sábado, 1 de outubro de 2011

MODERAÇÃO EM TODAS AS COISAS

Élder Kent D. Watson
Dos Setenta

A moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo

Em resposta à pergunta do Profeta Joseph Smith, o Senhor instruiu: “E ninguém pode participar desta obra, a menos que seja humilde e cheio de amor, tendo fé, esperança e caridade, sendo temperante em todas as coisas, em tudo o que lhe for confiado”.1

A instrução de ter moderação em todas as coisas se aplica a cada um de nós. O que é moderação e por que o Senhor deseja que sejamos moderados? Uma definição restrita pode ser a de que devemos ser comedidos ao comer e ao beber. De fato, esse significado da moderação pode ser uma boa receita para o cumprimento da Palavra de Sabedoria. Às vezes, a moderação pode ser definida como abster-nos da ira, ou seja, não perder a paciência. Essas definições, contudo, são um subgrupo do uso dessa palavra nas escrituras.

Num sentido espiritual, a moderação é um atributo divino de Jesus Cristo. Ele deseja que cada um de nós desenvolva esse atributo. Aprender a ter moderação em todas as coisas é um dom espiritual que pode ser alcançado por intermédio do Espírito Santo.

Quando o Apóstolo Paulo descreveu os frutos do Espírito em sua epístola aos gálatas, ele falou de “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão [e] temperança”.2

Quando Paulo escreveu a Tito, descrevendo os atributos que seriam necessários a um bispo para auxiliar nessa obra, ele disse que o bispo não podia ser “soberbo, nem iracundo (…) [mas] temperante”.3 A temperança significa usar de moderação em todas as coisas ou exercer autocontrole.

Quando Alma, o filho, ensinou na terra de Gideão, ele disse:

“Espero que não estejais com o coração cheio de orgulho; sim, espero que não tenhais posto o coração nas riquezas e coisas vãs do mundo (…).

Quisera que fôsseis humildes e submissos e mansos; fáceis de persuadir, cheios de paciência e longanimidade; sendo moderados em todas as coisas.”4

Numa mensagem posterior, Alma instruiu seu filho, Siblom, e indiretamente cada um nós, a “não ser orgulhoso”,5 mas a ser “diligente e moderado em todas as coisas”.6 Ser moderado significa analisar cuidadosamente nossos desejos e expectativas para sermos diligentes e pacientes na busca de objetivos dignos.

Há poucos anos, eu voltava de carro do trabalho para casa, quando uma grande caminhonete, que vinha em direção contrária, perdeu um de seus pneus duplos. O pneu voou por cima do canteiro que separava as pistas e veio pulando para o meu lado da via expressa. Havia carros desviando para todos os lados, porque os motoristas não sabiam para que direção o pneu pularia em seguida. Desviei para a esquerda, quando deveria ter desviado para a direita, e o pneu acabou acertando o canto direito do meu parabrisa.

Um amigo ligou para minha mulher para informá-la do acidente. Ela me disse, depois, que a primeira coisa que lhe veio à mente foram os ferimentos causados pelo vidro estilhaçado. De fato, fiquei coberto de pedacinhos de vidro, mas não sofri um único arranhão. Isso absolutamente não se deu por causa das minhas grandes habilidades como motorista, mas sim, porque o parabrisa de meu carro era feito de vidro temperado.

O vidro temperado, tal como o aço temperado, passa por um processo bem controlado de aquecimento que aumenta sua resistência. Por isso, quando o vidro temperado sofre pressão, não se quebra facilmente em estilhaços afiados que podem ferir.

Da mesma forma, uma alma temperada, que é humilde e cheia de amor, também é uma pessoa com maior força espiritual. Com essa força, somos capazes de desenvolver o autocontrole e viver com moderação. Aprendemos a controlar ou moderar nossa raiva, nossa vaidade e nosso orgulho. Com maior força espiritual, podemos proteger-nos dos excessos perigosos e dos vícios destrutivos do mundo atual.

Todos nós buscamos paz de consciência e desejamos segurança e felicidade para nossa família. Se procurarmos ver os pontos positivos da crise econômica do ano passado, talvez algumas provações que enfrentamos tenham-nos ensinado que a paz de consciência, a segurança e a felicidade não decorrem da compra de uma casa ou do acúmulo de posses cuja dívida seja maior do que o que podemos pagar com nossas economias ou nossa renda.

Vivemos num mundo impaciente e sem moderação, cheio de incertezas e contendas. É como a comunidade de conversos de várias religiões na qual Joseph Smith vivia, quando era um rapaz de quatorze anos que buscava respostas para suas dúvidas. O jovem Joseph disse: “Todos os bons sentimentos mútuos, se é que jamais haviam existido, perderam-se inteiramente numa luta de palavras e choque de opiniões”.7

A segurança para nossa família advém de aprendermos o autocontrole, de evitarmos os excessos deste mundo e de sermos moderados em todas as coisas. A paz de consciência advém de uma fé mais forte em Jesus Cristo. A felicidade advém de sermos diligentes no cumprimento dos convênios feitos no batismo e nos templos sagrados do Senhor.

Que melhor exemplo de moderação podemos ter que o de nosso Salvador Jesus Cristo?

O Salvador ensinou que, quando sentirmos o coração incitado à ira por disputas e contendas, devemos “arrepender-[nos] e tornar-[nos] como uma criancinha”.8 Devemos reconciliar-nos com nosso irmão e achegar-nos ao Salvador com pleno propósito de coração.9

Quando as pessoas forem rudes, Jesus ensinou que “a minha benignidade não se desviará de ti”.10

Quando enfrentarmos aflições, Ele disse: “Sê paciente nas aflições, não injuries os que te injuriarem. Governa tua casa com mansidão e sê firme”.11

Quando formos oprimidos, podemos consolar-nos por saber que “Ele foi oprimido e ele foi afligido, mas não abriu a boca”.12 “Certamente ele tomou sobre si nossas dores e carregou nossos pesares.”13

Quando Jesus Cristo, o maior de todos, sofreu por nós a ponto de sangrar por todos os poros, Ele não expressou raiva ou proferiu impropérios por causa de Seu sofrimento. Com insuperável autodomínio — ou moderação — não pensou em Si mesmo, mas em cada um de nós. E então, com humildade e imenso amor, Ele disse: “Todavia, glória seja para o Pai; eu bebi e terminei meus preparativos para os filhos dos homens”.14

No ano passado, tive o privilégio de prestar testemunho da realidade de nosso Salvador e da Restauração do evangelho para os santos e amigos de toda a Ásia. A maioria é da primeira geração de santos dos últimos dias, que vivem em lugares onde a Igreja é muito nova. Esses santos modernos, em sua esfera, empreendem uma jornada que nos lembra as experiências dos primeiros santos dos últimos dias.

No maravilhoso mundo de diversidade da Ásia, em que os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são uma mera fração de um por cento da imensa população, adquiri maior apreço pelo atributo cristão da moderação. Amo e honro esses santos que me ensinaram pelo exemplo o que significa ser humilde e cheio de amor, ser “temperante em todas as coisas, em tudo o que [nos] for confiado”.15 Graças a eles, compreendi melhor o amor que Deus tem por todos os Seus filhos.

Deixo com vocês meu testemunho de que nosso Redentor vive e que Seu dom divino da moderação está ao alcance de todos os filhos de Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

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