sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Experiências Especiais


Elder Ronald A. Rasband
Da Presidência dos Setenta
Nossa jornada na vida nos proporciona muitas experiências especiais que se tornam blocos de sustentação para nossa fé e testemunho.
Élder Ronald A. RasbandGostaria de prestar também meu testemunho e testificar, neste dia especial, que o Presidente Thomas S. Monson é o profeta do Senhor na Terra. Agradeço o privilégio de falar em uma conferência geral.
Sou grato, como vocês, pela experiência que temos nesta conferência histórica de apoiar, de maneira disciplinada e padronizada, o nosso novo profeta, a Primeira Presidência e os demais líderes da Igreja.
Esse tipo de experiência fortalece nosso testemunho e aumenta nossa fé no conhecimento de que esta é realmente a Igreja verdadeira e viva do Senhor.
Nossa jornada na vida nos proporciona muitas experiências especiais que se tornam blocos de sustentação para a nossa fé e testemunho. Essas experiências chegam a nós das mais variadas formas e em épocas imprevisíveis. Podem ser eventos marcantes e espirituais ou momentos esclarecedores. Algumas experiências virão na forma de grandes desafios e provações difíceis que testam nossa capacidade de lidar com eles. Qualquer que seja a experiência, cada uma nos proporciona a chance de crescer espiritualmente, adquirir mais sabedoria e, em muitos casos, servir aos outros com mais empatia e amor. Como declarou o Senhor ao Profeta Joseph Smith para restaurar-lhe a confiança durante um dos seus momentos de provação mais significativos na cadeia de Liberty: “Todas essas coisas te servirão de experiência e serão para o teu bem” (D&C 122:7).
À medida que as experiências se acumulam em nossa vida, elas fortalecem e apóiam umas às outras. Assim como os blocos de cimento em nossa casa sustentam o restante da estrutura, também nossas experiências pessoais tornam-se blocos de sustentação para nosso testemunho e aumentam nossa fé em Jesus Cristo.
Esta sessão da conferência ilustra o valor de uma vida cheia de experiências. Ao seguirmos os sábios conselhos de nossos líderes e nos maravilharmos com seus ensinamentos e espírito, seria de se admirar que o Senhor escolhesse Seu apóstolo mais antigo, após anos de preparação, para tornar-se Seu profeta?
Minha bênção patriarcal diz que eu teria experiências especiais que fortaleceriam meu próprio testemunho. Irmãos e irmãs, pensem nas experiências especiais com as quais foram abençoados na vida e que lhes trouxeram convicção e alegria ao coração. Lembram-se de quando sentiram pela primeira vez que Joseph Smith era o Profeta da Restauração escolhido por Deus? Lembram-se de quando aceitaram o desafio de Morôni e compreenderam que o Livro de Mórmon era realmente um outro testamento de Jesus Cristo? Lembram-se de quando receberam uma resposta a uma oração fervorosa e perceberam que o Pai Celestial conhece vocês pessoalmente e os amam? Ao refletirem sobre essas experiências especiais, isso não lhes despertam gratidão e força de vontade para seguir em frente com fé e determinação renovadas?
Não muito tempo atrás, minha mulher e eu tivemos uma experiência que jamais esqueceremos. Fui chamado para presidir duas conferências de estaca no Peru. Durante nossa estada, fomos à cidade de Puno, no alto dos Andes, às margens do Lago Titicaca. A 12.000 pés (3.600m) acima do nível do mar, ficamos fascinados pela simplicidade e beleza da cidade a essa altitude, junto ao lago andino. Reunimo-nos com os presidentes de estaca da área e tivemos um maravilhoso serão para a juventude com centenas de jovens da área de Puno.
Certa manhã, fomos convidados a visitar um pequeno grupo de membros que vivia nas ilhas flutuantes de junco do Lago Titicaca. As pessoas que vivem nesses locais são conhecidas como os índios Uros da Bolívia e do Peru.
Soubemos que um pequeno grupo de famílias da Igreja havia-se reunido para construir sua própria pequena ilha flutuante. Ficamos entusiasmados e fomos de barco até a ilha, onde fomos saudados calorosamente por esses membros maravilhosos.
Seguramos seus bebês enrolados nos mais lindos cobertores coloridos feitos à mão. Comemos o peixe que haviam pescado naquele mesmo dia no lago, preparado com todo o cuidado e servido generosamente. Vimos seus utensílios e artesanatos e trocamos presentes.
Em nossa visita, soubemos que os seus filhos tinham que remar 45 minutos, ida e volta, para ir à escola e ao seminário em Puno todos os dias. Também ficamos felizes porque aqueles membros conheciam bem as escrituras, compreendiam e amavam-nas. Eles nos mostraram com entusiasmo sua recomendação para o templo, pois tinham recebido sua investidura e tinham sido selados no Templo de Cochabamba Bolívia.
Antes de irmos embora, uma mãe perguntou se poderíamos ajoelhar-nos com eles para fazer uma oração familiar. Lembro-me de quando nos ajoelhamos nos juncos macios com aqueles santos fiéis. Aos nos ajoelharmos, a mãe pediu-me que fizesse uma oração para dedicar a nova ilha e a casa pelo poder do Sacerdócio de Melquisedeque.
Senti-me profundamente humilde naquela ilha de juncos flutuantes no Lago Titicaca, com as famílias de fiéis santos dos últimos dias, e por ter sido convidado a fazer uma oração pela pequena Ilha de Apu Inti pedindo ao Senhor que abençoasse a casa da família Lujano e a da família Jallahui.
Ao pensar nessa experiência especial com a qual o Senhor nos abençoou, sei que um novo bloco de sustentação foi acrescentado a minha casa da fé. Penso muito nessa experiência em Puno como outro lembrete de que minha bênção patriarcal está sendo cumprida.
No prefácio de Doutrina e Convênios, escrito em 1831, prevendo a expansão da obra do Senhor em nossos dias, o Senhor revelou:
“Que todo homem, porém, fale em nome de Deus, o Senhor, sim, o Salvador do mundo;
Para que a fé também aumente na Terra;
Para que o meu eterno convênio seja estabelecido;
Para que a plenitude do meu evangelho seja proclamada pelos fracos e pelos simples aos confins da Terra” (D&C 1:20–23).
Irmãos e irmãs, os membros da Igreja, fracos e simples , como vocês e eu, estão levando o evangelho até os confins da Terra, a Puno, Peru, e a outros lugares distantes. A fé cresce entre o povo do convênio de Deus, e acredito que, tendo um tesouro pessoal de experiências ricas como essas, podemos aumentar a fé de cada um de nós.
O Presidente Monson disse: “[O Senhor ordenará]. E aos que Lhe obedecerem, quer sejam pessoas sábias ou simples, Ele Se revelará no trabalho árduo, nos conflitos e nos sofrimentos pelos quais passarem ao se ligarem a Ele e (…) aprenderão por sua própria experiência quem Ele é” (“A Maneira do Mestre”, A Liahona, janeiro de 2003, p. 7; citando Albert Schweitzer, The Quest of the Historical Jesus [1948], p. 401; grifo do autor).
Nesta época de intrusões mundanas em nossa vida, em que as provações e dificuldades parecem-nos engolfar, lembremo-nos de nossas próprias experiências espirituais e especiais. Esses blocos de sustentação de nossa fé nos trarão a convicção e a segurança de um Pai Celestial zeloso e amoroso, de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e de Sua Igreja restaurada, verdadeira e viva. Disso testifico, em nome de Jesus Cristo. Amém.

domingo, 16 de setembro de 2012

O Que Cristo Pensa de Mim?


Do Quórum dos Doze Apóstolos


Élder Neil L. Andersen
Se O amarem, confiarem Nele, acreditarem Nele e O seguirem, vocês sentirão Seu amor e Sua aprovação.
Um repórter de uma importante revista do Brasil pesquisou a Igreja a fim de preparar a publicação de um artigo de destaque.1 Ele analisou nossa doutrina e visitou o Centro de Treinamento Missionário e o centro de auxílio humanitário. Conversou com amigos da Igreja e com outros que não eram tão favoráveis a ela. Na entrevista que fez comigo, o repórter parecia sinceramente intrigado, ao perguntar: “Como é que alguém pode não considerá-los cristãos?” Eu sabia que ele estava se referindo à Igreja, mas minha mente formulou a pergunta de modo mais pessoal, e me questionei: “Será que minha vida reflete o amor e a devoção que sinto pelo Salvador?”
Jesus perguntou aos fariseus: “Que pensais vós do Cristo?”2 Na avaliação final, nosso discipulado pessoal não será julgado por amigos nem inimigos. Em vez disso, como Paulo disse: “Todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo”.3 Naquele dia, a pergunta importante para cada um de nós será: “O que Cristo pensa de mim?”
Mesmo com Seu amor por toda a humanidade, Jesus referiu-Se de modo reprovador a alguns a Seu redor, chamando-os de hipócritas,4 insensatos5e praticantes da iniquidade.6 A outros, Ele chamou com aprovação de filhos do reino7 e luz do mundo.8 Com desaprovação, chamou alguns de cegos9 e infrutíferos;10 elogiou outros, chamando-os de limpos de coração11 e ávidos por retidão.12 Lamentou que alguns fossem incrédulos13 e do mundo,14 mas a outros considerou escolhidos,15discípulos,16 amigos.17 Portanto, cada um de nós deve perguntar: “O que Cristo pensa de mim?”
O Presidente Thomas S. Monson disse que nossos dias estão se afastando “das coisas espirituais (…) [com] os ventos da mudança [soprando] a nosso redor e a fibra moral da sociedade [continuando] a se desintegrar diante de nossos olhos”.18 É uma época de crescente descrença em Cristo e desprezo em relação a Ele e Seus ensinamentos.
Nesse ambiente turbulento, regozijamo-nos por ser discípulos de Jesus Cristo. Vemos a mão do Senhor em toda a nossa volta. Nosso destino está lindamente traçado diante de nós. Jesus orou, dizendo: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.19 Ser um discípulo nestes dias decisivos será um distintivo de honra por todas as eternidades.
As mensagens que ouvimos nesta conferência são marcos sinalizadores do Senhor em nossa jornada do discipulado. Ao ouvirmos os discursos, nestes últimos dois dias, e enquanto orávamos por orientação espiritual, e ao estudarmos e orarmos a respeito das mensagens nos dias que virão, o Senhor vai abençoar-nos com uma orientação personalizada por meio do dom do Espírito Santo. Esses sentimentos nos dirigem cada vez mais a Deus, levando-nos a arrepender-nos, obedecer, crer e confiar. O Salvador responde a nossos atos de fé. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.”20
O convite de Jesus “vem, e segue-me”21 não é apenas para os que estão preparados para competir em uma olimpíada espiritual. Na verdade, o discipulado não é de forma alguma uma competição, mas um convite para todos. Nossa jornada do discipulado não é uma corrida rápida na pista, nem se compara a uma longa maratona. Na verdade, é uma migração ao longo de toda uma vida para um mundo mais celestial.
Seu convite é uma conclamação a um dever diário. Jesus disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos”.22 “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me.”23 Talvez não estejamos em nossa melhor forma todos os dias, mas se estivermos nos empenhando, o convite de Jesus está repleto de incentivo e esperança: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”.24
Onde quer que estejam na estrada do discipulado, estão no caminho certo: o caminho que conduz à vida eterna. Juntos podemos erguer e fortalecer uns aos outros nos grandes e importantes dias que estão para vir. Sejam quais forem as dificuldades que enfrentarmos, as fraquezas que nos restringirem ou as impossibilidades que nos rodearem, tenhamos fé no Filho de Deus, que declarou: “Tudo é possível ao que crê”.25
Quero compartilhar dois exemplos de discipulado em ação. O primeiro é da vida do Presidente Thomas S. Monson, demonstrando o poder da simples bondade e do ensinamento de Jesus: “O maior dentre vós será vosso servo”.26
Há quase vinte anos, o Presidente Monson falou em uma conferência geral sobre uma menina de doze anos que estava com câncer. Contou a respeito da coragem dela e da bondade de seus amigos que a carregaram até o alto do Monte Timpanogos, na região central de Utah.
Há poucos anos, conheci Jami Palmer Brinton e ouvi a história de uma perspectiva diferente — a perspectiva do que o Presidente Monson tinha feito por ela.
Jami conheceu o Presidente Monson em 1993, um dia depois de saber que um inchaço que surgira em seu joelho direito era um câncer ósseo de rápido crescimento. Com a ajuda do pai dela, o Presidente Monson deu-lhe uma bênção do sacerdócio, prometendo: “Jesus estará a sua direita e a sua esquerda para erguê-la”.
“Ao deixar a sala dele naquele dia”, contou Jami, “desatei um balão que estava amarrado a minha cadeira de rodas e o dei para ele. ‘Você É o Máximo’, estava escrito nele em letras brilhantes”.
Durante seu tratamento de quimioterapia e a cirurgia para salvar-lhe a perna, o Presidente Monson não se esqueceu dela. Jami disse: “O Presidente Monson foi um exemplo do que significa ser um verdadeiro discípulo de Cristo. [Ele] me ergueu da tristeza para uma grande e duradoura esperança”. Três anos após seu primeiro encontro, Jami foi novamente à sala do Presidente Monson. No final da reunião, ele fez algo que Jami jamais esqueceria. Da maneira prestativa que lhe é característica, o Presidente Monson a surpreendeu com o mesmo balão que ela lhe dera três anos antes. “Você É o Máximo!” proclamava o balão. Ele o guardara, sabendo que ela voltaria a sua sala quando ficasse curada do câncer. Quatorze anos depois de conhecer Jami, o Presidente Monson realizou o casamento dela com Jason Brinton, no Templo de Salt Lake.27
Podemos aprender muito com o discipulado do Presidente Monson. Com frequência, ele lembra as Autoridades Gerais a ter esta simples pergunta em mente: “O que Jesus faria?”
Jesus disse ao líder da sinagoga: “Não temas, crê somente”.28 O discipulado é acreditar Nele nos momentos de paz e nos momentos difíceis, quando nossa dor e temor somente são amenizados pela convicção de que Ele nos ama e cumpre Suas promessas.
Recentemente, conheci uma família que é um belo exemplo de como cremos Nele. Olgan e Soline Saintelus, de Porto Príncipe, Haiti, contaram-me sua história.
Em 12 de janeiro de 2010, Olgan estava no trabalho e Soline estava na Igreja, quando ocorreu um terremoto devastador no Haiti. Seus três filhos, Gancci, de cinco anos, Angie, de três anos, e Gansly, de um ano, estavam em seu apartamento com uma amiga.
A devastação foi terrível em toda parte. Como se lembram, dezenas de milhares perderam a vida naquele mês de janeiro, no Haiti. Olgan e Soline correram o mais rápido que puderam para seu apartamento a fim de procurar os filhos. O prédio de três andares onde a família Saintelus morava tinha desmoronado.
As crianças não puderam escapar. Nenhum trabalho de resgate seria efetuado em um edifício tão completamente destruído.
Tanto Olgan quanto Soline Saintelus tinham servido missão de tempo integral e tinham-se selado no templo. Eles acreditavam no Salvador e em Suas promessas para eles. Ainda assim, ficaram arrasados. Choraram incontrolavelmente.
Olgan me disse que em sua hora mais tenebrosa, ele começou a orar: “Pai Celestial, se for de Tua vontade e se houver apenas um de meus filhos vivo, por favor, ajuda-nos”. Caminhou diversas vezes ao redor do edifício, orando por inspiração. Os vizinhos tentaram consolá-lo e ajudá-lo a aceitar a perda de seus filhos. Olgan continuou a caminhar em volta das ruínas do prédio desabado, tendo esperança e orando. Então, algo extremamente milagroso aconteceu. Olgan ouviu o quase inaudível choro de um bebê. Era o choro de seu bebê.
Por horas, os vizinhos cavaram freneticamente os escombros, arriscando a própria vida. Na escuridão da noite, em meio aos estridentes ruídos de martelos e picaretas, a equipe de resgate ouviu outro som. Pararam de bater e escutaram. Mal conseguiam acreditar no que ouviam. Era o som de um menino — e ele estava cantando. Gancci, de cinco anos, contou mais tarde que sabia que o pai o ouviria se ele cantasse. Sob o peso do concreto esmagador que mais tarde resultaria na amputação de seu braço, Gancci estava cantando seu hino favorito: “Sou um Filho de Deus”.29
À medida que as horas passavam, em meio à escuridão, a morte e o desespero de tantos outros filhos e filhas preciosos de Deus no Haiti, a família Saintelus presenciou um milagre. Gancci, Angie e Gansly foram encontrados vivos sob o edifício em ruínas.30
Os milagres nem sempre são tão imediatos. Às vezes nos perguntamos por que o milagre pelo qual oramos tão fervorosamente não acontece aqui e agora. Mas, se confiarmos no Salvador, os milagres prometidos vão acontecer. Seja nesta vida ou na próxima, tudo será acertado. O Salvador declarou: “Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.31 “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.”32
Testifico que se O amarem, confiarem Nele, acreditarem Nele e O seguirem, vocês sentirão Seu amor e Sua aprovação. Ao perguntarem: “O que Cristo pensa de mim?” saberão que são Seus discípulos. Vocês são Seus amigos. Por Sua graça, Ele fará por vocês o que não podem fazer por si mesmos.
Aguardamos ansiosamente os comentários finais de nosso amado profeta. O Presidente Thomas S. Monson foi ordenado apóstolo do Senhor Jesus Cristo quando eu tinha doze anos de idade. Por mais de 48 anos, tivemos a bênção de ouvi-lo prestar testemunho de Jesus Cristo. Testifico que ele hoje é o apóstolo sênior do Salvador na Terra.
Com grande amor e admiração pelos muitos discípulos de Jesus Cristo, que não são membros desta Igreja, declaro humildemente que os anjos retornaram à Terra em nossos dias. A Igreja de Jesus Cristo como Ele a estabeleceu no passado foi restaurada, com o poder, as ordenanças e as bênçãos do céu. O Livro de Mórmon é outro testamento de Jesus Cristo.
Testifico que Jesus Cristo é o Salvador do mundo. Ele sofreu e morreu por nossos pecados e ressuscitou no terceiro dia. Ele ressuscitou. Em um dia futuro, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Cristo.33 Naquele dia, nossa preocupação não há de ser: “Será que os outros me consideram cristão?” Naquele momento, nossos olhos estarão fitos Nele e nossa alma estará fixa na pergunta: “O que Cristo pensa de mim?” Ele vive. Presto testemunho disso em nome de Jesus Cristo. Amém.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Considerar Sagrado


Élder Paul B. Pieper
As coisas sagradas devem ser tratadas com mais cuidado, receber mais deferência e ser apreciadas com mais reverência.
Aproximadamente 1.500 anos antes de Cristo, um pastor foi atraído para uma sarça ardente na encosta do monte Horebe. Aquele encontro com o divino deu início à transformação de Moisés, de pastor a profeta, e de seu trabalho de pastorear ovelhas ao de reunir Israel. Cerca de 1.300 anos depois, um jovem sacerdote privilegiado da corte de um rei foi cativado pelo testemunho de um profeta condenado. Aquele encontro deu início à evolução de Alma, de servo do rei para servo de Deus. Quase 2.000 anos depois, um menino de quatorze anos entrou num bosque, em busca de resposta para uma dúvida sincera. O encontro de Joseph Smith no bosque colocou-o no caminho de seu papel como profeta da restauração.
Moisés, Alma e Joseph Smith tiveram a vida mudada após o encontro com o divino. Aqueles acontecimentos os fortaleceram para que permanecessem fiéis ao Senhor e a Sua obra por toda a vida, a despeito de uma oposição avassaladora e das difíceis provações que se seguiram.
Nosso encontro com o divino talvez não seja tão direto ou drástico, tampouco nossos desafios serão tão assustadores. Contudo, tal como aconteceu com os profetas, nossa força para perseverar até o fim depende do fato de reconhecermos, lembrarmos e considerarmos sagrado aquilo que recebemos do alto.
Atualmente, a autoridade, as chaves e as ordenanças foram restauradas na Terra. Há também escrituras e testemunhas especiais. Aqueles que buscam a Deus podem receber o batismo para a remissão de pecados e a confirmação “pela imposição de mãos para o batismo de fogo e do Espírito Santo” (D&C 20:41). Com essas preciosas dádivas restauradas, nossos encontros com o divino, em sua maioria, envolverão o terceiro membro da Trindade, o Espírito Santo.
“O Espírito Santo sussurra, com suave voz,
E testifica de Jesus que ama todos nós”
(“O Espírito Santo”, Músicas para Crianças, p. 56)
“Santo Espírito de Deus
Testifica de Jesus,
O caminho vem mostrar,
Que nos leva ao céu e à luz”
(“Santo Espírito de Deus”, Hinos, nº 80).
Ao buscarmos respostas de Deus, sentimos a voz mansa e delicada sussurrar a nosso espírito. Esses sentimentos — essas impressões — são tão naturais e sutis que podemos deixá-las passar despercebidas ou atribuí-las à razão ou intuição. Essas mensagens personalizadas testificam a respeito do amor e da preocupação que Deus tem individualmente por Seus filhos e pela missão mortal de cada um deles. A reflexão diária e o registro das impressões que vêm do Espírito têm o duplo propósito de ajudar-nos (1) a reconhecer nossos encontros pessoais com o divino e (2) a preservar um relato deles para nós mesmos e para nossa posteridade. O registro desses sentimentos também é um reconhecimento e uma demonstração formal de nossa gratidão a Deus, porque “em nada ofende o homem a Deus ou contra ninguém está acesa sua ira, a não ser contra os que não confessam sua mão em todas as coisas” (D&C 59:21).
No tocante ao que recebemos pelo Espírito, o Senhor disse: “Lembrai-vos de que aquilo que vem de cima é sagrado” (D&C 63:64). Sua declaração é mais que um lembrete: também é uma definição e uma explicação. Luz e conhecimento do céu são sagrados. São sagrados porque o céu é sua fonte.
Sagrado significa digno de veneração e respeito. Ao chamar algo de sagrado, o Senhor indica que esse algo tem maior valor e prioridade do que outras coisas. As coisas sagradas devem ser tratadas com mais cuidado, receber mais deferência e ser apreciadas com mais reverência. Sagrado significa elevado na hierarquia dos valores celestes.
Aquilo que é sagrado para Deus somente se torna sagrado para nós pelo exercício do arbítrio. Cada pessoa precisa aceitar e considerar sagrado aquilo que Deus definiu como sagrado. O Senhor envia luz e conhecimento do céu e convida-nos a receber o que Ele enviou e considerá-lo sagrado.
Mas “[há] uma oposição em todas as coisas” (2 Néfi 2:11). O oposto do sagrado é o profano ou secular: aquilo que é temporal ou mundano. As coisas mundanas sempre competem com as sagradas para atrair nossa atenção e prioridades. O conhecimento do secular é essencial para nossa vida temporal diária. O Senhor nos instrui a buscar conhecimento e sabedoria nos melhores livros, a estudar, aprender e a conhecer idiomas, línguas e povos (ver D&C 88:11890:15). Portanto, a decisão de colocar o sagrado acima do secular é uma questão de prioridade relativa e não de exclusividade. “É bom ser instruído, quando se dá ouvidos aos conselhos de Deus” (2 Néfi 9:29; grifo do autor).
A batalha pela prioridade entre o sagrado e o secular no coração do homem pode ser ilustrada pelo que aconteceu com Moisés na sarça ardente. Ali, Moisés recebeu seu chamado sagrado de Jeová para que libertasse os filhos de Israel do cativeiro. Contudo, a princípio, seu conhecimento secular do poder do Egito e do faraó fez com que duvidasse. Por fim, Moisés exerceu fé na palavra do Senhor, sobrepujando seu conhecimento secular e confiando no sagrado. Essa confiança lhe deu poder para sobrepujar as provações temporais e conduzir Israel para fora do Egito.
Depois de escapar dos exércitos de Noé e, em seguida, ser submetido à escravidão sob as mãos de Amulom, Alma poderia ter duvidado do testemunho que recebeu ao ouvir Abinádi. Contudo, ele confiou no sagrado e recebeu forças para perseverar e escapar de suas tribulações temporais.
Joseph Smith enfrentou um dilema semelhante nos primeiros dias da tradução do Livro de Mórmon. Ele sabia da natureza sagrada das placas e do trabalho de tradução. Mas mesmo assim, foi persuadido por Martin Harris a dar prioridade às questões temporais da amizade e das finanças e contrariar as instruções sagradas. Consequentemente, o manuscrito da tradução se perdeu. O Senhor repreendeu Joseph por entregar “aquilo que era sagrado à iniquidade” (D&C 10:9) e tirou dele, por algum tempo, as placas e o dom de traduzir. Quando as prioridades de Joseph foram devidamente restabelecidas, as coisas sagradas foram-lhe devolvidas e o trabalho prosseguiu.
O Livro de Mórmon dá outros exemplos da batalha de dar prioridade ao sagrado. Ele fala sobre os fiéis cuja fé os conduziu à árvore da vida para partilhar de seu fruto sagrado, o amor de Deus. Depois, a zombaria dos que estavam no grande e espaçoso edifício fez com que os fiéis mudassem seu foco do sagrado para o secular (ver 1 Néfi 8:11, 24–28). Mais tarde, os nefitas escolheram o orgulho e negaram o espírito de profecia e revelação, “zombando de tudo quanto era sagrado” (Helamã 4:12). Até alguns que haviam testemunhado pessoalmente os sinais e milagres associados ao nascimento do Senhor rejeitaram as manifestações sagradas do céu em favor de explicações seculares (ver3 Néfi 2:1–3).
Hoje a batalha continua. As vozes seculares crescem em volume e intensidade. Elas instam cada vez mais os fiéis a abandonar crenças que o mundo considera irracionais. Como “agora vemos por espelho em enigma” (I Coríntios 13:12) e “não [conhecemos] o significado de todas as coisas” (1 Néfi 11:17), às vezes nos sentimos vulneráveis, tendo necessidade de maior certeza espiritual. O Senhor lembrou o seguinte a Oliver Cowdery:
“Se desejas mais um testemunho, volve tua mente para a noite em que clamaste a mim em teu coração a fim de saberes a respeito da veracidade destas coisas.
Não dei paz a tua mente quanto ao assunto? Que maior testemunho podes ter que o de Deus?” (D&C 6:22–23).
O Senhor lembrou a Oliver e a nós que devemos confiar no testemunho sagrado que já recebemos quando nossa fé é desafiada. Tal como aconteceu com Moisés, Alma e Joseph, esses encontros divinos servem de âncora espiritual para manter-nos seguros e no rumo certo nos momentos de provação.
Não se pode capitular seletivamente o sagrado. Aqueles que decidem abandonar as coisas sagradas ficarão com a mente obscurecida (ver D&C 84:54) e, a menos que se arrependam, a luz que possuíam lhes será tirada (ver D&C 1:33). Sem o alicerce do sagrado, eles ficarão moralmente à deriva no mar do secular. Por outro lado, aqueles que consideram santas as coisas sagradas recebem promessas: “Aquilo que é de Deus é luz; e aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz; e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito” (D&C 50:24).
Que o Senhor nos abençoe para que sempre — e para sempre — reconheçamos, lembremos e consideremos sagrado aquilo que recebemos do alto. Testifico-lhes que, se assim fizermos, teremos poder para suportar as provações e vencer os desafios de nossos dias. Em nome de Jesus Cristo. Amém.