terça-feira, 13 de dezembro de 2011

“Morrendo o Homem, Porventura Tornará a Viver?”

Carlos E.Assay

 

A crença na ressurreição e nas verdades inerentes a ela, motiva-nos a obedecer aos mandamentos, ao arrependimento, a servir ao próximo e a fazer outras coisas que trazem alegria e felicidade.

 

Há alguns anos, visitei uma casa de repouso para idosos. Os residentes, na maioria, eram pessoas fisicamente debilitadas, cansadas e ansiosas por sair dali. Ao passar por um dos quartos ouvi um fraco pedido de ajuda. A porta estava entreaberta, de maneira que entrei com a esperança de ajudar alguém com problemas. Já no quarto, fui recebido pelo olhar suplicante de uma gentil velhinha em uma cadeira de rodas. Olhou-me fixamente por um instante e perguntou-me: “Posso morrer? Posso morrer?”
O olhar terno, a voz afável e as feições delicadas comoveram-me. Obviamente estava sofrendo muita dor física e queria ver-se livre de um corpo debilitado. Ela sentia falta da companhia dos entes queridos que partiram antes dela.
Não me recordo muito bem o que lhe disse na ocasião, mas tentei assegurar-lhe que poderia e iria morrer no devido tempo do Senhor. Procurei assegurar-lhe que viveria novamente, livre dos problemas que a afligiam no momento.


A QUESTÃO REAL

 

A questão real que cada um de nós deve enfrentar não é, “Posso morrer?” A morte é uma das certezas da vida. Ocorre regularmente e é observada nas notas de falecimento dos jornais e pelas cadeiras vazias em nossas mesas. Porque assim como o sol se põe ao findar de cada dia de acordo com o ritmo eterno da vida, também teremos a experiência da separação temporária do corpo e do espírito; quando nosso tabernáculo de carne será colocado “na fria e silenciosa sepultura” (2 Néfi 1:14) e nosso espírito será “levado para aquele Deus que lhes deu a vida”. (Alma 40:11.)
Na verdade, porém, a questão real é: “Morrendo o homem, porventura tornará a viver?” (Jó 14:14). A sepultura selará nosso destino eterno? Ou há uma ressurreição e outra esfera de existência à espera de nossa alma?
Os que creêm ser o túmulo o destino final do homem, vivem sem a esperança de um mundo melhor e estão inclinados a adotar aquela atitude fatalista: “Comei, bebei e diverti-vos ( . . . ) porque amanhã morreremos”. (2 Né. 28:7; ver também I Cor. 15:32.) Esta atitude quase sempre leva a experiências devassas, à conduta imoral e a todos os outros comportamentos que resultam em angústia e remorso. (Ver Alma 29:5.)
Ao passo que, aqueles que acreditam em vida após a morte estão muito mais propensos a levar uma vida cheia de propósito. A crença na ressurreição e nas verdades inerentes a ela, motivam-nos a obedecer aos mandamentos, ao arrependendimento, a servir ao próximo e a fazer outras coisas que trazem alegria e felicidade, tanto agora como no mundo vindouro. Logo, parece apropriado falarmos sobre a questão real, Tornarei a viver? na véspera da Páscoa—dia em que cristãos do mundo inteiro comemoram a ressurreição do Senhor e Salvador, Jesus Cristo.


DUAS CATEGORIAS DE PROVAS

 

Um escritor conhecido referiu-se à ressurreição de Cristo como “o maior milagre e o mais glorioso fato da história”. (James E. Talmage, Jesus, o Cristo, 1979, p. 676; grifo nosso.)
Os milagres são “manifestações de poder divino ou espiritual”. [Bible Dictionary, (Dicionário Bíblico), p. 732.] Eles não são truques ou ações arquitetados por homens espertos. São atos realizados por indivíduos com poderes superiores aos dos mortais. O que poderia ser mais grandioso do que deitar o corpo de alguém na morte e resgatá-lo em um estado ressurreto, como fez Jesus? Somente através do uso de poderes divinos e por meio da graça de Deus poderia esta maravilha ocorrer.
E o que acontece à afirmação de que a ressurreição foi o “acontecimento mais glorioso da história?” A realidade da Ressurreição pode ser dividida em duas categorias ou classes. Uma é a grande multidão de testemunhas que viram o Cristo ressurreto; a outra é um exército de pessoas que crêem, tanto do passado como do presente, que na força de testemunhos pessoais declaram com convicção: “A sepultura não tem vitória e o aguilhão da morte é desfeito em Cristo” (Mosiah 16:8). Ambas as categorias são importantes e dignas de atenção.

Uma Multidão de Testemunhas

 

Está registrado em Atos dos Apóstolos: “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeita ao Reino de Deus”. (Atos 1:3; grifo nosso.)
Incluídos na multidão de testemunhas ou entre as “evidências infalíveis” estão as centenas de seguidores que viram o Senhor ressurreto em múltiplas ocasiões.
  • “Apareceu primeiramente a Maria Madalena”. (Marcos 16:9.) Ela o viu e ouviu-lhe a voz.
  • Apareceu a Joana, Maria (mãe de Tiago) “e outras que com elas estavam”. (Lucas 24:10.) Elas “abraçaram os seus pés, e o adoraram”. (Mateus 28:9.)
  • Apareceu a Pedro—aquele que o negou três vezes. (Ver Lucas 24:34.)
  • Apareceu a dois discípulos quando iam a caminho do campo. (Ver Lucas 24:13-32.)
  • Apareceu a seus amados apóstolos pelo menos quatro vezes.
  • Foi visto após a crucificação, “uma vez por mais de quinhentos irmãos” (I Cor. 15:6), segundo o registro de Paulo.
  • Além disso, “e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;
E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos”. (Mateus 27:52-53.)
Além dessas testemunhas, ainda havia os céticos. Alguns referiram-se às palavras das mulheres “como desvario”. (Lucas 24:11.) Jesus repreendeu os dois discípulos, dizendo: “Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!” (Lucas 24:25.) E repreendeu alguns “por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado”. (Marcos 16:14.)
Imaginamos como é possível alguém duvidar da realidade da ressurreição após ter lido os vários relatos de Sua aparição às mulheres, aos discípulos e aos apóstolos. Que prova maior poderia alguém exigir do que a documentação do acontecido apresentada em escritos sagrados?
Há mais ainda, João escreveu: “O testemunho de dois homens é verdadeiro”. (João 8:17.) Se esta afirmação é válida, certamente o testemunho de Cristo haver escapado do túmulo, fornecido por uma segunda nação, não deve ser ignorado. Refiro-me, naturalmente, ao registro do Livro de Mórmon a respeito das aparições de Cristo, após Sua morte, no hemisfério ocidental.
Próximo ao templo, na terra de Abundância, cerca de 2.500 pessoas ouviram uma voz suave e penetrante declarar: “Eis aqui meu Filho Bem Amado, no qual me alegro e no qual glorifiquei meu nome—A Ele deveis ouvir”. (3 Néfi 11:7.) Espantados, eles experimentaram uma mudança no coração ao ouvir Deus, o Pai Eterno, apresentar o Filho Unigênito—Sua maneira de transmitir os dons da imortalidade e vida eterna a todos os Seus filhos (João 3:16).
A multidão viu um homem descer dos céus. Ouviram-no anunciar, “Eis que sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi anunciada pelos profetas”. (3 Néfi 11:10.) Em seguida, convidou o povo a se aproximar um a um para ver com os próprios olhos e sentir com as próprias mãos as marcas dos cravos em Suas mãos e em Seus pés. (Ver 3 Néfi 11:14-17.)
Uma multidão de pessoas em dois continentes foi testemunha ocular do Cristo ressurreto. Portanto, pode-se dizer, a respeito deste glorioso acontecimento da história, que: “A ressurreição ( . . . ) é comprovada por evidência mais conclusiva que aquela sobre a qual repousa nossa aceitação dos fatos históricos em geral”. (James E. Talmage, Jesus, o Cristo, p. 676.)

Testemunhos Pessoais

 

“Evidências infalíveis” de assuntos espirituais, como as da ressurreição de Cristo, não são feitas pela mão; são sentidas no coração. Não são vistas a olho nu; são vistas pelos “olhos da fé”. (Éter 12:19.) Tampouco são estabelecidas pelo toque de um dedo. A realidade dos assuntos espirituais é confirmada por sentimentos despertados pelas palavras de Deus, faladas ou escritas. (Ver 1 Néfi 17:45.) Digo isso porque “o Espírito fala a verdade e não mente. Portanto, fala das coisas como realmente são e como realmente serão”. (Jacó 4:13.) O Espírito Santo lida com a realidade, não com acontecimentos fantasiosos.
Lembrai-vos de que os dois discípulos que caminharam e conversaram com Cristo na estrada para Emaús não o reconheceram a princípio. Mais tarde, porém, “abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram”, quando refletiram: “Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as escrituras?” (Lucas 24:31-32.)
Lembrai-vos também de que Jesus disse a Tomé: “Não sejas incrédulo, mas crente ( . . . ) Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram”. (João 20:27, 29.)
Nossos “olhos da fé” serão também abertos e saberemos com certeza que Ele vive e que viveremos com Ele novamente, se crermos e aceitarmos o convite divino: “Anda comigo”. (Ver Moisés 6:34.)
  • Sim, andamos com ele no deserto e sentimos sua presença ao jejuar, orar e resistir às tentações.
  • Andamos com ele até o poço de Jacó e nosso coração arde quando estudamos as escrituras e bebemos da água da vida.
  • Andamos com ele até a Galiléia, quando ensinamos e vivemos a verdade.
  • Andamos com ele até o Getsêmani, quando tomamos sobre nós as cargas de outros.
  • Caminhamos com ele até o Calvário, quando tomamos nossa cruz e renegamo-nos a tudo que não for divino e a todo desejo mundano. (Ver Mateus 16:26.)
  • Sofremos com ele no Gólgota quando sacrificamos tempo, talentos e meios para a edificação do reino de Deus.
  • Ressuscitamos com ele para uma nova vida ao procurarmos um renascimento espiritual e esforçarmo-nos por tornar-nos Seus filhos e filhas.
E, no processo de seguir Seus passos (ver I Pedro 2:21), obtemos a convicção pessoal ou a evidência infalível de que Ele vive, que é o Filho do Deus vivo e é nosso Redentor.

Conclusão

 

Não posso voltar àquela velhinha gentil na cadeira de rodas que implorava: “Posso morrer?” Ela já atravessou a ponte entre a terra e o céu—a ponte a que chamamos morte. Ela sabe agora, melhor que eu, que morrer e viver novamente são verdades estabelecidas e, certamente, sabe que: “A morte, não é um ponto final, mas uma vírgula na história da vida” (Amos John Traver), pois ela voltou para casa e está envolvida pelos braços do amor de Deus. (Ver 2 Néfi 1:15.)
Quer sejamos jovens ou velhos, não devemos ter “temor da morte, graças a [nossa] fé e esperança em Cristo e na ressurreição; portanto, para [nós] a morte foi tragada pela morte de Cristo sobre ela” (ver Alma 27:28). Ele é nosso Redentor; ele é: “a ressurreição e a vida”. (João 11:25.)
Presto solene testemunho de que viveremos novamente! Este testemunho está alicerçado nas palavras de testemunhas oculares e de profetas modernos que viram e ouviram o Deus vivo e o Cristo vivo (ver D&C 76:22-24; PGV 2:17) e em experiências pessoais e sagradas do Espírito acontecidas ao tentar andar com Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

 

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