segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Época de Oportunidades

Bispo H. David Burton
Bispo Presidente
 

É a época de estendermos a mão para tocar a vida de alguém; época de nos comprometermos a santificar o Dia do Senhor e de ajudarmos a manter a luz de nossos templos bem acesas.

Recentemente, em uma reunião sacramental, uma bela jovem sugeriu que um bom discurso deveria começar com alguma coisa engraçada e de bom gosto ou com uma mentira óbvia. Meu talento humorístico é praticamente inexistente, mas digo com absoluta sinceridade que estou totalmente à vontade e não sinto medo nenhum diante deste púlpito.
Com o término da recente comemoração do sesquicentenário, nosso caro profeta redirecionou nossa atenção dizendo: "É chegada agora a hora de voltarmos os olhos para o futuro. Esta é uma época de imensas oportunidades. Podemos aproveitar essas oportunidades e seguir avante. Que época maravilhosa para cada um de nós fazer sua pequena contribuição para o avanço da obra do Senhor na direção de seu magnífico destino". [Gordon B. Hinckley, Conference Report (Relatório da Conferência Geral), outubro de 1997, pp. 90­91; ou A Liahona, janeiro de 1998, p. 77.]

Todos enfrentamos dificuldades na vida diária, mas é nas dificuldades que estão algumas de nossas melhores oportunidades. Quando reconhecemos e nos valemos de nossas oportunidades, o resultado é o progresso, felicidade e crescimento espiritual.
Precisamos envolver-nos ativamente em levar a obra do Senhor adiante. Ainda que nossas oportunidades sejam inúmeras, falarei somente de algumas. Diversas vezes, deste púlpito, lembraram-nos de guardar plenamente o Dia do Senhor. Se não estivermos santificando o Dia do Senhor, hoje é um ótimo dia para assumirmos o compromisso, aproveitarmos a oportunidade, para recebermos as bênçãos prometidas que advêm de guardar o Dia do Senhor.
Muitos acham que a expressão "Dia do Senhor" é sinônimo de "dia de diversão". Um amigo meu, que gerencia várias lojinhas em comunidades majoritariamente mórmons, disse-me que sabe o exato momento em que as reuniões de domingo terminam, pois o aumento no número de clientes é marcante. As diversas formas de recreação existentes tornaram-se o que há de mais importante no domingo.
Quando a irmã Burton e eu éramos recém-casados, morávamos no sudeste do Vale do Lago Salgado. Certa ocasião, quando estávamos fazendo compras em uma merceariazinha de bairro, vimos o Presidente Joseph Fielding Smith e a esposa fazendo compras ali. Depois de ver a mesma coisa acontecer diversas vezes, acabei criando coragem para perguntar ao Presidente Smith por que ele vinha do centro da cidade, passando por dúzias de mercearias, para fazer compras ali. Ele olhou por cima dos óculos e respondeu categoricamente: "Meu filho", dei-lhe atenção imediatamente, "a irmã Smith e eu apoiamos os estabelecimentos que santificam o Dia do Senhor".
Não há novidade no conselho de que é preciso reverenciar o Dia do Senhor. Hoje não estamos escutando nada que gerações passadas não tenham escutado dos profetas de sua época e que os profetas de nossos dias não tenham reafirmado inúmeras vezes. As escrituras modernas trazem a seguinte admoestação: "E para que mais plenamente te conserves limpo das manchas do mundo, irás à casa de oração e oferecerás teus sacramentos no meu dia santificado; porque em verdade este é um dia designado para descansares de teus labores e prestares tua devoção ao Altíssimo". (D&C 59:9­10)
Sei que, principalmente para os jovens, é difícil resolver guardar o Dia do Senhor, considerando-se que os times em que eles mais querem jogar sempre marcam partidas para os domingos. Sei muito bem que para muitos parece irrelevante parar numa loja de conveniência aos domingos e comprar uma coisinha ou outra de que precisam. Entretanto, também sei que se lembrar de santificar o Dia do Senhor é um dos mandamentos mais importantes que devemos guardar para nos prepararmos para escutarmos os sussurros do Espírito.
Esta é uma época de oportunidades para as famílias viverem integramente para serem contadas com os fiéis que obedecem ao quarto grande mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus ( . . . )". (Êxodo 20:8­10)
Há alguns anos, o Presidente Hinckley respondeu a uma observação a respeito do número de dedicações e rededicações de templos dos quais tinha participado como Autoridade Geral. Disse que gostaria de continuar envolvido com a dedicação de templos até que tivéssemos, no mínimo, 100 templos em funcionamento. Quando ouvi o que disse, não pude deixar de fazer umas continhas e percebi que o total de templos em funcionamento mais o número de templos projetados ou em construção na época era muito inferior a 100. Como o Bispado Presidente é responsável por supervisionar a construção dos templos que são anunciados, lembro-me com toda clareza de ter dito ao profeta: "Presidente, peço ao Senhor que o abençoe com muita longevidade".
Eu nem imaginava que talvez, naquele momento, nosso Profeta estivesse recebendo inspiração dos céus para pensar em como proporcionar mais oportunidades de que as famílias fiéis da Igreja participassem das bênçãos relativas à adoração no templo. Chorei de alegria, como vocês, quando, na conferência geral de abril passado, ouvimos o Presidente Hinckley dizer: "( . . . ) Nos últimos meses estivemos viajando por lugares distantes para reunir-nos com os membros da Igreja. Estive com muitas pessoas que possuem bem poucos bens materiais. Mas elas têm no coração uma grande e ardorosa fé no trabalho destes últimos dias. Elas amam a Igreja. ( . . . ) Amam o Senhor e desejam cumprir a vontade Dele. Estão pagando o dízimo, por menor que seja. Estão fazendo sacrifícios enormes para ir ao templo. Viajam vários dias em ônibus desconfortáveis e barcos velhos. Economizam dinheiro e passam necessidade para que isso seja possível. Essas pessoas precisam de templos ( . . . ) próximos de onde moram. Tendo isso em vista, aproveito esta oportunidade para anunciar a toda a Igreja o projeto de construirmos imediatamente cerca de 30 templos pequenos. ( . . . ) Acrescentando-se os 17 edifícios que já estão em construção ( . . . ) teremos um total de 47 templos novos, além dos 51 que já se encontram em funcionamento. Acho melhor acrescentarmos mais dois para que tenhamos um número redondo de cem templos, no final deste século ( . . . )". [Conference Report (Relatório da Conferência Geral), abril de 1998, p. 115; ou A Liahona, julho de 1998, p. 98.]
No início desta dispensação, nossos antepassados foram abençoados com a oportunidade de fazerem grandes sacrifícios para construir templos. Eles doaram generosamente parte do pouco dinheiro que tinham, bem como o trabalho de suas próprias mãos. Quando o templo de Kirtland e, depois, o de Nauvoo ficaram prontos, os santos fizeram muito sacrifício. Foram abençoados de acordo com o que fizeram. Depois da migração dos santos para o alto das montanhas, começaram a aparecer templos em diversos lugares do oeste dos EUA. O projeto de cada templo implicava em muito sacrifício. As bênçãos prometidas por Deus aguardavam os que se valiam da oportunidade de tomarem parte na construção dos templos.
As oportunidades que o serviço no templo nos reserva atualmente são diferentes das que havia no passado. Não se espera que usemos o martelo, cortemos pedras, serremos tábuas, viremos concreto ou façamos o trabalho braçal da construção dos templos. Temos, porém, a excelente oportunidade de pagar o dízimo fielmente para que o trabalho de construção de templos e a obra do Senhor continuem a progredir. Temos também o desafio de ser dignos de oferecermo-nos para realizar as ordenanças salvadoras pelos falecidos. Em poucas palavras, a maior oportunidade das famílias da Igreja é fazer com que a luz de nossos templos fique acesa desde cedo até tarde. Poderíamos fazer com que fosse necessário que elas ficassem acesas a noite inteira, como acontece nos finais de semana em vários templos.
Há alguns anos, uma grande empresa de comunicação usou esta frase em uma propaganda: "Estenda a mão e toque alguém". O Presidente Hinckley lembrou-nos várias vezes das muitas oportunidades que temos de estender a mão e tocar alguém. Falando das pessoas que se juntaram a nós há pouco tempo, tratou da necessidade de estendermos a mão e tocá-las com amor e amizade; as pessoas que se sentem isoladas precisam de um toque de incentivo, amor incondicional e de muito perdão. É preciso que os vizinhos, conhecidos e amigos que não são de nossa fé sejam tocados pelo Espírito Santo graças ao que dizemos e fazemos.
Recentemente, em uma reunião de treinamento dos conselhos de estaca e ala, que era parte de uma conferência de estaca da qual participei, houve apresentações bem preparadas que tinham como tema as oportunidades de "incluirmos" em vez de "excluirmos", de estendermos a mão e tocarmos as pessoas novas e as menos ativas, bem como as que não são membros de nossa Igreja. A irmã Laura Chipman, presidente das Moças da estaca, sugeriu cinco passos para ajudar-nos a "incluirmos" quando entramos em contato com alguém. Eles são: (1) Introspecção: Será que, sem perceber, estamos passando uma atitude que faz as pessoas se sentirem excluídas? (2) Identificação: Conhecemos os recém-batizados, os menos ativos e os não-membros que moram em nosso bairro ou comunidade? 3. Sermos pessoais: Será que sabemos quais são os interesses, talentos e habilidades das pessoas a quem queremos integrar? 4. Convite: Incluímos os vizinhos e amigos em atividades adequadas? 5. Envolvimento: Haveria algum meio de aproveitarmos as habilidades e talentos das pessoas a quem queremos incluir?
Há pouco tempo, fui ao funeral de um amigo de infância. Esse irmão tinha uma deficiência genética congênita. Conseguia compreender conceitos muito bem, mas não sabia ler nem escrever. Sua fala era limitada a um número bem pequeno de palavras inteligíveis e a seu vocabulário particular. Algumas pessoas de nosso grupo conseguiam compreender algumas das palavras que ele dizia. Contudo, normalmente sabíamos pelo tom de voz se ele estava externando suas preocupações ou sua grande capacidade de amar. Lynn passou grande parte da infância em uma escola especial distante de casa. Passava o verão e muitos feriados em casa com a família. Nos últimos 17 anos, Lynn, que havia vivido mais do que todos os familiares, morava em uma clínica que podia atender melhor a suas muitas necessidades.
Quando Lynn morreu, um de seus melhores amigos tomou as providências para que o funeral fosse feito em uma capela que havíamos freqüentado na infância. Seus melhores amigos e funcionários da clínica compareceram ao funeral; estavam presentes também alguns membros da ala que o conheceram havia muitos anos e, talvez, uns doze amigos de infância com a família. Vários irmãos da Igreja, que permaneceram próximos a Lynn em sua longa e, muitas vezes, solitária permanência na clínica, fizeram ternos discursos.
Todos nós refrescamos a memória no decurso da cerimônia. Um amigo lembrou-se de uma ocasião em que o professor da Escola Dominical nos convidou a prestar o testemunho em aula. Chamou-nos um por um, mas pulou Lynn, talvez por achar que ele não tivesse entendimento para fazer o que se pedia. Com a maior manifestação de justa indignação de que era capaz, ele disse ao professor que esperava ter a oportunidade de se expressar. Apesar de não entendermos muito do que disse, sentimos seu amor e sentimos a profundidade de um espírito magnífico tragicamente preso a um corpo que não funcionava bem. Como foi intenso o espírito que sentimos na classe!
À medida que os funcionários e bons amigos da clínica expressavam o amor incondicional que tinham por Lynn, ficou claro que, modestamente, ele havia estendido a mão e tocado a vida dessas pessoas. No decurso do funeral, ficou patente que, pelo menos três ou quatro amigos de infância e a família haviam estendido a mão para cuidar de Lynn, fazendo coisas como visitá-lo sempre, dar longos passeios de carro, convidá-lo para jantar ou para ocasiões especiais como um aniversário ou uma festa.
Depois das histórias e lembranças, todos percebemos que nosso bondoso amigo deficiente tinha dado a nós e às famílias excelentes e compassivas que lhe estenderam a mão com amor algo muito mais valioso do que tudo o que havia recebido.
É verdade que esta é mesmo uma época de muitas oportunidades. É a época de estendermos a mão para tocar a vida de alguém; época de nos comprometermos a santificar o Dia do Senhor e de ajudarmos a manter a luz de nossos templos bem acesas, para citar pouquíssimas coisas. Testifico que o Pai Celestial e Seu Filho, nosso Salvador e Redentor, vivem, amam-nos incondicionalmente e desejam ardentemente que agarremos as oportunidades que nos proporcionam. Reconheço e expresso o amor que tenho a nosso querido profeta, que, com muita devoção, empunha nossa bandeira com coragem e grandeza. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

“Morrendo o Homem, Porventura Tornará a Viver?”

Carlos E.Assay

 

A crença na ressurreição e nas verdades inerentes a ela, motiva-nos a obedecer aos mandamentos, ao arrependimento, a servir ao próximo e a fazer outras coisas que trazem alegria e felicidade.

 

Há alguns anos, visitei uma casa de repouso para idosos. Os residentes, na maioria, eram pessoas fisicamente debilitadas, cansadas e ansiosas por sair dali. Ao passar por um dos quartos ouvi um fraco pedido de ajuda. A porta estava entreaberta, de maneira que entrei com a esperança de ajudar alguém com problemas. Já no quarto, fui recebido pelo olhar suplicante de uma gentil velhinha em uma cadeira de rodas. Olhou-me fixamente por um instante e perguntou-me: “Posso morrer? Posso morrer?”
O olhar terno, a voz afável e as feições delicadas comoveram-me. Obviamente estava sofrendo muita dor física e queria ver-se livre de um corpo debilitado. Ela sentia falta da companhia dos entes queridos que partiram antes dela.
Não me recordo muito bem o que lhe disse na ocasião, mas tentei assegurar-lhe que poderia e iria morrer no devido tempo do Senhor. Procurei assegurar-lhe que viveria novamente, livre dos problemas que a afligiam no momento.


A QUESTÃO REAL

 

A questão real que cada um de nós deve enfrentar não é, “Posso morrer?” A morte é uma das certezas da vida. Ocorre regularmente e é observada nas notas de falecimento dos jornais e pelas cadeiras vazias em nossas mesas. Porque assim como o sol se põe ao findar de cada dia de acordo com o ritmo eterno da vida, também teremos a experiência da separação temporária do corpo e do espírito; quando nosso tabernáculo de carne será colocado “na fria e silenciosa sepultura” (2 Néfi 1:14) e nosso espírito será “levado para aquele Deus que lhes deu a vida”. (Alma 40:11.)
Na verdade, porém, a questão real é: “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” (Jó 14:14). A sepultura selará nosso destino eterno? Ou há uma ressurreição e outra esfera de existência à espera de nossa alma?
Os que creêm ser o túmulo o destino final do homem, vivem sem a esperança de um mundo melhor e estão inclinados a adotar aquela atitude fatalista: “Comei, bebei e diverti-vos ( . . . ) porque amanhã morreremos”. (2 Né. 28:7; ver também I Cor. 15:32.) Esta atitude quase sempre leva a experiências devassas, à conduta imoral e a todos os outros comportamentos que resultam em angústia e remorso. (Ver Alma 29:5.)
Ao passo que, aqueles que acreditam em vida após a morte estão muito mais propensos a levar uma vida cheia de propósito. A crença na ressurreição e nas verdades inerentes a ela, motivam-nos a obedecer aos mandamentos, ao arrependendimento, a servir ao próximo e a fazer outras coisas que trazem alegria e felicidade, tanto agora como no mundo vindouro. Logo, parece apropriado falarmos sobre a questão real, Tornarei a viver? na véspera da Páscoa—dia em que cristãos do mundo inteiro comemoram a ressurreição do Senhor e Salvador, Jesus Cristo.


DUAS CATEGORIAS DE PROVAS

 

Um escritor conhecido referiu-se à ressurreição de Cristo como “o maior milagre e o mais glorioso fato da história”. (James E. Talmage, Jesus, o Cristo, 1979, p. 676; grifo nosso.)
Os milagres são “manifestações de poder divino ou espiritual”. [Bible Dictionary, (Dicionário Bíblico), p. 732.] Eles não são truques ou ações arquitetados por homens espertos. São atos realizados por indivíduos com poderes superiores aos dos mortais. O que poderia ser mais grandioso do que deitar o corpo de alguém na morte e resgatá-lo em um estado ressurreto, como fez Jesus? Somente através do uso de poderes divinos e por meio da graça de Deus poderia esta maravilha ocorrer.
E o que acontece à afirmação de que a ressurreição foi o “acontecimento mais glorioso da história?” A realidade da Ressurreição pode ser dividida em duas categorias ou classes. Uma é a grande multidão de testemunhas que viram o Cristo ressurreto; a outra é um exército de pessoas que crêem, tanto do passado como do presente, que na força de testemunhos pessoais declaram com convicção: “A sepultura não tem vitória e o aguilhão da morte é desfeito em Cristo” (Mosiah 16:8). Ambas as categorias são importantes e dignas de atenção.

Uma Multidão de Testemunhas

 

Está registrado em Atos dos Apóstolos: “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeita ao Reino de Deus”. (Atos 1:3; grifo nosso.)
Incluídos na multidão de testemunhas ou entre as “evidências infalíveis” estão as centenas de seguidores que viram o Senhor ressurreto em múltiplas ocasiões.
  • “Apareceu primeiramente a Maria Madalena”. (Marcos 16:9.) Ela o viu e ouviu-lhe a voz.
  • Apareceu a Joana, Maria (mãe de Tiago) “e outras que com elas estavam”. (Lucas 24:10.) Elas “abraçaram os seus pés, e o adoraram”. (Mateus 28:9.)
  • Apareceu a Pedro—aquele que o negou três vezes. (Ver Lucas 24:34.)
  • Apareceu a dois discípulos quando iam a caminho do campo. (Ver Lucas 24:13-32.)
  • Apareceu a seus amados apóstolos pelo menos quatro vezes.
  • Foi visto após a crucificação, “uma vez por mais de quinhentos irmãos” (I Cor. 15:6), segundo o registro de Paulo.
  • Além disso, “e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;
E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos”. (Mateus 27:52-53.)
Além dessas testemunhas, ainda havia os céticos. Alguns referiram-se às palavras das mulheres “como desvario”. (Lucas 24:11.) Jesus repreendeu os dois discípulos, dizendo: “Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!” (Lucas 24:25.) E repreendeu alguns “por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado”. (Marcos 16:14.)
Imaginamos como é possível alguém duvidar da realidade da ressurreição após ter lido os vários relatos de Sua aparição às mulheres, aos discípulos e aos apóstolos. Que prova maior poderia alguém exigir do que a documentação do acontecido apresentada em escritos sagrados?
Há mais ainda, João escreveu: “O testemunho de dois homens é verdadeiro”. (João 8:17.) Se esta afirmação é válida, certamente o testemunho de Cristo haver escapado do túmulo, fornecido por uma segunda nação, não deve ser ignorado. Refiro-me, naturalmente, ao registro do Livro de Mórmon a respeito das aparições de Cristo, após Sua morte, no hemisfério ocidental.
Próximo ao templo, na terra de Abundância, cerca de 2.500 pessoas ouviram uma voz suave e penetrante declarar: “Eis aqui meu Filho Bem Amado, no qual me alegro e no qual glorifiquei meu nome—A Ele deveis ouvir”. (3 Néfi 11:7.) Espantados, eles experimentaram uma mudança no coração ao ouvir Deus, o Pai Eterno, apresentar o Filho Unigênito—Sua maneira de transmitir os dons da imortalidade e vida eterna a todos os Seus filhos (João 3:16).
A multidão viu um homem descer dos céus. Ouviram-no anunciar, “Eis que sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi anunciada pelos profetas”. (3 Néfi 11:10.) Em seguida, convidou o povo a se aproximar um a um para ver com os próprios olhos e sentir com as próprias mãos as marcas dos cravos em Suas mãos e em Seus pés. (Ver 3 Néfi 11:14-17.)
Uma multidão de pessoas em dois continentes foi testemunha ocular do Cristo ressurreto. Portanto, pode-se dizer, a respeito deste glorioso acontecimento da história, que: “A ressurreição ( . . . ) é comprovada por evidência mais conclusiva que aquela sobre a qual repousa nossa aceitação dos fatos históricos em geral”. (James E. Talmage, Jesus, o Cristo, p. 676.)

Testemunhos Pessoais

 

“Evidências infalíveis” de assuntos espirituais, como as da ressurreição de Cristo, não são feitas pela mão; são sentidas no coração. Não são vistas a olho nu; são vistas pelos “olhos da fé”. (Éter 12:19.) Tampouco são estabelecidas pelo toque de um dedo. A realidade dos assuntos espirituais é confirmada por sentimentos despertados pelas palavras de Deus, faladas ou escritas. (Ver 1 Néfi 17:45.) Digo isso porque “o Espírito fala a verdade e não mente. Portanto, fala das coisas como realmente são e como realmente serão”. (Jacó 4:13.) O Espírito Santo lida com a realidade, não com acontecimentos fantasiosos.
Lembrai-vos de que os dois discípulos que caminharam e conversaram com Cristo na estrada para Emaús não o reconheceram a princípio. Mais tarde, porém, “abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram”, quando refletiram: “Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as escrituras?” (Lucas 24:31-32.)
Lembrai-vos também de que Jesus disse a Tomé: “Não sejas incrédulo, mas crente ( . . . ) Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram”. (João 20:27, 29.)
Nossos “olhos da fé” serão também abertos e saberemos com certeza que Ele vive e que viveremos com Ele novamente, se crermos e aceitarmos o convite divino: “Anda comigo”. (Ver Moisés 6:34.)
  • Sim, andamos com ele no deserto e sentimos sua presença ao jejuar, orar e resistir às tentações.
  • Andamos com ele até o poço de Jacó e nosso coração arde quando estudamos as escrituras e bebemos da água da vida.
  • Andamos com ele até a Galiléia, quando ensinamos e vivemos a verdade.
  • Andamos com ele até o Getsêmani, quando tomamos sobre nós as cargas de outros.
  • Caminhamos com ele até o Calvário, quando tomamos nossa cruz e renegamo-nos a tudo que não for divino e a todo desejo mundano. (Ver Mateus 16:26.)
  • Sofremos com ele no Gólgota quando sacrificamos tempo, talentos e meios para a edificação do reino de Deus.
  • Ressuscitamos com ele para uma nova vida ao procurarmos um renascimento espiritual e esforçarmo-nos por tornar-nos Seus filhos e filhas.
E, no processo de seguir Seus passos (ver I Pedro 2:21), obtemos a convicção pessoal ou a evidência infalível de que Ele vive, que é o Filho do Deus vivo e é nosso Redentor.

Conclusão

 

Não posso voltar àquela velhinha gentil na cadeira de rodas que implorava: “Posso morrer?” Ela já atravessou a ponte entre a terra e o céu—a ponte a que chamamos morte. Ela sabe agora, melhor que eu, que morrer e viver novamente são verdades estabelecidas e, certamente, sabe que: “A morte, não é um ponto final, mas uma vírgula na história da vida” (Amos John Traver), pois ela voltou para casa e está envolvida pelos braços do amor de Deus. (Ver 2 Néfi 1:15.)
Quer sejamos jovens ou velhos, não devemos ter “temor da morte, graças a [nossa] fé e esperança em Cristo e na ressurreição; portanto, para [nós] a morte foi tragada pela morte de Cristo sobre ela” (ver Alma 27:28). Ele é nosso Redentor; ele é: “a ressurreição e a vida”. (João 11:25.)
Presto solene testemunho de que viveremos novamente! Este testemunho está alicerçado nas palavras de testemunhas oculares e de profetas modernos que viram e ouviram o Deus vivo e o Cristo vivo (ver D&C 76:22-24; PGV 2:17) e em experiências pessoais e sagradas do Espírito acontecidas ao tentar andar com Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

 

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Poder Infinito da Esperança

Presidente Dieter F. Uchtdorf
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência
 

Presidente Dieter F. UchtdorfEsperança em Deus, em Sua bondade e em Seu poder reaviva nossa coragem nos desafios difíceis.
Meus queridos irmãos e irmãs, que dia glorioso para nós ao testemunharmos o anúncio de cinco novos templos feito pelo nosso amado profeta. Que lindo dia para todos nós!
Quase no final da Segunda Guerra Mundial, meu pai foi convocado pelo exército alemão e enviado para o front ocidental, deixando minha mãe cuidando sozinha da família. Embora eu tivesse apenas três anos de idade, ainda me lembro daquela época de medo e fome. Morávamos na Tchecoslováquia e, a cada dia, a guerra se aproximava e o perigo aumentava.
Finalmente, durante o frio inverno de 1944, minha mãe decidiu fugir para a Alemanha, onde os pais dela moravam. Ela nos reuniu e conseguiu de alguma forma nos colocar em um dos últimos trens de refugiados rumo ao ocidente. Viajar naquela época era perigoso. Onde quer que fôssemos, o som das explosões, os rostos tensos e a fome onipresente nos lembravam de que estávamos em uma zona de guerra.
Ao longo da viagem, o trem parava de vez em quando para obter víveres. Certa noite, durante uma das paradas, mamãe saiu apressadamente do trem para procurar comida para seus quatro filhos. Quando voltou, constatou com horror que o trem e as crianças haviam partido!
Sufocada pela preocupação, ela encheu o coração de preces desesperadas. Procurou freneticamente na enorme e escura estação de trens, atravessando os numerosos trilhos, sem perder as esperanças de que o trem não tivesse partido, apesar das evidências.
Talvez eu nunca venha a saber tudo o que se passou no coração e na mente de minha mãe naquela escura noite enquanto ela procurava seus filhos em uma fria estação ferroviária. Não tenho dúvida de que ela estava aterrorizada. Com certeza lhe passou pela mente que, se não encontrasse o trem, talvez nunca mais visse os filhos novamente. Sei com certeza disto: sua fé sobrepujou o medo e sua esperança sobrepujou o desespero. Ela não era uma mulher que ficaria sentada lamentando a tragédia. Ela agiu. Colocou sua fé e esperança em ação.
Assim, ela correu de trilho em trilho e de trem em trem até finalmente encontrar o nosso. Ele havia sido removido para uma área remota da estação. Lá, finalmente, ela reencontrou os filhos.
Sempre penso naquela noite e no que minha mãe deve ter passado. Se o tempo pudesse retroceder e eu me sentasse ao lado dela, perguntaria como conseguiu ir em frente apesar de todos os temores. Indagaria sobre fé e esperança e como ela sobrepujou o desespero.
Sei que isso é impossível, então, talvez hoje eu possa sentar-me ao lado de vocês ou ao lado de alguém que esteja desanimado, preocupado ou solitário. Hoje, quero falar-lhes a respeito do infinito poder da esperança.

A Importância da Esperança

A esperança é uma das pernas de um banco de três pernas, ao lado da fé e da caridade. Essas três pernas estabilizam nossa vida, qualquer que seja a aspereza ou a irregularidade das superfícies que encontrarmos na ocasião. As escrituras são claras e diretas sobre a importância da esperança. O Apóstolo Paulo ensinou que as escrituras foram escritas para que “tenhamos esperança”.1
A esperança tem o poder de preencher nossa vida com felicidade.2 Sua ausência — quando esse desejo de nosso coração é adiado — pode fazer “[desfalecer] o coração”.3
A esperança é um dom do Espírito:4 esperança de que, por meio da Expiação de Cristo e pelo poder de Sua Ressurreição, seremos elevados à vida eterna, devido a nossa fé no Salvador.5 Esse tipo de esperança é tanto um princípio com promessa quanto um mandamento6 e, como com todos os mandamentos, temos a responsabilidade de torná-la uma parte ativa em nossa vida e vencer a tentação de perder a esperança. A esperança no misericordioso plano de felicidade de nosso Pai Celestial leva à paz,7 à misericórdia,8 ao regozijo9 e à alegria.10 A esperança na salvação é como um capacete11 protetor; é o fundamento de nossa fé12 e uma âncora para nossa alma.13
Morôni, em sua solidão — mesmo depois de testemunhar a completa destruição de seu povo — acreditava na esperança. No crepúsculo da nação nefita, Morôni escreveu que, sem esperança, não podemos receber uma herança no reino de Deus.14

Mas Por Que Então Existe o Desespero?

As escrituras dizem que deve haver “oposição em todas as coisas”.15 Assim é com a fé, a esperança e a caridade. A dúvida, o desespero e o fracasso em cuidar do próximo levam-nos à tentação que nos pode fazer perder bênçãos especiais e preciosas.
O adversário usa o desespero para enlaçar nosso coração e nossa mente em sufocante escuridão. O desespero suga de nós tudo o que é vibrante e alegre e deixa um rastro de restos vazios daquilo que deveria ser a vida. O desespero aniquila a ambição, traz doenças, polui a alma e faz desfalecer o coração. O desespero pode ser comparado a uma escada que leva sempre e somente para baixo.
A esperança, por outro lado, é como um raio de sol que se ergue acima do horizonte de nossas condições atuais. Ela penetra a escuridão e traz um brilhante amanhecer. Ela nos estimula e inspira a colocar nossa confiança nos ternos braços do eterno Pai Celestial, que preparou um caminho para aqueles que buscam a verdade eterna em um mundo de relativismo, confusão e medo.

O Que É, Então, a Esperança?

As complexidades dos idiomas oferecem muitas variações e intensidades para a palavra esperança. Por exemplo, o bebê que engatinha pode esperar ganhar um telefone de brinquedo; o adolescente, o telefonema de um amigo especial; e o adulto pode apenas esperar que o telefone pare de tocar.
Quero falar hoje sobre a esperança que transcende o trivial e se concentra na Esperança de Israel,16 a grande esperança da humanidade, o nosso Redentor, Jesus Cristo.
Esperança não é conhecimento,17 mas sim confiança imutável de que o Senhor cumprirá Suas promessas a nós; é a confiança de que, se vivermos de acordo com as leis de Deus e com a palavra de Seus profetas, agora, receberemos no futuro as bênçãos desejadas.18 É crer e esperar que nossas orações serão respondidas. Ela se manifesta na confiança, no otimismo, no entusiasmo e na paciente perseverança.
Na linguagem do evangelho, essa esperança é segura, inabalável e ativa. Os profetas antigos falam de uma “firme esperança”19 e de uma “viva esperança”.20 É uma esperança que glorifica a Deus por meio de boas obras. Com a esperança, vêm a alegria e a felicidade.21 Com a esperança, podemos “ter paciência e suportar todas as nossas aflições”.22

Coisas pelas quais Esperamos Após Esta Vida e Coisas pelas quais Esperamos Nesta Vida

As coisas pelas quais esperamos são, em geral, eventos futuros. Quem nos dera ver além do horizonte da mortalidade e enxergar o que nos aguarda após esta vida! É possível imaginar um futuro mais glorioso do que aquele preparado para nós por nosso Pai Celestial? Por causa do sacrifício de Jesus Cristo, não precisamos temer, pois viveremos para sempre, para nunca mais provar a morte.23 Por causa de Sua Expiação infinita, podemos ser limpos do pecado e ficar puros e santos diante do julgamento.24 O Salvador é o Autor da Salvação.25
E qual é o tipo de existência pela qual esperamos após esta vida? Os que vêm a Cristo, arrependem-se de seus pecados e têm fé, viverão para sempre em paz. Pensem no valor desse dom eterno: rodeados pelos que amamos, conheceremos o significado da alegria suprema enquanto progredimos em conhecimento e felicidade. Por mais frio que este capítulo de nossa vida pareça hoje, podemos, devido à vida e ao sacrifício de Jesus Cristo, ter esperança e certeza de que o final do livro de nossa vida excederá nossas mais ambiciosas expectativas. “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”.26
As coisas que esperamos nesta vida nos sustêm na vida diária. Elas nos amparam em nossas provações, tentações e tristezas. Todos nós já enfrentamos desânimo e dificuldades. De fato, há momentos em que a escuridão parece insuportável. É nesses momentos que os princípios divinos do evangelho restaurado em que temos esperança podem nos suster e nos carregar até que, mais uma vez, andemos na luz.
Esperamos em Jesus Cristo, na bondade de Deus, nas manifestações do Espírito Santo, no conhecimento de que as orações são ouvidas e respondidas. Por Deus ter sido fiel e cumprido Suas promessas no passado, podemos esperar, confiantes, que Deus cumprirá Suas promessas também no presente e no futuro. Em épocas de aflição, podemos agarrar-nos firmemente à esperança de que as coisas “contribuirão para o [nosso] bem”27, se seguirmos o conselho dos profetas de Deus. Esse tipo de esperança em Deus, em Sua bondade e em Seu poder reaviva nossa coragem nos desafios difíceis e dá força àqueles que se sentem ameaçados pelas terríveis correntes do medo, da dúvida e do desespero.

A Esperança Leva a Boas Obras

Aprendemos a cultivar a esperança da mesma maneira que aprendemos a caminhar: um passo de cada vez. Quando estudamos as escrituras, quando conversamos com o Pai Celestial diariamente, e quando nos comprometemos a cumprir os mandamentos de Deus, como a Palavra de Sabedoria e a pagar o dízimo integral, obtemos esperança.28 Desenvolvemos nossa habilidade de “[abundar] em esperança, pela virtude do Espírito Santo”29 ao viver o evangelho “mais perfeitamente”.
Pode haver ocasiões nas quais devemos tomar uma corajosa decisão de ter esperança, mesmo quando tudo ao nosso redor contradiz essa esperança. Como o Patriarca Abraão, teremos “esperança contra a esperança”.30 Ou, como expressou certo autor: “em meio ao pior inverno, [encontramos] dentro de [nós] um verão invencível”.31
Fé, esperança e caridade completam-se mutuamente e, quando uma cresce, as outras também se desenvolvem. A esperança vem da fé32, pois, sem fé não existe a esperança.33 Semelhantemente, a fé vem da esperança, pois a fé é “o firme fundamento das coisas que se esperam”.34
A esperança é essencial tanto para a fé quanto para a caridade. Quando a desobediência, a frustração e a procrastinação corroem a fé, a esperança lá está para reerguê-la. Quando a frustração e a impaciência ameaçam a caridade, a esperança toma nossa resolução e insta conosco para cuidarmos do próximo, mesmo sem esperar recompensa. Quanto mais brilhante a nossa esperança, maior a nossa fé. Quanto mais forte a nossa esperança, mais pura a nossa caridade.
As coisas pelas quais esperamos após esta vida nos levam à fé, enquanto as coisas que esperamos nesta vida nos levam à caridade. As três qualidades — fé, esperança e caridade35 — em conjunto, alicerçadas na verdade e luz do evangelho restaurado de Jesus Cristo, levam-nos à abundância de boas obras.36

A Esperança com Base na Experiência Pessoal

Toda vez que a esperança se concretiza, surge a confiança que leva a maior esperança. Lembro-me de muitos exemplos em minha vida que me ensinaram o poder da esperança. Lembro-me bem os dias de minha infância, cercado pelos horrores e pelo desespero de uma guerra mundial, da falta de oportunidades educacionais, da vida ameaçada por doenças na juventude, e das experiências financeiras difíceis e desanimadoras como refugiado. O exemplo de nossa mãe, mesmo nas piores ocasiões, de ir em frente, colocando a fé e a esperança em ação – e não só lamentando e sonhando, susteve nossa família e a mim, e deu-nos confiança de que as circunstâncias do presente conduziriam a bênçãos futuras.
Sei, com base nessas experiências, que o evangelho de Jesus Cristo e o fato de ser membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias fortalecem a nossa fé, oferecem uma viva esperança e levam à caridade.
A esperança nos sustém em épocas de desespero. A esperança nos ensina que há razões para regozijar-nos, mesmo quando tudo são trevas ao redor.
Como Jeremias, proclamo: “Bendito o homem (…) cuja confiança é o Senhor”.37
Como Joel, testifico que “o Senhor [é] o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel”.38
Como Néfi, declaro: “[prossegui] com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens. Portanto, se assim prosseguirdes, banqueteando-vos com a palavra de Cristo, e [perseverando] até o fim, eis que assim diz o Pai: Tereis vida eterna”.39
Essa é a qualidade da esperança que devemos acalentar e desenvolver. Uma esperança tão madura vem do Salvador Jesus Cristo e por meio Dele, pois todo aquele que tem essa esperança Nele purifica-se a si mesmo, mesmo como o Salvador é puro.40
O Senhor nos deu uma revigorante mensagem de esperança: “Não temais, pequeno rebanho”.41 Deus esperará de “braços abertos para receber”42 os que abandonarem seus pecados e continuarem em fé, esperança e caridade.
E a todos os que sofrem — os que se sentem desanimados, preocupados e solitários — digo com amor e profunda preocupação por vocês: nunca desistam.
Nunca se entreguem.
Nunca deixem que o desespero sobrepuje seu espírito.
Abracem a Esperança de Israel e Nele confiem, pois o amor do Filho de Deus vence a escuridão, suaviza a tristeza e alegra cada coração.
Disso eu testifico, e deixo-lhes minha bênção, em nome de Jesus Cristo. Amém.