinhos.

Quando a neblina daquele dia desapareceu, o sol voltou a brilhar como antes. Ao retornar para casa totalmente revigorado pelo que aprendi, ouvi algumas pessoas na rua comentarem que na direção de onde eu vinha, tinha ido um bandido armado em fuga. Pela rua indicada, pude perceber que o meliante tinha passado a uns 10 metros de mim... Mais uma vez agradeci ao Pai pela união dos elementos que me ensinaram e me protegeram, pois se o dia estivesse claro, o bandido teria me visto.

Esta história marcante, Eu compartilho em Nome de Jesus Cristo, Amém

domingo, 9 de outubro de 2011

Dois Princípios para Quaisquer Condições Econômicas

Presidente Dieter F. Uchtdorf
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência

Frequentemente é na provação da adversidade que aprendemos as lições cruciais que formam nosso caráter e moldam nosso destino.

Nas viagens, quando visitamos membros da Igreja do mundo inteiro e também por meio dos canais do sacerdócio, somos informados em primeira mão das condições e dos problemas de nossos membros. Há muitos anos os membros vêm sendo atingidos em todo o mundo por catástrofes, tanto naturais como causadas pelo homem. Sabemos também que muitas famílias tiveram de apertar o cinto e estão preocupadas, sem saber se conseguirão suportar estes tempos difíceis.

Irmãos, sentimo-nos muito próximos de vocês. Nós os amamos e oramos por vocês. Já vi muitos altos e baixos na vida e sei que o inverno sem dúvida dá lugar ao calor e à esperança de uma nova primavera. Vejo o futuro com otimismo. De nossa parte, irmãos, precisamos permanecer firmes na esperança, trabalhar com todo o vigor e confiar em Deus.

Ultimamente, tenho pensado numa época de minha vida em que o peso das preocupações com um futuro incerto parecia sempre presente. Eu tinha onze anos e morava com minha família no sótão de uma casa de fazenda, perto de Frankfurt, Alemanha. Éramos refugiados pela segunda vez em um período de apenas alguns anos e estávamos tendo dificuldade para estabelecer-nos em um novo lugar bem distante de onde morávamos antes. Dizer que éramos pobres seria um eufemismo. Dormíamos todos em um quarto tão pequeno que mal tínhamos espaço para andar por entre as camas. Em outra salinha, havia alguns móveis simples e um fogão em que mamãe cozinhava. Para ir de um cômodo ao outro, tínhamos que passar por um depósito onde o dono da fazenda guardava equipamentos agrícolas e ferramentas, e também armazenava carnes e linguiças penduradas nas vigas. O aroma sempre me deixava com muita fome. Não tínhamos banheiro, mas havia uma casinha com latrina fora da casa, descendo as escadas, a uma distância de uns quinze metros, e que parecia ficar muito mais longe no inverno.

Como eu era refugiado e por causa do meu sotaque da Alemanha Oriental, muitas vezes as outras crianças zombavam de mim e me colocavam apelidos que me magoavam profundamente. Em toda a minha juventude, creio que aquela foi a época mais desanimadora.

Agora, décadas depois, posso rever aqueles dias através do filtro amenizador da experiência. Embora ainda me lembre da mágoa e do desespero, percebo agora o que não conseguia ver na época: foi uma época de grande crescimento pessoal. Durante aquele período, minha família tornou-se mais unida. Observei meus pais e aprendi com eles. Admirei sua determinação e seu otimismo. Com eles aprendi que a adversidade pode ser superada, se a enfrentarmos com fé, coragem e tenacidade.

Sabendo que alguns de vocês estão passando por seu próprio período de ansiedade e desespero, quero falar hoje sobre dois princípios importantes que me ampararam durante aquela época de formação.
O Primeiro Princípio: Trabalhar

Até hoje, fico muito impressionado com o quanto minha família trabalhou depois de ter perdido tudo durante a Segunda Guerra Mundial! Lembro que meu pai — um funcionário público por formação e experiência — aceitou vários empregos difíceis, entre os quais o de minerador de carvão e de urânio, mecânico e motorista de caminhão. Para sustentar nossa família, ele saía bem cedo e geralmente voltava tarde da noite. Minha mãe abriu uma lavanderia e trabalhava inúmeras horas fazendo trabalho braçal. Ela colocou minha irmã e eu para trabalharmos com ela. Com minha bicicleta, tornei-me apanhador e entregador de roupas. Senti-me bem por poder ajudar um pouquinho a família e, embora não o soubesse na época, esse exercício físico foi excelente para minha saúde também.

Não foi fácil, mas o trabalho nos impediu de pensar demais nas dificuldades que enfrentávamos. Embora nossa situação não tenha mudado da noite para o dia, ela acabou mudando. É assim que funciona o trabalho: se simplesmente continuarmos a trabalhar com firmeza e constância, as coisas certamente vão melhorar.

Como admiro os homens, as mulheres e as crianças que sabem trabalhar! Como o Senhor ama o trabalhador! Ele disse: “No suor do teu rosto comerás o teu pão”1 e “o trabalhador é digno de seu salário”.2 Ele também prometeu: “Lança a foice com toda a tua alma e teus pecados te são perdoados”.3 Todos os que não têm medo de arregaçar as mangas e dedicar-se de corpo e alma a alcançar metas louváveis são uma bênção para a família, a comunidade, a nação e a Igreja.

O Senhor não espera que trabalhemos mais do que somos capazes. Ele não compara (e tampouco devemos nós comparar) os nossos esforços com os de outras pessoas. O Pai Celestial pede apenas que façamos o melhor possível: que trabalhemos de acordo com nossa plena capacidade, por maior ou menor que ela seja.

O trabalho é o antídoto para a ansiedade, um bálsamo para a tristeza e um portal para as possibilidades. Sejam quais forem nossas condições de vida, meus queridos irmãos, façamos tudo o que pudermos e cultivemos uma reputação de excelência em tudo o que fizermos. Vamos deixar a mente e o corpo prontos para a gloriosa oportunidade de trabalho que cada novo dia nos apresenta.

Quando nosso carroção fica atolado na lama, é mais provável que Deus ajude o homem que desce e o empurra do que o homem que apenas ergue a voz em oração, por mais eloquente que seja. O Presidente Thomas S. Monson disse o seguinte: “Não basta termos o desejo de realizar o esforço e dizermos que o faremos. (…) É na prática, e não só nas palavras, que concretizamos nossas aspirações. Se adiarmos constantemente as nossas metas, nunca as veremos realizadas”.4

O trabalho pode-nos enobrecer e dar um sentimento de realização, mas lembrem-se da advertência de Jacó: “Não despendais (…) vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer”.5 Se nos dedicarmos à busca de riquezas materiais e do brilho do reconhecimento público à custa de nossa família e de nosso crescimento espiritual, em breve descobriremos que bancamos os tolos. O trabalho honroso que fazemos em nossa própria casa é extremamente sagrado. Seus benefícios são eternos. Ele não pode ser delegado. É o alicerce de nosso trabalho como portadores do sacerdócio.

Lembrem-se, somos apenas viajantes de passagem por este mundo. Não dediquemos os talentos e energias que recebemos de Deus só para forjar âncoras terrenas, mas passemos nossos dias desenvolvendo asas espirituais. Porque, como filhos do Deus Altíssimo, fomos criados para alçar voo para novos horizontes.

Agora, uma palavra para nós que somos mais experientes: a aposentadoria não faz parte do plano de felicidade do Senhor. Não há licença-prêmio nem programa de aposentadoria das responsabilidades do sacerdócio, seja qual for a idade ou a capacidade física. Embora a frase “já fiz isso” ou “já passei dessa fase” possa servir de desculpa para não termos que andar de skate, para recusar um convite para andar de motocicleta ou para dispensar a pimenta ardida no restaurante, não é uma desculpa aceitável para fugirmos da responsabilidade que assumimos por convênio: a de consagrar nosso tempo, nossos talentos e recursos a serviço do reino de Deus.

Pode haver aqueles que, após muitos anos de serviço na Igreja, acreditem ter direito a um período de descanso enquanto os outros carregam os fardos. Em termos bem claros e diretos, irmãos, esse tipo de pensamento não condiz com um discípulo de Cristo. Grande parte de nosso trabalho nesta Terra é perseverar até o fim, com alegria, todos os dias de nossa vida.

Agora, uma palavra para nossos irmãos mais novos do Sacerdócio de Melquisedeque que estão procurando alcançar a meta justa de adquirir instrução e encontrar uma companheira eterna. Essas são boas metas, meus irmãos, mas lembrem-se: trabalhar diligentemente na vinha do Senhor melhora muito seu currículo e aumenta muito a probabilidade de sucesso nesses dois empreendimentos louváveis.

Seja você o mais jovem diácono ou o mais idoso sumo sacerdote, há trabalho a ser feito!
O Segundo Princípio: Aprender

Nas difíceis condições econômicas da Alemanha do pós-guerra, as oportunidades de estudo não eram tão fartas quanto hoje, mas a despeito das opções limitadas, sempre tive avidez em aprender. Lembro-me que um dia, quando estava fazendo entregas na minha bicicleta, entrei na casa de um colega da escola. Em um dos cômodos, havia duas pequenas escrivaninhas encostadas na parede. Que visão maravilhosa foi aquela! Como aquelas crianças eram afortunadas por terem suas próprias escrivaninhas! Eu os imaginei ali sentados com os livros abertos, estudando as lições e fazendo os deveres de casa. Pareceu-me que ter a minha própria escrivaninha seria a coisa mais maravilhosa do mundo.

Tive que esperar muito para que esse desejo se realizasse. Anos depois, consegui um emprego numa instituição de pesquisa que possuía uma grande biblioteca. Lembro-me de que passava grande parte de meu tempo livre naquela biblioteca. Ali, pude finalmente sentar-me em uma escrivaninha, sozinho, e banquetear-me com as informações e conhecimento que os livros proporcionavam. Como eu gostava de ler e aprender! Naqueles dias, compreendi por experiência própria uma antiga frase que diz: “a instrução não é como encher um balde, mas sim, como acender uma chama”.

Para os membros da Igreja, a instrução não é apenas uma boa ideia: é um mandamento. Devemos aprender “tanto as coisas do céu como da Terra e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa, coisas que estão no estrangeiro”.6

Joseph Smith adorava aprender, embora tenham sido poucas suas oportunidades de adquirir instrução formal. Em seus diários, ele falava com alegria dos dias que passava estudando e sempre expressava seu amor pelo aprendizado.7

Joseph ensinou aos santos que o conhecimento era uma parte necessária de nossa jornada mortal, porque “o homem só pode ser salvo à medida que [adquire] conhecimento”,8 e “qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida, surgirá conosco na ressurreição”.9 Nos momentos difíceis, é ainda mais importante aprender. O Profeta Joseph ensinou que “o conhecimento afasta as trevas, [a ansiedade] e a dúvida, porque essas coisas não podem existir onde há conhecimento”.10

Irmãos, vocês têm o dever de aprender o máximo que puderem. Peço-lhes que incentivem sua família, os membros do seu quórum e todas as pessoas a aprender e adquirir mais instrução. Mesmo onde não houver como receber instrução formal, não permitam que isso os impeça de adquirir todo o conhecimento que puderem. Nessas circunstâncias, os melhores livros, de certa forma, podem tornar-se sua “universidade” — uma sala de aula que está sempre aberta e admite todos os interessados. Empenhem-se em aumentar seu conhecimento de tudo o que for “[virtuoso], amável, de boa fama ou louvável”.11 Busquem conhecimento “pelo estudo e também pela fé”.12 Busquem com humildade e com um coração contrito.13 Se aplicarem a dimensão espiritual de sua fé ao estudo, mesmo de coisas seculares, vocês conseguirão aumentar sua capacidade intelectual, porque “se vossos olhos estiverem fitos [na glória de Deus], todo o vosso corpo se encherá de luz e (…) [compreenderá] todas as coisas”.14

Em nosso aprendizado, não negligenciemos a fonte da revelação. As escrituras e as palavras dos apóstolos e profetas modernos são fontes de sabedoria, conhecimento divino e revelação pessoal para ajudar-nos a encontrar resposta a todos os desafios da vida. Aprendamos com Cristo. Busquemos o conhecimento que nos conduz à paz, à verdade e aos sublimes mistérios da eternidade.15
Conclusão

Irmãos, lembro-me daquele menino de onze anos, em Frankfurt, Alemanha, que se preocupava com o futuro e sentia a dor pungente de comentários maldosos. Lembro-me daqueles dias com certa ternura e tristeza. Embora não esteja ávido para reviver aqueles dias de provações e problemas, não tenho dúvida de que as lições que aprendi foram uma preparação necessária para as oportunidades futuras. Agora, muitos anos depois, sei com certeza o seguinte: frequentemente é na provação da adversidade que aprendemos as lições cruciais que formam nosso caráter e moldam nosso destino.

Oro para que nos próximos meses e anos preenchamos nossas horas e dias com trabalho louvável. Oro para que busquemos aprender e refinar a mente e o coração, bebendo abundantemente das puras fontes da verdade. Deixo com vocês meu amor e minhas bênçãos, em nome de Jesus Cristo. Amém.

sábado, 1 de outubro de 2011

MODERAÇÃO EM TODAS AS COISAS

Élder Kent D. Watson
Dos Setenta

A moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo

Em resposta à pergunta do Profeta Joseph Smith, o Senhor instruiu: “E ninguém pode participar desta obra, a menos que seja humilde e cheio de amor, tendo fé, esperança e caridade, sendo temperante em todas as coisas, em tudo o que lhe for confiado”.1

A instrução de ter moderação em todas as coisas se aplica a cada um de nós. O que é moderação e por que o Senhor deseja que sejamos moderados? Uma definição restrita pode ser a de que devemos ser comedidos ao comer e ao beber. De fato, esse significado da moderação pode ser uma boa receita para o cumprimento da Palavra de Sabedoria. Às vezes, a moderação pode ser definida como abster-nos da ira, ou seja, não perder a paciência. Essas definições, contudo, são um subgrupo do uso dessa palavra nas escrituras.

Num sentido espiritual, a moderação é um atributo divino de Jesus Cristo. Ele deseja que cada um de nós desenvolva esse atributo. Aprender a ter moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo.

Quando o Apóstolo Paulo descreveu os frutos do Espírito em sua epístola aos gálatas, ele falou de “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão [e] temperança”.2

Quando Paulo escreveu a Tito, descrevendo os atributos que seriam necessários a um bispo para auxiliar nessa obra, ele disse que o bispo não podia ser “soberbo, nem iracundo (…) [mas] temperante”.3 A temperança significa usar de moderação em todas as coisas ou exercer autocontrole.

Quando Alma, o filho, ensinou na terra de Gideão, ele disse:

“Espero que não estejais com o coração cheio de orgulho; sim, espero que não tenhais posto o coração nas riquezas e coisas vãs do mundo (…).

Quisera que fôsseis humildes e submissos e mansos; fáceis de persuadir, cheios de paciência e longanimidade; sendo moderados em todas as coisas.”4

Numa mensagem posterior, Alma instruiu seu filho, Siblom, e indiretamente cada um nós, a “não ser orgulhoso”,5 mas a ser “diligente e moderado em todas as coisas”.6 Ser moderado significa analisar cuidadosamente nossos desejos e expectativas para sermos diligentes e pacientes na busca de objetivos dignos.

Há poucos anos, eu voltava de carro do trabalho para casa, quando uma grande caminhonete, que vinha em direção contrária, perdeu um de seus pneus duplos. O pneu voou por cima do canteiro que separava as pistas e veio pulando para o meu lado da via expressa. Havia carros desviando para todos os lados, porque os motoristas não sabiam para que direção o pneu pularia em seguida. Desviei para a esquerda, quando deveria ter desviado para a direita, e o pneu acabou acertando o canto direito do meu parabrisa.

Um amigo ligou para minha mulher para informá-la do acidente. Ela me disse, depois, que a primeira coisa que lhe veio à mente foram os ferimentos causados pelo vidro estilhaçado. De fato, fiquei coberto de pedacinhos de vidro, mas não sofri um único arranhão. Isso absolutamente não se deu por causa das minhas grandes habilidades como motorista, mas sim, porque o parabrisa de meu carro era feito de vidro temperado.

O vidro temperado, tal como o aço temperado, passa por um processo bem controlado de aquecimento que aumenta sua resistência. Por isso, quando o vidro temperado sofre pressão, não se quebra facilmente em estilhaços afiados que podem ferir.

Da mesma forma, uma alma temperada, que é humilde e cheia de amor, também é uma pessoa com maior força espiritual. Com essa força, somos capazes de desenvolver o autocontrole e viver com moderação. Aprendemos a controlar ou moderar nossa raiva, nossa vaidade e nosso orgulho. Com maior força espiritual, podemos proteger-nos dos excessos perigosos e dos vícios destrutivos do mundo atual.

Todos nós buscamos paz de consciência e desejamos segurança e felicidade para nossa família. Se procurarmos ver os pontos positivos da crise econômica do ano passado, talvez algumas provações que enfrentamos tenham-nos ensinado que a paz de consciência, a segurança e a felicidade não decorrem da compra de uma casa ou do acúmulo de posses cuja dívida seja maior do que o que podemos pagar com nossas economias ou nossa renda.

Vivemos num mundo impaciente e sem moderação, cheio de incertezas e contendas. É como a comunidade de conversos de várias religiões na qual Joseph Smith vivia, quando era um rapaz de quatorze anos que buscava respostas para suas dúvidas. O jovem Joseph disse: “Todos os bons sentimentos mútuos, se é que jamais haviam existido, perderam-se inteiramente numa luta de palavras e choque de opiniões”.7

A segurança para nossa família advém de aprendermos o autocontrole, de evitarmos os excessos deste mundo e de sermos moderados em todas as coisas. A paz de consciência advém de uma fé mais forte em Jesus Cristo. A felicidade advém de sermos diligentes no cumprimento dos convênios feitos no batismo e nos templos sagrados do Senhor.

Que melhor exemplo de moderação podemos ter que o de nosso Salvador Jesus Cristo?

O Salvador ensinou que, quando sentirmos o coração incitado à ira por disputas e contendas, devemos “arrepender-[nos] e tornar-[nos] como uma criancinha”.8 Devemos reconciliar-nos com nosso irmão e achegar-nos ao Salvador com pleno propósito de coração.9

Quando as pessoas forem rudes, Jesus ensinou que “a minha benignidade não se desviará de ti”.10

Quando enfrentarmos aflições, Ele disse: “Sê paciente nas aflições, não injuries os que te injuriarem. Governa tua casa com mansidão e sê firme”.11

Quando formos oprimidos, podemos consolar-nos por saber que “Ele foi oprimido e ele foi afligido, mas não abriu a boca”.12 “Certamente ele tomou sobre si nossas dores e carregou nossos pesares.”13

Quando Jesus Cristo, o maior de todos, sofreu por nós a ponto de sangrar por todos os poros, Ele não expressou raiva ou proferiu impropérios por causa de Seu sofrimento. Com insuperável autodomínio — ou moderação — não pensou em Si mesmo, mas em cada um de nós. E então, com humildade e imenso amor, Ele disse: “Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens”.14

No ano passado, tive o privilégio de prestar testemunho da realidade de nosso Salvador e da Restauração do evangelho para os santos e amigos de toda a Ásia. A maioria é da primeira geração de santos dos últimos dias, que vivem em lugares onde a Igreja é muito nova. Esses santos modernos, em sua esfera, empreendem uma jornada que nos lembra as experiências dos primeiros santos dos últimos dias.

No maravilhoso mundo de diversidade da Ásia, em que os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são uma mera fração de um por cento da imensa população, adquiri maior apreço pelo atributo cristão da moderação. Amo e honro esses santos que me ensinaram pelo exemplo o que significa ser humilde e cheio de amor, ser “temperante em todas as coisas, em tudo o que [nos] for confiado”.15 Graças a eles, compreendi melhor o amor que Deus tem por todos os Seus filhos.

Deixo com vocês meu testemunho de que nosso Redentor vive e que Seu dom divino da moderação está ao alcance de todos os filhos de Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.