segunda-feira, 21 de novembro de 2011

"O Coração e uma Mente Solícita"

Élder James M. Paramore
Dos Setenta

Vocês podem realizar muitas coisas boas que irão surpreendê-los, ao mudarem de vida e testemunharem a mudança efetuada na vida de outras pessoas.

Cumprimento o sacerdócio da Igreja aqui na Terra. É uma honra estar em sua presença nesta noite. O sacerdócio que aqui se encontra e por toda a Terra é algo maravilhoso. Há poucos meses, eu estava no saguão principal do Edifício de Administração da Igreja, esperando o elevador, quando três homens entraram e perguntaram à recepcionista do balcão de entrada: "É aqui que trabalham os irmãos?" A recepcionista sorriu, e eu pensei: "Que grande cumprimento!"
Aonde quer que formos, somos irmãos. É algo imediato e reconfortante. Volto para casa depois de cada designação agradecendo a Deus pela fraternidade, amor e boas obras que posso testemunhar. Vocês são incríveis, meus amigos.
Portadores do sacerdócio, lembro-me de uma história a respeito de uma professora que perguntou à classe que voltava das férias o que o pai de cada um havia-lhe ensinado a respeito da auto-suficiência durante as férias de verão. Depois de vários relatos terem sido feitos, ela perguntou ao Joãozinho o que seu pai havia feito. E o Joãozinho respondeu: "Meu pai ensinou-me a nadar; ele levou-me para o meio do lago Utah, jogou-me dentro da água e mandou que eu voltasse para a margem nadando". "Puxa", disse a professora, "que coragem". E o Joãozinho respondeu: "Não foi muito difícil, depois que consegui sair de dentro do saco de pano em que meu pai havia-me colocado". Bem, meus jovens amigos, a vida será difícil, mas nosso Pai Celestial deu-nos os meios pelos quais conseguiremos seguir por ela em segurança. Quero falar um pouco a esse respeito.
O Senhor deseja que vocês tenham a maior das experiências ao realizarem a sua jornada aqui na Terra. Esta pode ser uma jornada magnífica, literalmente repleta de milhares de experiências incríveis e confirmações espirituais, se vocês encontrarem o caminho certo em meio às muitas escolhas que terão durante o percurso. A estrada que o Pai Celestial lhes deu está claramente indicada, mas os padrões e os caminhos do mundo podem enganá-los. Lembrem-se, porém: "( . . . ) Sois a geração eleita, o sacerdócio real ( . . . )". (I Pedro 2:9) Vocês são o meio pelo qual a verdade, a virtude e a vida eterna serão levadas ao conhecimento do mundo. Somos todos parte disso. Conforme o Senhor disse ao Profeta Joseph Smith em 1831, todos precisamos do "coração e uma mente solícita". (D&C 64:34)
Jovens, a vida é eterna. O Senhor Jesus Cristo e Seus servos dão esperança e testemunho ao mundo de que, nesta jornada, saímos da presença de nosso Pai para vir à Terra e voltaremos a nosso lar para viver eternamente com o Pai Celestial. Todos prestamos testemunho dessa boa nova ao mundo. É a mensagem divina sobre uma vida e um relacionamento eternos, sim o casamento e a família eternos. Nada supera seu significado, valor e promessa.
Com esse conhecimento e amor, podemos ajudar a transformar as esperanças e sonhos das pessoas e ajudá-las a encontrar verdades eternas e a paz interior e segurança que elas proporcionam.
Vejam o exemplo de meu amigo Bob e os cuidados e o zelo que dispensou a um élder que fumava. Quase todas as manhãs, ele se encontrava com um companheiro de seu quórum e orava com ele para que conseguisse vencer o vício do fumo e depois dava-lhe um pacote de balas ou goma de mascar para ajudá-lo durante o dia. Mais tarde, Bob veria aquele homem e a esposa de mãos dadas sobre o altar do templo, sendo selados para toda a eternidade. O que foi que ocasionou essa mudança e ajudou a realizar tudo isso? O evangelho e "o coração e uma mente solícita".
Meus jovens, gostaria de deixar-lhes alguns pensamentos que os ajudarão a ter "o coração e uma mente solícita". Em primeiro lugar, testificamos a este mundo que existe um Deus e Ele enviou Seu Filho Amado para ensinar a importância desta jornada para a Terra e de volta a Ele. Ele proporcionou um plano para que essa jornada seja bem-sucedida. Precisamos apenas do seguinte:"Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento". (Provérbios 3:5) Sempre existirão as filosofias dos homens, mas elas não têm em si a promessa de vida eterna ou sequer de paz neste mundo. Depositem toda a sua confiança no Senhor. Suas escrituras e profetas testificam a respeito Dele e mostram o caminho.
Em segundo lugar, Deus, por meio de Seu Filho Jesus Cristo, estabeleceu limites, que são os mandamentos que Ele nos deu para ajudar-nos a fazer a jornada em segurança. Quando com "o coração e a mente solícita", obedecemos a esses mandamentos, passamos por um processo de transformação que altera nosso modo de pensar, nossos sentimentos, nosso modo de vestir, nosso estilo de vida, o que comemos e bebemos e o modo pelo qual servimos as outras pessoas. Conforme Alma, o filho, disse:"E tornam-se, assim, novas criaturas". (Mosias 27:26) Esses limites nos protegem. Eles são essenciais à segurança de nossa jornada.
Quando eu tinha cinco anos de idade, minha mãe ajudava-me a aprender a respeito desses limites, dizendo-me quase todos os dias: "Jimmy, não chegue perto da areia movediça", que ficava a algumas centenas de metros de nossa casa. Bem, advinhem o que Jimmy e seus amiguinhos fizeram? Foram até lá. Quando nos aproximamos da areia movediça, um de meus amigos caminhou até aquele trecho que parecia um pouco mais escuro e úmido. Quase não havia diferença do restante da areia. A princípio seus pés não se moveram, e todos rimos. Então, eles começaram a afundar na areia movediça, e ele entrou em pânico. Não conseguia sair da areia movediça e começou a gritar. Corremos o mais rápido que conseguimos até a casa de um vaqueiro, gritando o mais alto que podíamos. Ele imediatamente apanhou um laço e correu conosco de volta até onde estava o menino, já atolado até a cintura na areia movediça. Ele rapidamente laçou o menino, e nós seguramos a corda, enquanto o vaqueiro posicionava uma tora, na qual subiu para puxar o menino para fora da areia movediça.
Aprendemos que quando cruzamos os limites estabelecidos pelo Senhor, freqüentemente nos encontramos em um tipo de areia movediça. Os caminhos do mundo freqüentemente são semelhantes à areia movediça e podem ser destrutivos. Eles procuram desviar-nos dos limites do Senhor: os Seus mandamentos. Esses caminhos do mundo (drogas, bebidas, fumo, coabitação sem casamento, certas músicas, etc.):

  • parecem muito convidativos;
  • aparentam ser a maneira normal de fazer as coisas;
  • parecem ser aceitos por todos; e
  • são exaltados na televisão, no cinema, na Internet, nas fitas de vídeo, etc. Essas coisas levam-nos para além dos limites estabelecidos pelo Senhor. Se forem seguidas, causam desespero e devastadores problemas de saúde, financeiros e outros tipos de dificuldades.
    Os limites estabelecidos pelo Senhor estão explicados no folheto Para o Vigor da Juventude, são claros e constituem uma grande bênção para todos os que os seguem. Saímos pelo mundo, como missionários e membros, para ajudar as pessoas a encontrar e valorizar os mandamentos ou limites do Senhor. Se isso for feito com "o coração e uma mente solícita" ou, em outras palavras, com avidez, alegria e entusiasmo, da mesma forma que o Presidente Hinckley viaja por todo o mundo, irá tornar-nos diferentes e gratos por toda oportunidade que encontrarmos.
    Em terceiro lugar, os jovens, e também os mais velhos, devem começar com o resultado final em mente. Onde vocês querem estar quando tiverem 19 anos de idade ou quando se aposentarem? Na missão? Tomem a decisão hoje mesmo. Prometo que ela mudará sua vida e a de outros, à medida que Deus os conduzir em sua missão. Tudo o que Ele pede é "o coração e uma mente solícita". Vocês podem realizar muitas coisas boas que irão surpreendê-los, ao mudarem de vida e testemunharem a mudança efetuada na vida de outras pessoas.
    Em uma reunião de testemunhos na Itália, podem imaginar minha surpresa quando um jovem levantou-se e disse: "Se não fosse pelo senhor, Élder Paramore, eu não estaria aqui hoje". Ele passou então a contar como sua mãe e seus avós tinham sido encontrados em Paris, França, pelos élderes Ben Walton e James Paramore, trinta anos antes. Depois de realizarem muitas reuniões, a família foi batizada. Hoje o filho está na missão. Posteriormente descobri que ao longo dos anos mais de 170 pessoas haviam sido batizadas por essa família. Eu tive o privilégio de servir uma missão e aqueles dois anos e meio foram fundamentais para o meu testemunho. Não tenho palavras para agradecer a Deus por isso.
    Testifico que Deus vive, que Seu Filho é o Redentor desta Terra, e que este evangelho abençoará toda a humanidade em todo o mundo. Que possamos todos:
  • Confiar em Deus e em Seu Filho;
  • Viver dentro dos limites que Eles estabeleceram para nós; e
  • Começar com o resultado final em mente, com "o coração e uma mente solícita". Lembrem-se de que o Senhor disse: "( . . . ) Porque aos que me honram honrarei ( . . . )". (I Samuel 2:30) Que essa seja nossa jornada, em nome de Jesus Cristo. Amém.

  •  

    sexta-feira, 18 de novembro de 2011

    O Perfeito Amor Lança Fora o Temor


    L.Tom Perry
    Do Quorum dos Doze Apóstolos

    Se aceitarem o convite de compartilhar suas crenças e seus sentimentos sobre o evangelho restaurado de Jesus Cristo, um espírito de amor e coragem será seu companheiro constante

    Presidente Monson, ficamos felizes com a boa notícia desses novos templos. Em especial, para os muitos, muitos parentes que tenho no Estado do Wyoming.
    No mundo inteiro, quando um novo templo é construído, a Igreja faz algo que é uma tradição bastante comum nos Estados Unidos e no Canadá — uma visitação pública. Nas semanas que antecedem a dedicação de um novo templo, abrimos suas portas e convidamos os líderes governamentais e religiosos locais, os membros locais da Igreja e pessoas de outras religiões a virem e visitarem nosso templo recém-construído.
    São eventos maravilhosos que ajudam as pessoas que não conhecem a Igreja a saber um pouco mais a respeito dela. Quase todos os que visitam um templo novo se maravilham com sua beleza, tanto por dentro quanto por fora. Ficam impressionados com o esmero e a atenção dados a cada detalhe do templo. Além disso, muitos visitantes sentem algo especial ao visitar um templo antes da dedicação. Essas são reações comuns daqueles que participam da visitação pública, mas não é a mais comum. O que mais impressiona os visitantes, acima de tudo, são os membros da Igreja que eles encontram nessas visitações públicas. Eles saem dali com uma impressão indelével de seus anfitriões, os santos dos últimos dias.
    No mundo inteiro, a Igreja está recebendo, hoje, mais atenção do que jamais teve. A mídia escreve ou fala a respeito da Igreja todos os dias, relatando suas muitas atividades. Muitos dos canais de imprensa mais importantes dos Estados Unidos falam regularmente a respeito da Igreja ou de seus membros. Essa atenção se verifica igualmente no mundo inteiro.
    A Igreja também atrai a atenção das pessoas na Internet que, como sabem, mudou drasticamente o modo como essas pessoas compartilham informações. A qualquer hora do dia, no mundo inteiro, a Igreja e seus ensinamentos estão sendo discutidos na Internet, em blogs e redes sociais, por pessoas que nunca escreveram para um jornal ou revista. As pessoas fazem vídeos e os compartilham pela Internet. São pessoas comuns — tanto membros da Igreja quanto pessoas de outra religião — que falam sobre a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
    A mudança na maneira pela qual nos comunicamos explica em parte por que nós, “mórmons”, estamos mais em destaque do que nunca. Por outro lado, a Igreja está sempre crescendo e progredindo. Um número maior de pessoas tem membros da Igreja como vizinhos e amigos, e há membros preeminentes da Igreja no governo, nos negócios, na indústria de entretenimento, na educação e em tudo o mais, pelo que parece. Até aqueles que não são membros da Igreja notaram isso, e se perguntam o que está acontecendo. É maravilhoso que haja agora tantas pessoas cientes da Igreja e dos santos dos últimos dias.
    Embora a Igreja esteja tornando-se mais visível, ainda há muitas pessoas que não a compreendem. Alguns foram ensinados a suspeitar da Igreja e agem com base em estereótipos negativos sobre a Igreja, sem questionar sua fonte ou validade. Também há muita informação falsa e confusão a respeito da Igreja e do que ela prega. Isso tem acontecido desde a época do Profeta Joseph Smith.
    Joseph Smith escreveu sua história, em parte, “para elucidar a mente pública e apresentar, aos que buscam a verdade, os fatos tal como sucederam” (Joseph Smith—História 1:1). É verdade que sempre haverá aqueles que distorcem a verdade e deliberadamente deturpam os ensinamentos da Igreja. Mas, a maioria dos que têm perguntas sobre a Igreja simplesmente querem compreender. Essas pessoas de mente aberta têm genuína curiosidade a nosso respeito.
    A crescente visibilidade e reputação da Igreja oferecem uma extraordinária oportunidade para nós, membros. Podemos ajudar “a elucidar a mente pública” e corrigir informações incorretas quando somos retratados como algo que não somos. Mais importante, porém, é que podemos partilhar quem somos.
    Há uma série de coisas que podemos fazer — que vocês podem fazer — para melhorar o entendimento que as pessoas têm da Igreja. Se fizermos isso com o mesmo espírito e nos comportarmos da mesma forma que fazemos quando trabalhamos em uma visitação pública, nossos amigos e vizinhos vão passar a nos entender melhor. Suas suspeitas se desfarão, os estereótipos negativos desaparecerão, e eles começarão a compreender a Igreja como ela realmente é.
    Gostaria de sugerir algumas coisas que todos podemos fazer.
    Primeiro, precisamos ser destemidos em nossas declarações a respeito de Jesus Cristo. Queremos que as pessoas saibam que acreditamos que Ele é a figura central de toda a história humana. Sua vida e seus ensinamentos são o ponto central da Bíblia e de outros livros que consideramos escrituras sagradas. O Velho Testamento prepara o caminho para o ministério mortal de Cristo. O Novo Testamento descreve Seu ministério mortal. O Livro de Mórmon nos dá um segundo testemunho de Seu ministério mortal. Ele veio à Terra para declarar Seu evangelho como um fundamento para toda a humanidade, de modo que todos os filhos de Deus possam aprender a respeito Dele e seguir Seus ensinamentos. Depois, Ele deu a vida para ser nosso Salvador e Redentor. Somente por intermédio de Jesus Cristo é que nossa salvação é possível. É por isso que cremos que Ele é a figura central de toda a história da humanidade. Nosso destino eterno está sempre em Suas mãos. É uma coisa gloriosa acreditar Nele e aceitá-Lo como nosso Salvador, nosso Senhor e nosso Mestre.
    Também acreditamos que somente por intermédio de Cristo podemos encontrar a maior felicidade, esperança e alegria — tanto nesta vida quanto nas eternidades. Nossa doutrina, conforme ensinada no Livro de Mórmon, declara enfaticamente: “Deveis, pois, prosseguir com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens. Portanto, se assim prosseguirdes, banqueteando-vos com a palavra de Cristo, e perseverardes até o fim, eis que assim diz o Pai: Tereis vida eterna” (2 Néfi 31:20).
    Declaramos nossa crença em Jesus Cristo e O aceitamos como nosso Salvador. Ele vai abençoar-nos e guiar-nos em todos os nossos esforços. Em nosso labor aqui na mortalidade, Ele vai fortalecer-nos e dar-nos paz nos momentos de provação. Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias vivem pela fé Nele, a Quem esta Igreja pertence.
    Segundo, sejam um exemplo justo para as pessoas. Depois de declarar nossas crenças, precisamos seguir o conselho dado em I Timóteo 4:12: “Mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza”.
    O Salvador ensinou a respeito da importância de sermos um exemplo de nossa fé ao dizer: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16).
    Nossa vida deve ser um exemplo de bondade e virtude, ao procurarmos imitar Seu exemplo diante do mundo. As boas obras de cada um de nós dão crédito tanto ao Salvador quanto a Sua Igreja. Ao empenhar-nos em fazer o bem, em ser homens e mulheres honrados e íntegros, a Luz de Cristo se refletirá em nossa vida.
    Em seguida, falem a respeito da Igreja. No curso de nossa vida cotidiana, somos abençoados com muitas oportunidades de compartilhar nossas crenças com as pessoas. Quando nossos colegas e amigos fazem perguntas sobre nossas crenças religiosas, eles estão nos convidando a compartilhar quem somos e as coisas em que acreditamos. Eles podem ou não estar interessados na Igreja, mas estão interessados em conhecer-nos mais profundamente.
    Minha recomendação para vocês é que aceitem seu convite. Seus conhecidos não os estão convidando a ensinar, pregar, expor ou exortar. Dialoguem com eles — compartilhem algo sobre suas crenças religiosas, mas também perguntem a respeito das crenças deles. Avaliem o nível de interesse deles pelas perguntas que fazem. Se fizerem muitas perguntas, concentrem a conversa nas respostas às dúvidas que eles tiverem. Lembrem sempre, é melhor eles perguntarem do que vocês falarem.
    Alguns membros parecem que querem manter o fato de serem membros da Igreja em segredo. Eles têm seus motivos. Podem acreditar, por exemplo, que não lhes cabe compartilhar suas crenças. Talvez tenham medo de cometer um erro ou ouvir uma pergunta que não saibam responder. Se esse pensamento já lhes passou pela cabeça, tenho alguns conselhos para vocês. Simplesmente lembrem-se das palavras de João: “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor” (I João 4:18). Se simplesmente amarmos a Deus e a nossos semelhantes, foi-nos prometido que venceremos nosso temor.
    Se vocês visitaram recentemente o site Mormon.org , que é o site da Igreja para pessoas interessadas em conhecer a Igreja, verão membros que publicaram informações sobre eles mesmos. Eles criam perfis na Internet que explicam quem são e por que suas crenças religiosas são importantes para eles. Falam a respeito de sua fé.
    Devemos abordar essas conversas com um amor semelhante ao de Cristo. Nosso tom, seja falando ou escrevendo, deve ser respeitoso e educado, independentemente da resposta das pessoas. Devemos ser honestos e abertos e tentar ser claros no que dizemos. Não queremos ficar na defensiva nem ter desentendimentos de qualquer forma.
    O Apóstolo Pedro explicou: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (I Pedro 1:15).
    A “maneira de conversar” de hoje parece envolver cada vez mais a Internet. Incentivamos as pessoas, jovens e idosos, a usar a Internet e a mídia social para estender a mão e compartilhar nossas crenças religiosas.
    Ao utilizarem a Internet vocês podem deparar-se com trocas de ideias a respeito da Igreja. Quando orientados pelo Espírito, não hesitem em participar dessas conversas.
    A mensagem do evangelho de Jesus Cristo é diferente de qualquer outra coisa que você vai compartilhar com as pessoas. Na era da informação, é a mais valiosa de todas as informações do mundo. Não há dúvida quanto a seu valor. É uma pérola de grande valor (ver Mateus 13:46).
    Ao falar sobre a Igreja, não procuramos fazê-la parecer melhor do que ela é. Não precisamos fazer propaganda de nossa mensagem. Precisamos comunicar a mensagem de modo honesto e direto. Se abrirmos os canais de comunicação, a mensagem do evangelho restaurado de Jesus Cristo por si só vai ser uma prova para os que estiverem preparados para recebê-la.
    Às vezes há uma grande diferença — um vácuo de compreensão — entre o modo como vivenciamos a Igreja estando dentro dela e o modo como as pessoas a veem estando fora dela. Esse é o principal motivo pelo qual realizamos uma visitação pública antes que cada novo templo seja dedicado. Os membros voluntários que trabalham na visitação pública simplesmente procuram ajudar as pessoas a ver a Igreja como eles a veem, estando dentro dela. Eles reconhecem que a Igreja é uma obra maravilhosa, e querem que as pessoas saibam disso também. Peço que cada um de vocês faça o mesmo.
    Prometo que se aceitarem o convite de compartilhar suas crenças e seus sentimentos sobre o evangelho restaurado de Jesus Cristo, um espírito de amor e coragem será seu companheiro constante, porque “o perfeito amor lança fora o temor” (I João 4:18).
    Esta é uma época de oportunidades cada vez maiores para compartilhar o evangelho de Jesus Cristo com as pessoas. Que nos preparemos para aproveitar as oportunidades que nos são dadas para compartilhar nossas crenças, é minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.

    segunda-feira, 7 de novembro de 2011

    CONFIAR EM DEUS E ENTÃO, FAZER

    Henry B. Eyring
    Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência


    Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede.

     Meus amados irmãos e irmãs, é uma honra falar a vocês neste Dia do Senhor. Sinto-me humilde pelo encargo de falar aos milhões de santos dos últimos dias e aos nossos amigos no mundo inteiro. Em preparação para esta oportunidade sagrada, orei e ponderei para saber quais seriam suas necessidades pessoais e a mensagem que o Senhor queria que eu lhes transmitisse. Suas necessidades são muitas e diversas. Cada um de vocês é um filho incomparável de Deus. Deus os conhece individualmente. Ele envia mensagens de incentivo, correção e orientação, adequadas a vocês e a suas necessidades. Para descobrir o que Deus queria que eu dissesse nesta conferência, li as mensagens de Seus servos nas escrituras e nas conferências passadas. Recebi resposta a minha oração ao ler as palavras de Alma, um grande servo do Senhor, no Livro de Mórmon: “Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos! Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra. Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu”.1 Depois descobri, na reflexão de Alma, a orientação pela qual vinha orando: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro”. 2 Ao ler essa mensagem de um servo de Deus, minha tarefa de hoje ficou mais clara. Deus envia mensagens e mensageiros autorizados a Seus Filhos. Devo edificar a confiança em Deus e em Seus servos, até que nos motivemos a obedecer a Seus conselhos. Ele quer isso porque nos ama e deseja nossa felicidade. Ele sabe como a falta de confiança Nele traz infelicidade. Essa falta de confiança resultou em sofrimento para os filhos do Pai Celestial desde antes de o mundo ser criado. Sabemos, por meio de revelações de Deus ao Profeta Joseph Smith, que muitos de nossos irmãos e irmãs no mundo pré-mortal rejeitaram o plano para nossa vida mortal apresentado por nosso Pai Celestial e Seu Filho mais velho, Jeová.3 Não sabemos todas as razões do terrível sucesso que Lúcifer obteve em incitar aquela rebelião. Contudo, uma delas é clara. Aqueles que perderam a bênção de vir para a mortalidade careciam de suficiente confiança em Deus para evitar a miséria eterna. O triste padrão da falta de confiança em Deus persistiu desde a Criação. Tomarei cuidado ao citar exemplos da vida de alguns filhos de Deus, pois não conhecemos todos os motivos que os levaram a não ter suficiente fé para confiar Nele. Muitos de vocês já estudaram os momentos de crise da vida deles. Jonas, por exemplo, não apenas rejeitou a mensagem do Senhor de ir a Nínive, mas tomou o rumo oposto. Naamã não confiou na instrução dada pelo profeta do Senhor, de banhar-se no rio, para que o Senhor o curasse da lepra, considerando aquela simples tarefa indigna de sua nobreza. O Salvador convidou Pedro a sair da segurança do barco e a caminhar até Ele sobre as águas. Sofremos por ele e reconhecemos nossa própria carência de uma fé maior em Deus ao ouvir este relato: “Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar. E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?”4 Dá-nos coragem o fato de Pedro ter passado a confiar no Senhor a ponto de permanecer fiel a serviço Dele por toda a vida, até o próprio martírio. O jovem Néfi, no Livro de Mórmon, desperta em nós o desejo de desenvolver confiança no Senhor para obedecer a Seus mandamentos, por mais difíceis que nos pareçam. Néfi enfrentou perigos e arriscou a vida ao declarar estas palavras confiantes que podemos e precisamos sentir com firmeza no coração: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”.5 Essa confiança advém do conhecimento de Deus. Mais do que qualquer outro povo da Terra, e graças aos gloriosos eventos da Restauração do evangelho, nós sentimos a paz que o Senhor ofereceu a Seu povo nestas palavras: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”.6 Meu coração se enche de gratidão pelo que Deus revelou a respeito de Si mesmo, para que tenhamos vigorosa confiança Nele. Isso começou para mim em 1820, com um jovem que foi a um bosque, numa fazenda do Estado de Nova York. O rapaz, Joseph Smith Jr., caminhou por entre as árvores até um lugar isolado. Ajoelhou-se em oração, com total confiança de que Deus responderia a sua súplica, para saber o que devia fazer para ser limpo e salvo por meio da Expiação de Jesus Cristo.7 Toda vez que leio seu relato, minha confiança em Deus e em Seus servos aumenta: “Vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim. Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”8 O Pai nos revelou que Ele vive; que Jesus Cristo é Seu Filho Amado, e que Ele nos amou tanto, que enviou esse Filho para salvar a nós, Seus filhos. E por ter um testemunho de que Ele chamou aquele rapaz sem instrução para ser apóstolo e profeta, confio em Seus apóstolos e profetas atuais, e naqueles a quem eles chamam para servir a Deus. Essa confiança abençoou minha vida e a de minha família. Há vários anos, ouvi o Presidente Ezra Taft Benson falar em uma conferência como esta. Ele aconselhou-nos a fazer tudo o que pudéssemos para livrar-nos das dívidas e manter-nos livres delas. Ele mencionou o financiamento da casa própria. Disse que talvez não fosse possível, mas que seria melhor se conseguíssemos quitar nossa dívida do financiamento.9 Virei para minha mulher, depois da reunião, e perguntei: “Acha que existe alguma maneira de fazermos isso?” A princípio, não nos parecia possível. Depois, à noite, lembrei-me de uma propriedade que eu havia comprado em outro Estado. Por vários anos tínhamos tentado vendê-la, sem sucesso. Mas, como confiamos em Deus e naquelas poucas palavras proferidas no meio da mensagem de Seu servo, na manhã da segunda-feira telefonamos para o corretor, em San Francisco, que cuidava da venda de nossa propriedade. Eu tinha ligado para ele poucas semanas antes, mas ele dissera: “Há anos que ninguém mostra interesse por sua propriedade”. No entanto, na segunda-feira depois da conferência, ouvi uma resposta que até hoje fortalece minha confiança em Deus e em Seus servos. O homem ao telefone disse: “Fico surpreso por você ter ligado. Apareceu um homem hoje perguntando se poderia comprar sua propriedade”. Maravilhado, perguntei: “Quanto ele ofereceu?” Eram alguns dólares além do valor de nossa dívida. Alguém poderia dizer que foi mera coincidência. Mas, nosso financiamento da casa própria foi quitado. E nossa família ainda procura escutar toda palavra que possa vir a ser proferida na mensagem do profeta, para dizer-nos o que devemos fazer para ter a paz e a segurança que Deus deseja conceder-nos. Essa confiança em Deus pode abençoar nossa comunidade e nossa família. Criei-me numa cidadezinha em New Jersey. Nosso ramo da Igreja tinha pouco mais de vinte membros que frequentavam regularmente. Entre eles havia uma mulher idosa e muito humilde, que se havia convertido à Igreja. Era imigrante e falava com forte sotaque norueguês. Sendo o único membro da Igreja em sua família, era também o único membro da Igreja na cidade em que morava. Por meio do meu pai, que era presidente do ramo, o Senhor a chamou para ser presidente da Sociedade de Socorro do ramo. Ela não tinha um manual que lhe dissesse o que tinha de fazer. Não havia nenhum outro membro da Igreja que morasse perto dela. Ela sabia apenas que o Senhor Se importava com os necessitados, e também conhecia o breve lema da Sociedade de Socorro: “A Caridade Nunca Falha”. Isso aconteceu bem no meio da época que conhecemos como a “Grande Depressão”. Milhares de pessoas estavam desempregadas e desabrigadas. Portanto, sentindo que recebera uma tarefa do Senhor, ela pediu roupas velhas a seus vizinhos. Lavou e passou as roupas e as pôs em caixas de papelão, na varanda dos fundos de sua casa. Quando surgiam homens sem dinheiro, que precisavam de roupas pedindo ajuda a seus vizinhos, eles diziam: “Vá até a casa que fica no fim da rua. Ali mora uma senhora mórmon que lhe dará o que você precisa”. O Senhor não governava a cidade, mas Ele mudou parte dela para melhor. Chamou uma pequena mulher — sozinha — que confiava Nele o suficiente para procurar saber o que Ele queria dela e, então, fazê-lo. Graças a sua confiança no Senhor, ela conseguiu ajudar naquela cidade centenas de filhos necessitados do Pai Celestial. Essa mesma confiança em Deus pode abençoar nações. Aprendi que podemos confiar que Deus cumprirá esta promessa feita por Alma: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber”.10 Deus não está no governo das nações, mas Ele Se importa com elas. Ele pode colocar em posição de influência pessoas que desejam o que é melhor para o povo e que confiam no Senhor, e Ele realmente o faz.11 Já vi isso em minhas viagens pelo mundo. Em uma cidade de mais de dez milhões de pessoas, falei para milhares de santos dos últimos dias reunidos em uma conferência, realizada em um grande estádio esportivo. Antes do início da reunião, percebi um homem jovem e de boa aparência sentado na primeira fila. Rodeavam-no outros que, tal como ele, estavam mais bem-vestidos do que a maioria das pessoas a sua volta. Perguntei à Autoridade Geral da Igreja ao meu lado quem eram aqueles homens. Ele sussurrou-me que eram o prefeito da cidade e seus assessores. Ao caminhar para meu carro após a reunião, fiquei surpreso ao ver o prefeito esperando para cumprimentar-me, acompanhado de seus assessores. Ele se adiantou, estendeu-me a mão e disse: “Obrigado por ter vindo a nossa cidade e ao nosso país. Sentimo-nos gratos pelo que vocês fazem para edificar seu povo. Com pessoas e famílias assim, podemos criar a harmonia e a prosperidade que desejamos para nosso povo”. Percebi naquele momento que ele era uma das pessoas de coração sincero colocadas por Deus em cargos influentes em meio a Seus filhos. Éramos minoria entre os cidadãos daquela grande cidade e nação. O prefeito pouco sabia sobre nossa doutrina e conhecia bem poucos membros de nossa Igreja. Mas Deus lhe enviara a mensagem de que os santos dos últimos dias, sob o convênio de confiar em Deus e em Seus servos autorizados, viriam a tornar-se uma luz entre seu povo. Eu conheço os servos de Deus que vão falar a vocês nesta conferência. Eles foram chamados por Deus para transmitir mensagens a Seus filhos. O Senhor disse o seguinte a respeito deles: “O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.12 Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede. Se confiarem em Deus o suficiente para escutar a mensagem Dele em todo discurso, hino e oração desta conferência, vocês a ouvirão. E, se depois fizerem o que Ele deseja que vocês façam, sua capacidade de confiar Nele aumentará e, com o tempo, vão-se sentir dominados pela alegria de descobrir que Ele passou a confiar em vocês. Testifico-lhes que Deus nos fala hoje por intermédio de Seus servos escolhidos na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Thomas S. Monson é o profeta de Deus. Nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo vivem e nos amam. Isso testifico, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.