segunda-feira, 7 de novembro de 2011

CONFIAR EM DEUS E ENTÃO, FAZER

Henry B. Eyring
Primeiro Conselheiro na Primeira Presidência


Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede.

 Meus amados irmãos e irmãs, é uma honra falar a vocês neste Dia do Senhor. Sinto-me humilde pelo encargo de falar aos milhões de santos dos últimos dias e aos nossos amigos no mundo inteiro. Em preparação para esta oportunidade sagrada, orei e ponderei para saber quais seriam suas necessidades pessoais e a mensagem que o Senhor queria que eu lhes transmitisse. Suas necessidades são muitas e diversas. Cada um de vocês é um filho incomparável de Deus. Deus os conhece individualmente. Ele envia mensagens de incentivo, correção e orientação, adequadas a vocês e a suas necessidades. Para descobrir o que Deus queria que eu dissesse nesta conferência, li as mensagens de Seus servos nas escrituras e nas conferências passadas. Recebi resposta a minha oração ao ler as palavras de Alma, um grande servo do Senhor, no Livro de Mórmon: “Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos! Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra. Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu”.1 Depois descobri, na reflexão de Alma, a orientação pela qual vinha orando: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro”. 2 Ao ler essa mensagem de um servo de Deus, minha tarefa de hoje ficou mais clara. Deus envia mensagens e mensageiros autorizados a Seus Filhos. Devo edificar a confiança em Deus e em Seus servos, até que nos motivemos a obedecer a Seus conselhos. Ele quer isso porque nos ama e deseja nossa felicidade. Ele sabe como a falta de confiança Nele traz infelicidade. Essa falta de confiança resultou em sofrimento para os filhos do Pai Celestial desde antes de o mundo ser criado. Sabemos, por meio de revelações de Deus ao Profeta Joseph Smith, que muitos de nossos irmãos e irmãs no mundo pré-mortal rejeitaram o plano para nossa vida mortal apresentado por nosso Pai Celestial e Seu Filho mais velho, Jeová.3 Não sabemos todas as razões do terrível sucesso que Lúcifer obteve em incitar aquela rebelião. Contudo, uma delas é clara. Aqueles que perderam a bênção de vir para a mortalidade careciam de suficiente confiança em Deus para evitar a miséria eterna. O triste padrão da falta de confiança em Deus persistiu desde a Criação. Tomarei cuidado ao citar exemplos da vida de alguns filhos de Deus, pois não conhecemos todos os motivos que os levaram a não ter suficiente fé para confiar Nele. Muitos de vocês já estudaram os momentos de crise da vida deles. Jonas, por exemplo, não apenas rejeitou a mensagem do Senhor de ir a Nínive, mas tomou o rumo oposto. Naamã não confiou na instrução dada pelo profeta do Senhor, de banhar-se no rio, para que o Senhor o curasse da lepra, considerando aquela simples tarefa indigna de sua nobreza. O Salvador convidou Pedro a sair da segurança do barco e a caminhar até Ele sobre as águas. Sofremos por ele e reconhecemos nossa própria carência de uma fé maior em Deus ao ouvir este relato: “Mas, à quarta vigília da noite, dirigiu-se Jesus para eles, andando por cima do mar. E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo. Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais. E respondeu-lhe Pedro, e disse: Senhor, se és tu, manda-me ir ter contigo por cima das águas. E ele disse: Vem. E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me! E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?”4 Dá-nos coragem o fato de Pedro ter passado a confiar no Senhor a ponto de permanecer fiel a serviço Dele por toda a vida, até o próprio martírio. O jovem Néfi, no Livro de Mórmon, desperta em nós o desejo de desenvolver confiança no Senhor para obedecer a Seus mandamentos, por mais difíceis que nos pareçam. Néfi enfrentou perigos e arriscou a vida ao declarar estas palavras confiantes que podemos e precisamos sentir com firmeza no coração: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”.5 Essa confiança advém do conhecimento de Deus. Mais do que qualquer outro povo da Terra, e graças aos gloriosos eventos da Restauração do evangelho, nós sentimos a paz que o Senhor ofereceu a Seu povo nestas palavras: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus”.6 Meu coração se enche de gratidão pelo que Deus revelou a respeito de Si mesmo, para que tenhamos vigorosa confiança Nele. Isso começou para mim em 1820, com um jovem que foi a um bosque, numa fazenda do Estado de Nova York. O rapaz, Joseph Smith Jr., caminhou por entre as árvores até um lugar isolado. Ajoelhou-se em oração, com total confiança de que Deus responderia a sua súplica, para saber o que devia fazer para ser limpo e salvo por meio da Expiação de Jesus Cristo.7 Toda vez que leio seu relato, minha confiança em Deus e em Seus servos aumenta: “Vi um pilar de luz acima de minha cabeça, mais brilhante que o sol, que descia gradualmente sobre mim. Assim que apareceu, senti-me livre do inimigo que me sujeitava. Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”8 O Pai nos revelou que Ele vive; que Jesus Cristo é Seu Filho Amado, e que Ele nos amou tanto, que enviou esse Filho para salvar a nós, Seus filhos. E por ter um testemunho de que Ele chamou aquele rapaz sem instrução para ser apóstolo e profeta, confio em Seus apóstolos e profetas atuais, e naqueles a quem eles chamam para servir a Deus. Essa confiança abençoou minha vida e a de minha família. Há vários anos, ouvi o Presidente Ezra Taft Benson falar em uma conferência como esta. Ele aconselhou-nos a fazer tudo o que pudéssemos para livrar-nos das dívidas e manter-nos livres delas. Ele mencionou o financiamento da casa própria. Disse que talvez não fosse possível, mas que seria melhor se conseguíssemos quitar nossa dívida do financiamento.9 Virei para minha mulher, depois da reunião, e perguntei: “Acha que existe alguma maneira de fazermos isso?” A princípio, não nos parecia possível. Depois, à noite, lembrei-me de uma propriedade que eu havia comprado em outro Estado. Por vários anos tínhamos tentado vendê-la, sem sucesso. Mas, como confiamos em Deus e naquelas poucas palavras proferidas no meio da mensagem de Seu servo, na manhã da segunda-feira telefonamos para o corretor, em San Francisco, que cuidava da venda de nossa propriedade. Eu tinha ligado para ele poucas semanas antes, mas ele dissera: “Há anos que ninguém mostra interesse por sua propriedade”. No entanto, na segunda-feira depois da conferência, ouvi uma resposta que até hoje fortalece minha confiança em Deus e em Seus servos. O homem ao telefone disse: “Fico surpreso por você ter ligado. Apareceu um homem hoje perguntando se poderia comprar sua propriedade”. Maravilhado, perguntei: “Quanto ele ofereceu?” Eram alguns dólares além do valor de nossa dívida. Alguém poderia dizer que foi mera coincidência. Mas, nosso financiamento da casa própria foi quitado. E nossa família ainda procura escutar toda palavra que possa vir a ser proferida na mensagem do profeta, para dizer-nos o que devemos fazer para ter a paz e a segurança que Deus deseja conceder-nos. Essa confiança em Deus pode abençoar nossa comunidade e nossa família. Criei-me numa cidadezinha em New Jersey. Nosso ramo da Igreja tinha pouco mais de vinte membros que frequentavam regularmente. Entre eles havia uma mulher idosa e muito humilde, que se havia convertido à Igreja. Era imigrante e falava com forte sotaque norueguês. Sendo o único membro da Igreja em sua família, era também o único membro da Igreja na cidade em que morava. Por meio do meu pai, que era presidente do ramo, o Senhor a chamou para ser presidente da Sociedade de Socorro do ramo. Ela não tinha um manual que lhe dissesse o que tinha de fazer. Não havia nenhum outro membro da Igreja que morasse perto dela. Ela sabia apenas que o Senhor Se importava com os necessitados, e também conhecia o breve lema da Sociedade de Socorro: “A Caridade Nunca Falha”. Isso aconteceu bem no meio da época que conhecemos como a “Grande Depressão”. Milhares de pessoas estavam desempregadas e desabrigadas. Portanto, sentindo que recebera uma tarefa do Senhor, ela pediu roupas velhas a seus vizinhos. Lavou e passou as roupas e as pôs em caixas de papelão, na varanda dos fundos de sua casa. Quando surgiam homens sem dinheiro, que precisavam de roupas pedindo ajuda a seus vizinhos, eles diziam: “Vá até a casa que fica no fim da rua. Ali mora uma senhora mórmon que lhe dará o que você precisa”. O Senhor não governava a cidade, mas Ele mudou parte dela para melhor. Chamou uma pequena mulher — sozinha — que confiava Nele o suficiente para procurar saber o que Ele queria dela e, então, fazê-lo. Graças a sua confiança no Senhor, ela conseguiu ajudar naquela cidade centenas de filhos necessitados do Pai Celestial. Essa mesma confiança em Deus pode abençoar nações. Aprendi que podemos confiar que Deus cumprirá esta promessa feita por Alma: “Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber”.10 Deus não está no governo das nações, mas Ele Se importa com elas. Ele pode colocar em posição de influência pessoas que desejam o que é melhor para o povo e que confiam no Senhor, e Ele realmente o faz.11 Já vi isso em minhas viagens pelo mundo. Em uma cidade de mais de dez milhões de pessoas, falei para milhares de santos dos últimos dias reunidos em uma conferência, realizada em um grande estádio esportivo. Antes do início da reunião, percebi um homem jovem e de boa aparência sentado na primeira fila. Rodeavam-no outros que, tal como ele, estavam mais bem-vestidos do que a maioria das pessoas a sua volta. Perguntei à Autoridade Geral da Igreja ao meu lado quem eram aqueles homens. Ele sussurrou-me que eram o prefeito da cidade e seus assessores. Ao caminhar para meu carro após a reunião, fiquei surpreso ao ver o prefeito esperando para cumprimentar-me, acompanhado de seus assessores. Ele se adiantou, estendeu-me a mão e disse: “Obrigado por ter vindo a nossa cidade e ao nosso país. Sentimo-nos gratos pelo que vocês fazem para edificar seu povo. Com pessoas e famílias assim, podemos criar a harmonia e a prosperidade que desejamos para nosso povo”. Percebi naquele momento que ele era uma das pessoas de coração sincero colocadas por Deus em cargos influentes em meio a Seus filhos. Éramos minoria entre os cidadãos daquela grande cidade e nação. O prefeito pouco sabia sobre nossa doutrina e conhecia bem poucos membros de nossa Igreja. Mas Deus lhe enviara a mensagem de que os santos dos últimos dias, sob o convênio de confiar em Deus e em Seus servos autorizados, viriam a tornar-se uma luz entre seu povo. Eu conheço os servos de Deus que vão falar a vocês nesta conferência. Eles foram chamados por Deus para transmitir mensagens a Seus filhos. O Senhor disse o seguinte a respeito deles: “O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo”.12 Vocês demonstram sua confiança Nele quando ouvem com a intenção de aprender e de arrepender-se e, depois, fazem tudo o que Ele lhes pede. Se confiarem em Deus o suficiente para escutar a mensagem Dele em todo discurso, hino e oração desta conferência, vocês a ouvirão. E, se depois fizerem o que Ele deseja que vocês façam, sua capacidade de confiar Nele aumentará e, com o tempo, vão-se sentir dominados pela alegria de descobrir que Ele passou a confiar em vocês. Testifico-lhes que Deus nos fala hoje por intermédio de Seus servos escolhidos na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Thomas S. Monson é o profeta de Deus. Nosso Pai Celestial e Seu Filho Jesus Cristo vivem e nos amam. Isso testifico, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.

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